Qual o papel da coesão sequencial?

A coesão sequencial cumpre o papel de estabelecer pontes que atribuam relações de sentido entre os enunciados do texto, normalmente com o adequado emprego das conjunções.

Se você, portanto, estiver precisando rever as conjunções coordenativas e subordinativas mais indicadas para cada caso, não deixe de fazê-lo o quanto antes.

Responda às duas aplicações abaixo e verifique o seu desempenho com relação a esse assunto:

1ª) Complete as lacunas, estabelecendo as relações de implicação sugeridas entre parênteses com elos adequados a cada caso:

a) O carteiro, _________________ gripado, não deixou de comparecer ao trabalho. (concessão)

b) _________________ o time jogou mal, não haverá gratificação aos jogadores. (causa)

c) O professor faltou à aula; deve, _________________, estar doente. (conclusão)

d) Estudo muito, _________________ser diplomata. (finalidade)

e) A prova está trabalhosa, _________________ os alunos ainda estão em sala. (explicação)

2ª) (Enem) Texto:

O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área.

No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0.

O texto que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que:

a) após é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça.

b) enquanto tem um significado alternativo uma vez que conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo.

c) no entanto tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência.

d) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado.

e) por causa de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio.

Confira as respostas:

1ª) a) embora (ou quaisquer outras conjunções coordenativas concessivas); b) Porque (ou quaisquer outras conjunções subordinativas causais); c) logo (ou quaisquer outras conjunções coordenativas conclusivas); d) a fim de (ou quaisquer outras conjunções subordinativas finais); e) porque (ou quaisquer outras conjunções coordenativas explicativas).

2ª) d)

A que visa a coesão referencial?

A coesão referencial visa a estabelecer referências sobre os termos a respeito dos quais se escreve, graças ao emprego de palavras anafóricas (que recuperem para o leitor o que já tenha sido citado no texto) e catafóricas (que remetam o leitor a termos ainda a serem anunciados).

Dentre essas palavras estão os pronomes relativos, demonstrativos, possessivos, pessoais da terceira pessoa ou as expressões nominais equivalentes.

A coesão referencial pode se dar em três níveis: pronominal, lexical e por elipse.

  • Coesão referencial pronominal: obtida basicamente com o emprego de pronomes.

Exemplos: As pessoas que riem vivem mais. (o pronome  relativo que retoma o sujeito As pessoas) / O guarda conversara com o menino e já o alertara dos riscos de acidente. (o pronome pessoal oblíquo o remete o leitor a o menino) / Carla e Pedro são alunos bem promissores; este se destaca em matemática; aquela, em  (os pronomes este e aquela retomam, respectivamente, Pedro e Carla.) / Contar-lhe-ei esta confidência: jamais acreditei nas estórias do nosso chefe. (o pronome esta, como catafórico, anuncia o que será dito.)

  • Coesão referencial lexical: estabelece-se pela conexão de sentidos mediante relações de sinonímia, antonímia, hiperonímia e hiponímia.

Exemplos: Pombos tomam conta de nossas praças, animais que, apesar de bonitinhos, transmitem doenças. (animais é um hiperônimo de pombos) / Os professores precisam de planos de carreira mais atraentes; do contrário, os docentes abandonarão as salas de aula. (a palavra docentes retoma professores como sinônima e estabelece conexão de sentido).

  • Coesão referencial por elipse: trata-se da supressão de um termo facilmente reconhecido no texto.

Exemplo: Os manifestantes radicalizaram quando decidiram interditar a estrada. (o sujeito da primeira oração, Os manifestantes,  está omitido na segunda oração – quando decidiram interditar a estrada. – , mas pode ser depreendido com facilidade.)

Olho vivo!

Como obter a coesão recorrencial

A coesão recorrencial é obtida com o uso de conectivos ou expressões que exerçam função anafórica, ou seja, substituam, resumam e retomem o que já tenha sido dito no lugar de substantivos, verbos, períodos ou fragmentos maiores do texto e permitam o desenvolvimento de comentários a respeito do que já tenha sido apresentado ao leitor.

Exemplos: Diante do que já foi exposto, … / Em vista disso, … / A partir dessas considerações, … / Desse modo, … / Em face do apresentado…

Aplicação (FGV, adaptado): Mas, enquanto isso, no mercado financeiro, os bancos pensam em como superar o dilema. O pronome grifado exerce uma função anafórica. Pedido: Assinale a alternativa em que isso NÃO ocorra. (FGV)

a) Chegamos no dia 22 às 23 horas. Nessa noite as estrelas pareciam brilhar mais do que costume.

b) Nossas dúvidas residem nisto: não saber equacionar problemas.

c) Os sistemas de busca estão atualizados. Em tais sistemas, é possível selecionar o idioma de preferência.

d) Nada há para julgar. Isso resolve mais facilmente o nosso problema.

e) Os amantes e os amados vivem em desencontros. Estes, mais perdidos que aqueles.

Resposta: b)

Como esquematizar dissertações baseadas em provérbios e frases de efeito

Recomendamos o seguinte esquema para textos dissertativos de até 30 linhas:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese do(s) texto(s) oferecido(s) na forma de reescritura – não é cópia! – da(s) mensagem(ns) + citação de argumentos que possam sustentá-la + plano de curso + objetivo(s) do texto (se for o caso).

Parágrafos mediais: reapresentação e expansão dos argumentos (exemplos, relações de implicação, constatações, dados estatísticos, fatos históricos, aplicações, comentários).

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da tese do texto (a mesma da Introdução) + apresentação de soluções à situação-problema da questão (competência 5 do Enem, se for o caso) + apreciação final.

Considere o exemplo de texto que segue, baseado na seguinte proposta:

Errar é humano, mas persistir no erro é tolice. Produza uma dissertação que aplique a mensagem desse pensamento popular.

Errar, sim; presistir no erro, não.

O ser humano é falível (apresentação da tese) e, como tal, por mais bem preparado esteja para a realização de atividades as quais lhe digam respeito, está sujeito a enfrentar insucessos em suas empreitadas na forma de frustrações que, não obstante possam desapontá-lo, poderão fazê-lo repensar nas causas que as motivaram e adotar procedimentos corretivos, pois do contrário haverá grandes chances de os erros se repetirem, o que, longe de ser virtude, é tolice. (desdobramentos da tese) É o que se procurará provar neste texto. (plano de curso do texto)

Tolo é quem não reconhece a sua falibilidade (primeira expansão da tese). A soberba do homem poderá torná-lo tão senhor de si, a ponto de julgar-se infalível e não mais sujeito a deslizes em suas atividades profissionais e pessoais. Quem assim procede poderá experimentar na própria carne a aplicação do provérbio bíblico que afirma ser a soberba o prenúncio da ruína. (implicações da primeira expansão da tese)

Tolo, ainda, é quem não está aberto a novos procedimentos. (segunda expansão da tese) Em dias céleres como os da atualidade, abrir as mentes a novidades e a novas condutas é sinal de sabedoria. Quem não aproveita a experiência do erro para pesquisar soluções para os seus fracassos e crescer na busca do conhecimento que possa fazer de si um vencedor está fadado a viver em círculos viciosos que o condenarão ao desalento, ao comodismo e ao derrotismo. Isso é tolice. (implicações da segunda expansão da tese)

Tolo, finalmente, é quem confunde o persistir no erro como sinal de virtuosismo. (terceira expansão da tese)  A perseverança, a obstinação e a resilência são atributos importantes para a consecução dos objetivos de vida; sim, desde que num quadro saudável de busca por resultados, uma vez que a repetição insana do erro – longe de ser virtude – é sinal de falta de sensibilidade, autocrítica e esmero diante das adversidades. (implicações da terceira expansão da tese)

Infeliz daquele que se suponha perfeito, pois errar é da natureza humana. (confirmação da tese) Fazer, portanto, de cada erro oportunidade de crescimento pessoal e profissional em proveito de novos empreendimentos é conduta de quem sabe lidar com o fracasso. (competência 5 do Enem) Simplesmente persistir no erro, portanto, sem dele tirar ensinamentos, é tolice. (apreciação final)

Você sabe empregar verbos no infinitivo?

O infinitivo é uma das três formas nominais dos verbos (as outras duas são o particípio passado e o gerúndio) e indica ações que desempenham funções semelhantes às dos substantivos, sem situá-las no tempo.

São três as possibilidades de você fazer uso do infinitivo, como:

  • pessoal flexionado (Exemplo: É bom irmos embora.);
  • pessoal não-flexionado (Exemplo: Devemos ir embora.); e
  • impessoal (Exemplo: Ir embora é recomendável).

No primeiro caso, a forma nominal admite a flexão de pessoa, da seguinte forma:

  • a primeira (eu) e a terceira pessoa do singular (ele/ela) são idênticas à do infinitivo impessoal;
  • a segunda pessoa do singular (tu) é obtida pelo acréscimo da desinência “-es”;
  • a primeira, a segunda e a terceira do plural (nós, vós, eles/elas), pelo acréscimo das desinências “-mos”, “-des” e “-em”, respectivamente.

Observe o exemplo de flexão do verbo “cantar” no infinitivo pessoal: cantar (eu), cantares (tu), cantar (você), cantarmos (nós), cantardes (vós), cantarem (vocês).

No segundo caso, como já visto, você pode trabalhar com o verbo no infinitivo pessoal não-flexionado, seguindo o modelo do infinitivo impessoal. Exemplo: Espero vê-lo cantar com emoção!

Finalmente, em enunciação de teses ou quando houver a intenção de omitir o agente da ação, o infinitivo impessoal é o mais indicado. Exemplos: Cantar afasta a tristeza. / Caminhar três vezes por semana faz bem à saúde.

Agora é com você!

Fuja dos verbos genéricos

Evite verbos que caibam em qualquer contexto, tais como fazer, pôr, dizer, ter, ver e colocar.

Substitua-os por outros mais precisos que caracterizem melhor a ação sugerida e contribuam para a concisão do texto.

Veja alguns exemplos:

Em vez de…

Prefira…

Fazer uma redação. Redigir uma redação.
Fazer uma fossa. Cavar uma fossa.
Fazer uma estátua. Esculpir uma estátua.
Fazer aniversário. Comemorar aniversário.
Pôr dinheiro no banco. Depositar dinheiro no banco.
Pôr os filhos na escola. Matricular os filhos na escola.
Pôr uma roupa. Vestir uma roupa.
Dizer adeus. Despedir-se.
Dizer poemas. Declamar poemas.
Dizer exemplos. Citar exemplos.
Ter dor de cabeça. Sentir dor de cabeça.
Ter medo de cachorro bravo. Temer cachorro bravo.
Ter boa reputação. Gozar de boa reputação.
Ver o jogo de futebol. Assistir ao jogo de futebol.
Ver os pormenores do processo. Observar os pormenores do processo.
Ver a beleza de um quadro. Admirar a beleza de um quadro.
Colocar as gavetas em ordem. Organizar as gavetas.
Colocar acentos nas palavras. Acentuar as palavras.
Colocar o carro no estacionamento. Estacionar o carro.

Recorde o emprego do Modo Imperativo

No Modo Imperativo, as flexões verbais são as mais adequadas para indicar situações de mando, solicitações, convites, conselhos, tanto em discursos afirmativos como negativos.

Não é de se esperar, portanto, que ocorra a necessidade de usá-lo em textos dissertativos.

Recorde como formá-los:

  • afirmativo: origina-se das segundas pessoas do presente do indicativo (“tu” e “vós” sem o “s”) e das demais pessoas do presente do subjuntivo.

A primeira pessoa, por razões óbvias, não existe (seria uma loucura pensar em alguém dando ordem a si próprio). Exemplo: fala (tu), fale (você), falemos (nós), falai (vós), falem (vocês).

  • negativo: segue o modelo de flexão do presente do subjuntivo. Exemplo: Não fales (tu), não fale (você), não falemos (nós), não faleis (vós), não falem (vocês).

Olho vivo!

Empregue adequadamente cada modo e tempo verbal

Empregar adequadamente cada modo e tempo verbal é um ponto crucial diante do qual você não pode vacilar.

Imagine uma Linha do Tempo (LT) sobre a qual sejam assinalados os Marcos Históricos do Texto (MHT) passado, passado do passado e futuro , todos referenciados ao Momento da Fala (MF).

Tomados em relação a esse MF, os fatos históricos poderão estar, na LT, assim posicionados:

  • 1ª) ser simultâneos ao MF: nesses casos, o tempo verbal mais recomendado é o presente do indicativo. Ex.: A inflação está fora de controle.
  • 2ª) ser anteriores (ações já terminadas) ao MF: flexione o verbo no pretérito perfeito. Ex.: A inflação esteve fora de controle.
  • 3ª) ser posteriores (ações a se realizarem) ao MF: utilize o verbo no futuro do presente. Ex.:  A inflação estará fora de controle.

Referenciados ao Marco Histórico Passado (MHP, anterior ao MF da LT), as seguintes situações poderão ocorrer:

  • 1ª) os fatos estão no passado em relação ao MF e são simultâneos ao MHP: conjugue o verbo no pretérito imperfeito. Ex.: Em 2008 a inflação esteve fora de controle.
  • 2ª) os fatos estão no passado em relação ao MF e são anteriores ao MHP (no passado de outro passado): flexione o verbo no pretérito mais-que-perfeito. Ex.: Em 2007 a inflação já estivera fora de controle (tinha estado ou havia estado) até chegar a níveis preocupantes no ano seguinte.
  • 3ª) os fatos continuam no passado em relação ao MF, mas são futuros em relação ao MHP: o verbo deverá estar no futuro do pretérito. Ex.:  Depois do choque inflacionário de 2008, os preços dos bens de consumo ainda continuariam fora de controle nos anos seguintes.

Em relação ao Marco Histórico Futuro (MHF, sempre referenciado ao MF), outras seguintes situações poderão ocorrer:

  • 1ª) os fatos estão no futuro e são concomitantes ao MHF: use o verbo “estar” no futuro de presente, seguido do gerúndio do verbo principal. Ex.:  A inflação estará atingindo níveis insustentáveis ao final do ano.
  • 2ª) os fatos continuam no futuro em relação ao MF, mas são anteriores ao MHF: empregue o verbo “ter” no futuro do presente, seguido do particípio do verbo principal. Ex.:  A inflação terá atingido níveis insustentáveis ao final do ano.
  • 3ª) os fatos são  futuros em relação ao MF e posteriores ao MHF: conjugue o verbo no futuro do presente. Ex.: A inflação atingirá níveis insustentáveis depois do final do ano.

Olho vivo!

Fuja dos verbos genéricos

Evite verbos que caibam em qualquer contexto, tais como fazer, pôr, dizer, ter, ver e colocar.

Substitua-os por outros mais precisos que caracterizem melhor a ação sugerida e contribuam para a concisão do texto.

Veja alguns exemplos:

Em vez de… Prefira…
Fazer uma redação. Redigir uma redação.
Fazer uma fossa. Cavar uma fossa.
Fazer uma estátua. Esculpir uma estátua.
Fazer aniversário. Comemorar aniversário.
Pôr dinheiro no banco. Depositar dinheiro no banco.
Pôr os filhos na escola. Matricular os filhos na escola.
Pôr uma roupa. Vestir uma roupa.
Dizer adeus. Despedir-se.
Dizer poemas. Declamar poemas.
Dizer exemplos. Citar exemplos.
Ter dor de cabeça. Sentir dor de cabeça.
Ter medo de cachorro bravo. Temer cachorro bravo.
Ter boa reputação. Gozar de boa reputação.
Ver o jogo de futebol. Assistir ao jogo de futebol.
Ver os pormenores do processo. Observar os pormenores do processo.
Ver a beleza de um quadro. Admirar a beleza de um quadro.
Colocar as gavetas em ordem. Organizar as gavetas.
Colocar acentos nas palavras. Acentuar as palavras.
Colocar o carro no estacionamento. Estacionar o carro.

 Agora é com você!

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Aplicação 57: Substitua em seu caderno os verbos genéricos em destaque: A aluna teve dificuldades nas provas. / A esposa do meu primo teve gêmeos. / Mariana colocou o uniforme do colégio. / O professor disse: – Estudem mais! / Vou fazer um discurso em nome de nossa turma. / O policial viu o acidente. / Estou fazendo uma música de carnaval. / Terei apenas duas semanas de férias. / O presidente disse não ao pedido do sindicato.

Recorde o uso das vírgulas nos períodos compostos

Nos períodos compostos

Quando usar: para separar…

Quando não usar: entre…

… orações coordenadas não ligadas por “e”: Chove, porém sairei de casa. …duas orações coordenadas e ligadas por “e” (quando o sujeito da segunda oração for o mesmo do da primeira): O time jogou mal e voltou desclassificado.
… orações subordinadas adverbiais (principalmente as que aparecem deslocadas para o início do período): Caso eu melhore da gripe, irei à praia. …oração principal e oração subordinada substantiva: O suspeito garantira-nos que confessaria o crime.
… orações subordinadas adjetivas explicativas: Deus, que sempre esteve ao nosso lado, é fiel. …oração principal e oração subordinada adjetiva restritiva: Os pedidos que chegaram ao professor foram atendidos.