Disserte com autoridade

Um princípio do qual você não deverá abdicar em dissertações é o da autoridade. Como, então, observá-lo?

Simples: aborde a questão da forma mais impessoal possível, faça uso de uma linguagem equilibrada e não descambe para a informalidade.

Argumente sempre com elegância, ponderadamente, sem baixar o nível da argumentação, mesmo que você esteja na defesa de um ponto de vista que, na sua opinião, seja inegociável.

Lembre-se de que o seu texto estará sendo avaliado por uma banca examinadora que nutre as mais rigorosas expectativas com relação à aplicação de procedimentos da boa argumentação.

Uma boa defesa de tese caracteriza-se pela força dos argumentos, clareza e precisão da linguagem, além da lucidez da linha de pensamento.

Ao emitir alguma opinião, verifique se você não está sendo radical ou genérico(a) demais nem está ferindo o bom-senso.

Além disso, ao apresentar exemplos e demais informações de apoio, cite a(s) fonte(s) de onde você possa ter coletado os dados.

Assim sendo, a autoridade da argumentação estará assegurada.

Bons estudos!

Respeite os paralelismos sintáticos!

Guarde bem isto: elementos de mesma hierarquia e função devem ser apresentados no texto mediante construções frasais que gramaticalmente se correspondam.

Sendo assim, uma locução nominal deve estar paralela a outra locução nominal; um verbo, a outro verbo; uma oração reduzida de infinitivo, a outra reduzida de infinitivo; e assim por diante.

Exemplo 1:

  • O juiz exigiu do atleta mais moderação em suas atitudes e que pedisse desculpas ao adversário. 

Nessa construção há falta de paralelismo sintático, pois ao termo moderação, um nome, não corresponde outro nome, mas uma oração (que pedisse desculpas ao adversário).

Correção 1: O juiz exigiu do atleta mais moderação (substantivo) em suas atitudes e o pedido (substantivo) de desculpas ao adversário.

Correção 2: O juiz exigiu do atleta que moderasse as suas atitudes (oração) e pedisse desculpas ao adversário. (oração)

Você poderá perguntar-se: qual a melhor solução das duas?

Na dúvida, embora ambas estejam gramaticalmente certas, fique com a mais concisa, simples e direta, a primeira.

Exemplo 2:

  • A mãe não escondia a sua impaciência e estar angustiada com o atraso do filho.

Não há correspondência entre impaciência (substantivo) e estar (verbo no infinitivo); portanto, não foi observado o paralelismo sintático.

Correção 1: A mãe não escondia a impaciência (substantivo) e a angústia (substantivo) com o atraso do filho.

Correção 2: A mãe não escondia estar impaciente (adjetivo) e angustiada (adjetivo) com o atraso do filho.

Exemplo 3:

  • Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade e que mostrasse o documento de habilitação.

Pelo visto, ao nome carteira de identidade não corresponde outro nome, mas sim uma oração (que mostrasse o documento de habilitação).

Correção 1: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade (nome) e o documento de habilitação (nome).

Correção 2: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de motorista (oração) e conferiu o documento de habilitação. (oração)

  • O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudadores, políticos contaminados pela corrupção, Justiça lenta e sensação de impunidade.

Se você fizer uma análise morfológica dos termos enumerados após os dois-pontos, verá que não são de mesma natureza e, logo, não se correlacionam sintaticamente.

Correção: O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudes, corrupção na política, lentidão da Justiça e sensação de impunidade. (nome, nome, nome, nome)

Agora é treinar, treinar e… treinar!

Qual a importância da conclusão no texto dissertativo-argumentativo?

Respondendo à pergunta: no parágrafo de Conclusão você deve reafirmar a tese (a mesma da Introdução, mas com outra construção frasal) e apresentar possíveis soluções/sugestões para a situação-problema da questão.

Ademais, sugere-se emitir uma apreciação final como fechamento do texto.

Seja breve. Não torne a Conclusão muito longa, consuma apenas de 10% a 15% do texto.

Se desejar, comece o parágrafo por uma expressão inicial (“Em face dos argumentos acima desenvolvidos, conclui-se que …” ) ou simplesmente por alguma conjunção conclusiva (“Logo”,Portanto,…”).

Importante:

1. Não conclua sobre o que você não tenha considerado no desenvolvimento.

2. Evite tomar posições críticas radicais, que possam ferir senso comum.

3. Não recorra a apelos na intenção de convencer o leitor, como faça isso ou deixe de fazer aquilo.

4. Mantenha o equilíbrio com o qual você tenha desenvolvido a sua linha de argumentação.

5. Ao apresentar possíveis soluções/sugestões para a situação-problema da questão, além de simplesmente citá-las, explicite como elas poderão ser implementadas.

6. Não termine o texto com ufanismos na intenção de impressionar a banca de correção.

Agora é treinar, treinar e…treinar!

O que tratar no desenvolvimento de um texto dissertativo-argumentativo?

Respondendo à pergunta: em princípio, trate apenas do que tenha sido apresentado na Introdução.

O desenvolvimento deve tomar de 70 a 80% do texto.

Na essência, é a expansão da Introdução em parágrafos mediais que conduzam o leitor pela sua linha de pensamento e argumentação.

Trata-se, estruturalmente,  da reapresentação dos argumentos apresentados na Introdução, agora reescritos (parafraseados) na forma de teses (tópicos frasais) dos seus respectivos parágrafos, seguidos de comentários, exemplos, citações, dados estatísticos, constatações e outros recursos que possam expandir a introdução de cada parágrafo.

Não se esqueça de encadear os parágrafos mediais mediante  vínculos sintáticos e semânticos que contribuam para a coerência e coesão do texto.

Considere o desenvolvimento o “filé” do seu texto, por meio do qual você irá tratar da situação-problema anunciada no pedido da questão com a desejável profundidade.

Não se esqueça de citar as fontes de eventuais dados estatísticos, relatórios e demais citações alheias que você julgar interessantes para o fortalecimento da argumentação.

Evite, no desenvolvimento, rodeios e digressões dispensáveis. Seja retilíneo ao argumentar!

Os exemplos, desde que relevantes e adequados, são importantes para o esclarecimento da argumentação.

Não se esqueça de manter a impessoalidade da linguagem durante todo o desenvolvimento. Usar, por exemplo, a primeira pessoa do singular  (“eu”) na condução da argumentação é suicídio na certa!

Agora é treinar, treinar e…treinar!

Articule as suas ideias

Imagine um braço e antebraço sem o cotovelo. Haveria, sem dúvida, o comprometimento da funcionalidade do membro superior por absoluta falta de articulação entre essas duas importantes partes do corpo humano.

Não basta, portanto, que existam as partes, é preciso que elas estejam unidas entre si de forma harmônica, a fim de que cumpram os seus papéis em benefício do todo.

Assim é com o texto. Ao observar a sua geografia, você distingue as suas partes constituintes: os parágrafos, formados de períodos; os períodos, de orações; e as orações, cada qual com os seus termos, alguns essenciais (sujeito e predicado) e outros integrantes (complementos verbais e nominais) ou acessórios.

Um bom texto dissertativo é capaz de reter a atenção do leitor sem quebras no sequenciamento da exposição de fatos ou do desenvolvimento da argumentação.

E isso se consegue primordialmente com a coesão entre as suas partes.

Todo elemento que faça a ligação entre os fragmentos de um texto pode ser chamado de coesivo, pois contribui para a formatação de uma espécie de espinha dorsal do texto, que, como tal, lhe dará sustentação.

Você deve preocupar-se, então, não somente com a sequência de orações bem escritas, mas, principalmente, com o relacionamento harmonioso que deve imperar entre elas, pois, dessa forma, o seu texto será compreendido integralmente.

Com a leitura dos nossos livros você aprenderá a aplicar com facilidade as recomendações acima.

Bons estudos!