As mil e uma aparições dos “quês”

Saber distinguir a que classes gramaticais pertençam os “quês” e reconhecer as suas possíveis funções sintáticas em cada construção frasal é ponto ganho em questões objetivas de gramática e interpretação de textos, além de prenúncio de boa fluência linguística.

Recorde as possibilidades de emprego dos “quês” nas frases que seguem:

  • substantivo: Você está com um quê de mistério.
  • pronome relativo: Comprei o livro que você me recomendou.
  • pronome indefinido: Que loucura!
  • advérbio: Que grande o seu sofrimento!
  • interjeição: Quê! Ainda não fui claro com você?!
  • preposição: Os alunos tiveram que sair às pressas da sala.
  • partícula expletiva: O ciclista é que foi imprudente.
  • conjunção integrante: O professor já alertara que a prova seria difícil.
  • conjunção consecutiva:  O frio era tanto que doía no rosto.
  • conjunção comparativa: Eles jogaram mais que nós.
  • conjunção explicativa: Acalme-se, que amanhã tudo será resolvido.
  • conjunção temporal: Já havia bom tempo que dali mudáramos.
  • conjunção subordinativa final: Criarei poesias, que refrigério sejam da alma triste.
  • conjunção subordinativa concessiva: Indiferentes que fossem comigo, não os ignoraria.

Atenção: por ser uma palavra de multiuso, há o risco de o(a) candidato(a) ser acometido de “queísmo“, ou seja, do vício de linguagem dos que repetem à exaustão o emprego dos “quês” em sua redações.

Preventivamente, portanto, procure ampliar o seu vocabulário com leituras rotineiras que possam facilitar-lhe a busca de alternativas.

Olho vivo!

Como argumentar com clareza

A palavra texto, como você sabe, significa “tecido”.

Com efeito, trata-se de um tecido composto de palavras que se reúnem em orações, orações que formam períodos e períodos que constituem parágrafos, os quais, perfeitamente encadeados, dão sentido ao texto.

É o que se espera de sua redação.

Assim acontece com quem se dispõe a escrever com clareza: não basta ter ideias, embora elas sejam o nascedouro de qualquer texto, nem apenas conhecer as estruturas textuais, não obstante a sua importância à concepção de qualquer tipo de texto.

É preciso também desenvolver uma linha de pensamento muito bem articulada por meio de uma linguagem coesa, coerente e concisa.

Já que o texto começa a ser costurado desde a sua origem, passando pela produção de parágrafos, tidos como unidades de composição, devemos tomar todo cuidado com a clareza em todos os estágios da produção textual.

Enquanto você estiver na fase dos treinamentos para a realização das provas de redação, crie o hábito de ler em voz alta o que escreveu, procurando perceber se todos os enunciados ficaram bem encadeados.

Observe também a ocorrência de possíveis deslizes estruturais que possam comprometer a clareza do texto, tais como a repetição desnecessária de ideias e a contradição.

Um conselho: não deixe de treinar a produção textual pelo menos duas vezes por semana e de submeter os textos à avaliação de quem entenda do assunto!

 

Argumente com impessoalidade

O texto dissertativo argumentativo deve primar pela impessoalidade.

Dessa forma,  não use a primeira pessoal do singular (“eu”) na condução da argumentação.

Quando você traz a argumentação para a primeira pessoa, o texto fica contaminado pelo personalismo de quem disserta e pode descambar para o emocionalismo, a generalização e o radicalismo, dentre outros vícios de pensamento, conforme o viés do autor.

Toda opinião formada, portanto, deve ser emanada na forma de tese.

Exemplo: A corrupção maculou a imagem da Petrobras.

Observe o exemplo de um fragmento problemático: Constatei muitos danos depois da tempestade tropical.

Corrigindo: Constataram-se muitos danos depois da tempestade tropical.

O uso dos verbos no modo infinitivo pode ser bom recurso para evitar a pessoalidade da argumentação.

Exemplo: Constatar muitos danos depois da tempestade tropical dimensionou a gravidade da situação.

Você pode ainda optar pela substantivação do verbo.

Exemplo: A constatação de muitos danos depois da tempestade tropical dimensionou a gravidade da situação.

Olho vivo!

Como concluir uma dissertação

Há alunos que não sabem concluir um texto dissertativo e fazem o leitor, no último parágrafo, despencar em precipício sem volta.

Para evitar isso, observe as dicas que seguem:

Dê um toque final à redação, reafirmando o tema apresentado na Introdução, arrematando as ideias principais, ou a principal, e apresentando possíveis soluções para o problema discutido ao longo do desenvolvimento (o Enem valoriza muito esse item, chamado de Competência 5).

O uso da expressão inicial no parágrafo conclusivo é facultativo, mas, se você desejar usá-la, sugerimos “Em face dos argumentos acima desenvolvidos”, “Diante da argumentação acima”, “Sendo assim”, “Portanto”, “Conclui-se que…” ou qualquer outro conector similar.

Para textos de até 30 linhas, o parágrafo de conclusão não deve ir além de  cinco ou seis linhas .

Você poderá concluir  com uma interrogação que faça sentido com o que você tenha tratado no desenvolvimento do texto. Exemplo: A pergunta que ainda está sem resposta é esta: qual o melhor conjunto de soluções para o combate à violência urbana no Brasil? 

Evite conclusões evasivas do tipo “Por isso devemos esperar (por que esperar ao invés de agir?) que o governo (que governo?) tome as devidas providências (quais?) para solucionar (como?) o problema da evasão escolar no Brasil”.

Prefira apontar ao leitor possíveis soluções para o problema tratado pela questão. Seja ousado(a), não deixe para os outros as soluções que possam fluir de você.

Exemplo:  “O problema da evasão escolar no Brasil deve ser combatido pelos governos em todos os níveis da gestão pública com incentivos ao comparecimento dos alunos às suas escolas, tais como a contratação de professores qualificados e motivados, o oferecimento de suportes ao ensino e à socialização como bibliotecas, meios eletrônicos de comunicação, acesso à Internet,  quadras poliesportivas, merenda gratuita farta e variada, além de intervenções pedagógicas na elaboração de currículos que instiguem o aluno a dar continuidade aos estudos.”

Seja fiel ao seu planejamento. Não conclua sobre o que você não tenha considerado no desenvolvimento, mesmo que a ideia surgida no apagar das luzes do texto pareça-lhe brilhante; por isso é importante ser criterioso(a) no momento do planejamento do texto, a fim de não deixar de aproveitar os melhores argumentos e os mais adequados e oportunos exemplos, dados numéricos e demais referências.

Agora é treinar, treinar e…treinar.

Você reconhece o valor semântico das preposições?

São várias as contribuições de significado das preposições como elos entre as fatias de enunciação de ideias de um texto de qualquer natureza.

Tirar o melhor proveito das construções frasais, às quais são imprescindíveis as preposições, é virtude de quem, como escritor, manipula bem os recursos de linguagem e, como leitor, reconhece com exatidão os possíveis sentidos conferidos pelas preposições.

Observe, no quadro abaixo, a título de exemplos, as contribuições semânticas das duas últimas preposições essenciais, as iniciadas pelas letras “s” e “t”:

sem Modo  Sem modos, a criança foi um tormento.
Condição Sem dedicação aos estudos, é melhor nem tentar.
Ausência Sonho sem idealismo é apenas ficção.
sob Lugar O tesouro está sob a ponte.
Causa Estude mais, sob o risco de não ser aprovado.
Proteção O réu esteve sob a guarda do Estado.
Sujeição O empregado acovardou-se sob as ameaças de demissão.
 sobre Lugar Deixei a pasta sobre a mesa.
Assunto Falar sobre futebol é o meu assunto preferido.
Especificação A minha comissão é de 10% sobre o preço de venda.
Preferência Gosto de ler sobre os demais passatempos.
 trás Posição Por trás do (locução prepositiva) palco, estarei lá.
Tempo Trás o (ou Depois do) seu discurso, imperou muita ansiedade.
Falsa aparência Trás o (ou Por trás do) seu sorriso, esconde-se um medo.

No livro Dissertação Nota Mil, do prof. Soares Elias, você encontra o quadro completo das possíveis relações de sentido das preposições.

Bons estudos!