Tire o melhor proveito possível das preposições

As preposições, como você já sabe, estabelecem relações de sentido entre vocábulos de uma oração e entre orações, períodos e parágrafos de um texto.

É sempre bom lembrar que as preposições são invariáveis e não exercem funções sintáticas.

Entre as ditas essenciais (aquelas que funcionam apenas como preposição) estão: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

As demais são acidentais (nem sempre atuam como preposição), dentre as quais se destacam: afora, menos, salvo, exceto, consoante, durante, conforme, senão, segundo.

Apenas como exemplos, observe as preposições que começam pela letra “a” do nosso alfabeto.

Constate que são múltiplos os sentidos que elas poderão dar texto:

Preposição     Sentidos                            Exemplos
        a

 

 

 

Condição A continuar insistindo, você consegue.
Direção Visitei o Rio de Janeiro de norte a sul.
Fim Esforcei-me a conquistar esta medalha.
Meio Passei a muita dedicação aos estudos.
Lugar Vou ao cinema.
Conformidade Respondi-lhe ao modo antigo.
Preço Comprei tudo a preço de banana.
Concessão Nada quero a não ser os meus direitos.
Tempo Ao chegar, avise-me.
Instrumento Escrevi o texto a caneta.
Modo Chorei aos prantos.
Semelhança O bebê não saiu a vocês.
Gradação Ano a ano estamos crescendo profissionalmente.
Posse O policial tirou o punhal ao assaltante.
   ante Lugar Deixei o documento ante a televisão.
Causa Ante a sua recusa, desisto de negociar.
   após Lugar Encontrá-lo-ei após a cantina.
Tempo Após a palestra quero conversar com você.
    até Limite de lugar Correrei até o final da praia.
Limite de tempo Aguardaremos até amanhã.
Limite numérico

Posso engordar até 3 quilos.

Cuidado com a palavra “mesmo(a)”!

Não seja traído(a) pelo que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.

Ainda mais: com o significado de…

  • em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.
  • … igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.
  • … apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.
  • … desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.
  • … próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos.

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe; falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.

Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Agora é com você!

Exemplos de emprego de verbos no infinitivo

Emprego do Infinitivo

Formas

Situações: quando a ação…

Exemplos

Impessoal …for atinente a qualquer pessoa. Dormir pouco gera ansiedade.
 

 

 

Pessoal não-flexionado

…indicar ações genéricas. Nadar faz-me feliz.
…equivaler a um imperativo. Sossegar! Durma, já é tarde.
…formar oração que complemente substantivos e adjetivos. Temos o dever de ouvir os mais velhos. / Estavam dispostos a resistir.
…formar locução verbal. Desejamos ouvir todo o discurso.
…tiver o mesmo sujeito da oração principal. Tomastes a resolução de desistir?
…formar locução com os verbos estar, começar, entrar, continuar, acabar, tornar e outros análogos (regida das preposições “a” ou “de”). As crianças acabam de sair. / Comecei a chorar de tanta emoção. / Acabamos de chegar da praia.
…tiver como sujeito um pronome oblíquo com o qual construa o objeto dos verbos deixar, fazer, mandar, ver, ouvir e sentir. Deixei-a falar à vontade. / Faça-os entrar. / Vejo-os agir como crianças.
  Pessoal flexionado …tiver sujeito próprio, diverso do da oração principal. Comprei uma casa para nela morares.
…vier regida de preposição, sobretudo se preceder ao verbo da oração principal. Ao virem-no, choraram.
…for verbo passivo, reflexivo ou pronominal. Viviam juntos sem se conhecerem.
…for necessária para clarificar o sujeito. Teria sido melhor teres feito isso ontem.
…estiver afastada do verbo auxiliar ou do seu sujeito. Os pais incentivavam os atletas da seleção, mesmo que a conquista do campeonato estivesse cada vez mais distante em face dos resultados adversos iniciais, a lutarem até o fim.
… for apenas recurso de expressão. Percebi-os saírem juntos, a cavalo.

Como produzir dissertações baseadas em retrospectivas

Em boa parte das vezes, as questões de Redação estão relacionadas a fatos históricos ou fenômenos sociais  sobre os quais se pede ao(à) candidato(a) o levantamento de uma tese (opinião) a respeito de determinado questionamento.

Por exemplo, considere a seguinte Proposta de Redação:

A rapidez e eficiência dos meios eletrônicos de comunicação dão-nos a sensação de estarmos vivendo numa aldeia global. Mas nem sempre foi assim. PedidoConsiderando a célere evolução desses recursos tecnológicos, conclua sobre as repercussões na qualidade de interação entre pessoas e estados.

Para um texto de até 30 linhas, sugerimos  eleger três marcos históricos para pontuar a sua retrospectiva, do mais afastado para o mais próximo.

O texto poderá ficar assim esquematizado:

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + tese + apresentação de três marcos históricos (do mais distante ao mais próximo) + plano de curso  + objetivo(s) do texto.
  • 2º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico mais distante).
  • 3º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico intermediário).
  • 4º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico mais recente).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + retomada da tese (sob uma perspectiva histórica) + apresentação das repercussões da aludida evolução tecnológica na qualidade de interação entre pessoas e estados* + apreciação final.

*ou soluções à situação-problema da questão (competência 5 do Enem), se for o caso.

Agora é treinar…treinar…e treinar!

Saiba ordenar o tempo em dissertações

Especialmente em dissertações que se valham de retrospectivas, você deve imaginar uma linha do tempo (LT) sobre a qual  possam se suceder os  marcos históricos do texto – anteriores ao passado, passados, presentes, anteriores ao futuro e futuros, nessa sequência cronológica –, tomados em relação ao Momento da Fala (MF) de quem escreve (presente).

Para tirar proveito de retrospectivas como estratégia de valorização do seu posicionamento crítico e fortalecimento da argumentação, é importante eleger pontos notáveis a serem considerados como suportes da sua argumentação e estar seguro(a) do melhor escalonamento deles ao longo da LT.

Para isso, é fundamental ter cultura geral que possa servir de banco de dados e informações históricas a serem aplicadas ao texto, além de dominar as flexões verbais e saber muito bem empregar os diferentes modos e tempos verbais.

Guarde bem: a atitude de quem disserta pode ser perfeitamente modulada pelo adequado uso dos modos verbais.

Veja como melhor empregar cada Modo:

  •  Indicativo, em princípio, deve prevalecer em situações que indiquem certeza ou precisão da realização da ação sugerida pelo verbo.

Exemplo: O Brasil localiza-se na América do Sul. (não há dúvidas a respeito dessa afirmativa.)

  • Subjuntivo, em tese, quando houver incertezas quanto à concretização da ação sugerida pelo verbo.

Exemplo: Se as passeatas forem ordeiras, (no campo das possibilidades) a população apoiará os seus clamores. 

  • Imperativo não deve ser usado em dissertações. Cabível, entretanto, em outros tipos de texto, especialmente os narrativos.

Não se contente apenas com a teoria!

É preciso treinar…treinar…e treinar!