Recorde o uso das vírgulas nos períodos simples

 

Nos períodos simples

Quando usar: para separar…

Quando não usar: entre…

…termos coordenados: Rimos, brincamos, namoramos. Belo sábado! … o sujeito e o predicado: Bons comerciantes visam ao lucro em qualquer oportunidade.
…termos explicativos: Ser nobre, por exemplo, é saber perder.
…apostos: Fortaleza, capital cearense, é conhecida como Cidade-Sol. … o verbo e o objeto: Os ingratos não se lembram de agradecer.
…vocativos: Não se vá, filho, sem antes me dar um beijo. … o nome e seus adjuntos adnominais e complemento nominal: O escritor mora naquela casa amarela. / Ficamos felizes com a sua atitude. 
…elementos paralelos de provérbios e ditos populares: Cabeça vazia, oficina do diabo.
…adjuntos adverbiais deslocados: A insegurança, à noite, é mais preocupante. … dois termos ligados por “nem” ou “e”: Não fui ao clube nem à praia. / Compramos laranjas e peras.
…indicar a omissão do verbo: Vocês gostam de cantar; nós, de dançar.

Sobre a vírgula

Observe, a título de ilustração, o texto veiculado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) por ocasião do seu centésimo aniversário:

             Sobre a Vírgula

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.

Não, espere.

Não espere.

    

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.

 

Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.

Isso só ele resolve.

 

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.

 

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.

 

A vírgula pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência!

Não, tenha clemência!

 

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

 

 

Quando usar o Modo Subjuntivo

O Modo Subjuntivo, na linguagem oral, nem sempre tem sido observado e anda meio fora de moda.

No texto escrito, entretanto, existem situações em que ele se impõe.

Veja quando melhor empregar os verbos em seus três tempos:

  • presente: para indicar fatos presentes ou futuros em relação ao Momento da Fala (introduzidos por orações subordinadas) ou desejos.

Exemplo: A população espera que o governo contenha a inflação.

  • pretérito imperfeito: para remeter o leitor a ações passadas, presentes ou futuras em relação ao verbo da oração principal.

Exemplo: Os sindicatos suspenderiam a greve se o governo concedesse o aumento pleiteado.

  • futuro: para indicar eventualidades (introduzidos por orações subordinadas).

Exemplo: O governo tomará as providências cabíveis se os amotinados libertarem os reféns.  

Não deixe de treinar,treinar e treinar a produção textual!

Bons estudos!

Como melhor usar o Modo Indicativo

Em dissertações, dominar a ordenação do tempo com o adequado uso dos modos e tempos verbais facilita o desenvolvimento de teses.

No universo de cada modo, há diferentes empregos dos tempos verbais.

Observá-los poderá contribuir para a clareza de sua dissertação.

Quanto ao Modo Indicativo, decida sobre um dos seguintes tempos verbais conforme cada situação:

  • presente: para indicar fatos simultâneos ao Momento da Fala (MF), verdades científicas, ações habituais, atualizações do passado, indicações de um futuro muito próximo e certo e, eventualmente, substituir o imperativo: Brasília é a capital do Brasil.
  • pretérito imperfeito: para denunciar fatos anteriores ao MF, mas ainda não concluídos; para exprimir fatos habituais ou ações em curso: Ao término do período, a população estava revoltada.
  • pretérito perfeito: para remeter o leitor a fatos passados em relação ao MF, mas já findos, ou a fatos não habituais; ainda para indicar ações momentâneas: Houve bons motivos para a rebelião.
  • pretérito mais-que-perfeito: para deslocar o leitor a fatos passados, já concluídos, tomados em relação a um outro passado (no passado do passado em relação ao MF): O povo já antecipara o impeachment do presidente (tinha ou havia antecipado).
  • futuro do presente: para remeter o leitor a fatos posteriores ao MF e tidos como certos; ainda para indicar a emissão de ordens: As medidas governamentais resolverão apenas em parte o problema.
  • futuro do pretérito: para levar o leitor a fatos futuros, mas tomados em relação a um passado ao MF; poderá indicar dúvida, desejo, surpresa, ou ainda fatos não realizados:  Passado algum tempo, o governo repetiria os erros do passado.

Olho vivo!

Frases siamesas, por que evitar

  • Frases siamesas são as que estão juntas quando deveriam estar separadas pela inadequação no emprego de  conectores e sinais de pontuação.

Exemplo: Estou indisposto faltarei ao jantar irei ao hospital.

Comentário: veja que nessa construção há três verbos – Estou, faltarei, irei – que denunciam a presença de três orações unidas entre si quando deveriam estar articuladas por conectores que estabelecessem relações de implicação entre elas ou simplesmente separadas por sinais de pontuação.

Corrigindo: Faltarei ao jantar, pois estou indisposto. Irei ao hospital.

  • Dicas para você evitar as frases siamesas:

1ª) Faça uma sumária análise sintática para identificar as orações do período (procure identificar os sujeitos e grifar os verbos).

2ª) Reconheça a mais adequada relação de implicação existente entre elas dentro do contexto do período e do parágrafo.

3ª) Verifique se estão devidamente articuladas, interligadas coerentemente; do contrário, busque sinais de pontuação e conectores que possam separá-las convenientemente e dar sentido ao texto.

Exemplo: O goleiro ficou contrariado teria de continuar com o treinamento depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

Corrigindo (quatro possíveis redações):

O goleiro ficou contrariado. Teria de continuar com o treinamento depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

O goleiro ficou contrariado; mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados, teria de continuar com o treinamento.

Porque teria de continuar com o treinamento, mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados, o goleiro ficou contrariado.

O goleiro ficou contrariado porque teria de continuar com o treinamento mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

Olho vivo!

Frases fragmentadas, prejuízo certo ao texto

  • Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento.

Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida a visualização do encadeamento das ideias.

Exemplo: Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada)

Correção: Eu estava perdida em São Paulo,  mesmo consultando o mapa da cidade, (oração subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial temporal)

  • Dicas para não fragmentar o texto:

1ª) Observe se a sua oração tem sujeito e verbo. Do contrário, não se trata de oração completa e muito provavelmente seja apenas aposto, adjunto adverbial ou qualquer termo acessório.

Exemplo: País de dimensões continentais. O Brasil destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.

Correção: O Brasil, país de dimensões continentais, destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.  

2ª) Evite começar um período por conjunção subordinativa, pronome relativo ou verbo numa das três formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio passado).

Exemplo 1: De que deveríamos estudar mais. O professor já nos tinha alertado.

Correção: O professor já nos tinha alertado de que deveríamos estudar mais.

Exemplo 2: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperando assim ser chamado por um time europeu.

Correção: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo, esperando, assim, ser chamado por um time europeu.

Detectada uma frase fragmentada, você pode atuar de duas maneiras: mudar sua posição, para ligá-la à frase seguinte (como no exemplo anterior) ou reescrevê-la: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperava, assim, ser chamado por um time europeu.

Olho vivo!

Considere a semântica das preposições

Cada preposição, conforme esteja sendo empregada no texto, atribui diferente sentido ao encadeamento da linha de argumentação.

Observe, no quadro abaixo, exemplos de frases com variados empregos de preposições essenciais iniciadas com a letra “d” e constate os efeitos provocados em cada caso:

 

 

 

 

 

de

 

 

 

 

 

 

Modo Cheguei de supetão.
Lugar De perto a primeira impressão muda.
Tempo Fui à aula de tarde.
Instrumento Pintei a parede de pincel.
Causa Estou morrendo de sono.
Matéria A estatueta é de madeira.
Intensidade Ensaiou de cansar das inúmeras repetições.
Negação De maneira nenhuma desejo mal a você.
Posse Este carro é de Joana.
Finalidade Faca de cortar peixe é diferente das demais.
Assunto Não gosto de fofocas.
Origem De uma discussão boba surgiu a inimizade.
 desde Lugar Vim a pé desde o shopping.
Tempo Estudo inglês desde os seis anos.
Condição Fale, desde que moderadamente.
Causa Não vou à praia, desde que preciso estudar.

Tire o melhor proveito possível das preposições

As preposições, como você já sabe, estabelecem relações de sentido entre vocábulos de uma oração e entre orações, períodos e parágrafos de um texto.

É sempre bom lembrar que as preposições são invariáveis e não exercem funções sintáticas.

Entre as ditas essenciais (aquelas que funcionam apenas como preposição) estão: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

As demais são acidentais (nem sempre atuam como preposição), dentre as quais se destacam: afora, menos, salvo, exceto, consoante, durante, conforme, senão, segundo.

Apenas como exemplos, observe as preposições que começam pela letra “a” do nosso alfabeto.

Constate que são múltiplos os sentidos que elas poderão dar texto:

Preposição     Sentidos                            Exemplos
        a

 

 

 

Condição A continuar insistindo, você consegue.
Direção Visitei o Rio de Janeiro de norte a sul.
Fim Esforcei-me a conquistar esta medalha.
Meio Passei a muita dedicação aos estudos.
Lugar Vou ao cinema.
Conformidade Respondi-lhe ao modo antigo.
Preço Comprei tudo a preço de banana.
Concessão Nada quero a não ser os meus direitos.
Tempo Ao chegar, avise-me.
Instrumento Escrevi o texto a caneta.
Modo Chorei aos prantos.
Semelhança O bebê não saiu a vocês.
Gradação Ano a ano estamos crescendo profissionalmente.
Posse O policial tirou o punhal ao assaltante.
   ante Lugar Deixei o documento ante a televisão.
Causa Ante a sua recusa, desisto de negociar.
   após Lugar Encontrá-lo-ei após a cantina.
Tempo Após a palestra quero conversar com você.
    até Limite de lugar Correrei até o final da praia.
Limite de tempo Aguardaremos até amanhã.
Limite numérico

Posso engordar até 3 quilos.

Cuidado com a palavra “mesmo(a)”!

Não seja traído(a) pelo que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.

Ainda mais: com o significado de…

  • em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.
  • … igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.
  • … apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.
  • … desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.
  • … próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos.

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe; falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.

Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Agora é com você!

Exemplos de emprego de verbos no infinitivo

Emprego do Infinitivo

Formas

Situações: quando a ação…

Exemplos

Impessoal …for atinente a qualquer pessoa. Dormir pouco gera ansiedade.
 

 

 

Pessoal não-flexionado

…indicar ações genéricas. Nadar faz-me feliz.
…equivaler a um imperativo. Sossegar! Durma, já é tarde.
…formar oração que complemente substantivos e adjetivos. Temos o dever de ouvir os mais velhos. / Estavam dispostos a resistir.
…formar locução verbal. Desejamos ouvir todo o discurso.
…tiver o mesmo sujeito da oração principal. Tomastes a resolução de desistir?
…formar locução com os verbos estar, começar, entrar, continuar, acabar, tornar e outros análogos (regida das preposições “a” ou “de”). As crianças acabam de sair. / Comecei a chorar de tanta emoção. / Acabamos de chegar da praia.
…tiver como sujeito um pronome oblíquo com o qual construa o objeto dos verbos deixar, fazer, mandar, ver, ouvir e sentir. Deixei-a falar à vontade. / Faça-os entrar. / Vejo-os agir como crianças.
  Pessoal flexionado …tiver sujeito próprio, diverso do da oração principal. Comprei uma casa para nela morares.
…vier regida de preposição, sobretudo se preceder ao verbo da oração principal. Ao virem-no, choraram.
…for verbo passivo, reflexivo ou pronominal. Viviam juntos sem se conhecerem.
…for necessária para clarificar o sujeito. Teria sido melhor teres feito isso ontem.
…estiver afastada do verbo auxiliar ou do seu sujeito. Os pais incentivavam os atletas da seleção, mesmo que a conquista do campeonato estivesse cada vez mais distante em face dos resultados adversos iniciais, a lutarem até o fim.
… for apenas recurso de expressão. Percebi-os saírem juntos, a cavalo.