Frases fragmentadas, prejuízo certo ao texto

  • Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento.

Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida a visualização do encadeamento das ideias.

Exemplo: Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada)

Correção: Eu estava perdida em São Paulo,  mesmo consultando o mapa da cidade, (oração subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial temporal)

  • Dicas para não fragmentar o texto:

1ª) Observe se a sua oração tem sujeito e verbo. Do contrário, não se trata de oração completa e muito provavelmente seja apenas aposto, adjunto adverbial ou qualquer termo acessório.

Exemplo: País de dimensões continentais. O Brasil destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.

Correção: O Brasil, país de dimensões continentais, destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.  

2ª) Evite começar um período por conjunção subordinativa, pronome relativo ou verbo numa das três formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio passado).

Exemplo 1: De que deveríamos estudar mais. O professor já nos tinha alertado.

Correção: O professor já nos tinha alertado de que deveríamos estudar mais.

Exemplo 2: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperando assim ser chamado por um time europeu.

Correção: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo, esperando, assim, ser chamado por um time europeu.

Detectada uma frase fragmentada, você pode atuar de duas maneiras: mudar sua posição, para ligá-la à frase seguinte (como no exemplo anterior) ou reescrevê-la: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperava, assim, ser chamado por um time europeu.

Olho vivo!

Considere a semântica das preposições

Cada preposição, conforme esteja sendo empregada no texto, atribui diferente sentido ao encadeamento da linha de argumentação.

Observe, no quadro abaixo, exemplos de frases com variados empregos de preposições essenciais iniciadas com a letra “d” e constate os efeitos provocados em cada caso:

 

 

 

 

 

de

 

 

 

 

 

 

Modo Cheguei de supetão.
Lugar De perto a primeira impressão muda.
Tempo Fui à aula de tarde.
Instrumento Pintei a parede de pincel.
Causa Estou morrendo de sono.
Matéria A estatueta é de madeira.
Intensidade Ensaiou de cansar das inúmeras repetições.
Negação De maneira nenhuma desejo mal a você.
Posse Este carro é de Joana.
Finalidade Faca de cortar peixe é diferente das demais.
Assunto Não gosto de fofocas.
Origem De uma discussão boba surgiu a inimizade.
 desde Lugar Vim a pé desde o shopping.
Tempo Estudo inglês desde os seis anos.
Condição Fale, desde que moderadamente.
Causa Não vou à praia, desde que preciso estudar.

Tire o melhor proveito possível das preposições

As preposições, como você já sabe, estabelecem relações de sentido entre vocábulos de uma oração e entre orações, períodos e parágrafos de um texto.

É sempre bom lembrar que as preposições são invariáveis e não exercem funções sintáticas.

Entre as ditas essenciais (aquelas que funcionam apenas como preposição) estão: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

As demais são acidentais (nem sempre atuam como preposição), dentre as quais se destacam: afora, menos, salvo, exceto, consoante, durante, conforme, senão, segundo.

Apenas como exemplos, observe as preposições que começam pela letra “a” do nosso alfabeto.

Constate que são múltiplos os sentidos que elas poderão dar texto:

Preposição     Sentidos                            Exemplos
        a

 

 

 

Condição A continuar insistindo, você consegue.
Direção Visitei o Rio de Janeiro de norte a sul.
Fim Esforcei-me a conquistar esta medalha.
Meio Passei a muita dedicação aos estudos.
Lugar Vou ao cinema.
Conformidade Respondi-lhe ao modo antigo.
Preço Comprei tudo a preço de banana.
Concessão Nada quero a não ser os meus direitos.
Tempo Ao chegar, avise-me.
Instrumento Escrevi o texto a caneta.
Modo Chorei aos prantos.
Semelhança O bebê não saiu a vocês.
Gradação Ano a ano estamos crescendo profissionalmente.
Posse O policial tirou o punhal ao assaltante.
   ante Lugar Deixei o documento ante a televisão.
Causa Ante a sua recusa, desisto de negociar.
   após Lugar Encontrá-lo-ei após a cantina.
Tempo Após a palestra quero conversar com você.
    até Limite de lugar Correrei até o final da praia.
Limite de tempo Aguardaremos até amanhã.
Limite numérico

Posso engordar até 3 quilos.

Cuidado com a palavra “mesmo(a)”!

Não seja traído(a) pelo que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.

Ainda mais: com o significado de…

  • em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.
  • … igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.
  • … apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.
  • … desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.
  • … próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos.

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe; falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.

Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Agora é com você!

Dê atenção aos conectores

Observe o seguinte fragmento:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois a sua prática, se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. Em vista disso, as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil ao mundo literário. Sendo assim, ao término do Ensino Médio, os discentes  já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo e estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

O parágrafo lido está bem construído, uma vez que tem a sua tese muito bem destacada, logo nas primeiras linhas ─ A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes ─ e está desenvolvido de forma coesa e coerente, já que em nenhum momento cai em contradição ou apresenta extravagâncias que comprometam o bom-senso,  graças ao emprego adequado de diferentes elos.

Releia-o e perceba a contribuição dos elos sintáticos e semânticos em destaque:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois (conector sequencial: adverte o leitor de que seguirá uma explicação da tese do parágrafo) a sua prática (conector referencial: remete o leitor à palavra leitura e evita a sua repetição), se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. (conector referencial: remete o leitor à palavra estudantes e evita a sua repetição)  Em vista disso, (conector recorrencial: cria no leitor a expectativa sobre possíveis relações de implicação) as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e (conector sequencial: a conjunção aditiva indica a apresentação de nova ideia) estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil (conector referencial: remete o leitor à palavra crianças e evita a sua repetição) ao mundo literário. (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) Sendo assim, (conector recorrencial: prepara o leitor para a conclusão do parágrafo) ao término do Ensino Médio, os discentes (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra  estudantes e evita a sua repetição) já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) e (conector referencial por elipse: a ausência do sujeito os discentes evita a repetição dessas palavras, sem prejuízos à clareza do texto, pois são de fácil depreensão) estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

Percebeu a importância dos conectores?

Agora é com você! Procure produzir pelo menos dois textos por semana.

Bom trabalho!

Articule as suas ideias

Imagine um braço e antebraço sem o cotovelo. Haveria, sem dúvida, o comprometimento da funcionalidade do membro superior por absoluta falta de articulação entre essas duas importantes partes do corpo humano.

Não basta, portanto, que existam as partes, é preciso que elas estejam unidas entre si de forma harmônica, a fim de que cumpram os seus papéis em benefício do todo.

Assim é com o texto. Ao observar a sua geografia, você distingue as suas partes constituintes: os parágrafos, formados de períodos; os períodos, de orações; e as orações, cada qual com os seus termos, alguns essenciais (sujeito e predicado) e outros integrantes (complementos verbais e nominais) ou acessórios.

Um bom texto dissertativo é capaz de reter a atenção do leitor sem quebras no sequenciamento da exposição de fatos ou do desenvolvimento da argumentação.

E isso se consegue primordialmente com a coesão entre as suas partes.

Todo elemento que faça a ligação entre os fragmentos de um texto pode ser chamado de coesivo, pois contribui para a formatação de uma espécie de espinha dorsal do texto, que, como tal, lhe dará sustentação.

Você deve preocupar-se, então, não somente com a sequência de orações bem escritas, mas, principalmente, com o relacionamento harmonioso que deve imperar entre elas, pois, dessa forma, o seu texto será compreendido integralmente.

Com a leitura dos nossos livros você aprenderá a aplicar com facilidade as recomendações acima.

Bons estudos!

 

 

Tire o melhor proveito das relações de implicação entre os enunciados

As linhas de pensamento e argumentação de textos dissertativos não devem sofrer solução de continuidade em consequência da má utilização dos conectores e dos sinais de pontuação.

É sempre oportuno recordar o espectro dessas possibilidades. Assim, ao lado de cada caso você encontra um exemplo:

Relações de implicação por coordenação:

  • Orações coordenadas assindéticas: Cheguei, vi, venci.
  • Orações coordenadas sindéticas (introduzidas por conjunções coordenativas):
    • aditivas: Cumprimentei-o e fui embora.
    • adversativas: Você sorri muito, mas não está feliz.
    • alternativas: Esforçamo-nos ou experimentamos o fracasso.
    • conclusivas: O dia está nublado; não iremos, pois, à praia.
    • explicativas: O baile já acabou, pois reina o silêncio.

Relações de implicação por subordinação:

  • Orações subordinadas substantivas (introduzidas por conjunção subordinativa integrante “que” ou “se”):
    • subjetivas: É importante que você volte.
    • objetivas diretas: Não respondi se concordo ou não com a proposta.
    • objetivas indiretas: Não duvide do que ela seja capaz.
    • predicativas: A verdade é que ele prevaricou.
    • completivas nominais: Estou certo de que passarei no vestibular.
    • apositivas: Desejo-te somente isto: que sejas feliz.
  • Orações subordinadas adjetivas (introduzidas por pronomes relativos):
    • explicativas: Os alunos, que estavam motivados, brilharam como nunca.
    • restritivas: Próspero é o país cujos eleitores são criteriosos.
  • Orações subordinadas adverbiais (iniciadas por conjunções subordinativas, exceto as integrantes):
    • causais: A chuva não tarda, porque as nuvens estão carregadas.
    • comparativas: Certos políticos falam mais do que fazem.
    • concessivas: Embora estivesse constrangido, respondeu a todos.
    • condicionais: Se convidado, vá à festa.
    • conformativas: Estudamos até tarde, como havíamos combinado.
    • consecutivas: O frio era tanto que ficamos em casa.
    • finais: A fim de aproveitar o dia, levantei mais cedo.
    • proporcionais: Quanto mais se tem, mais se quer.
    • temporais: Sempre que viajo, visito boas livrarias.

Agora é com você!

Sempre que estiver escrevendo, procure observar a adequação das relações de implicação entre os enunciados.

Bons estudos!

 

Fuja da linguagem carregada de negativismo

Procure dissertar por meio de linguagem predominantemente afirmativa a respeito de determinado assunto.

Dissertar pelo avesso, ou seja, em função do que você não pensa sobre certo tema, é correr o risco de tornar o texto pesado pela contaminação da carga negativa da linha de pensamento da argumentação.

É simples de observar essa questão.

Responda ao exercício abaixo e depois confira as resposta para verificar o seu desempenho:

Exercício: Reescreva as frases que seguem de forma a fugir da linguagem negativa:

Não nos é possível reparar todos os erros do passado.

O réu não falou a verdade perante o juiz.

Os comerciantes não podem expor seus produtos se não pagarem os impostos.

Os alunos não devem se esquecer de não fazer barulho dentro da biblioteca.

A pequena menina não foi capaz de não contar o segredo da colega.

O atleta não escondeu a tristeza por não ter sido lembrado pelo técnico.

A prova de hoje não foi fácil, por isso não agradou a ninguém.

Possíveis soluções:  É impossível repararmos todos os erros do passado. / O réu mentiu perante o juiz. / Os comerciantes só podem expor seus produtos se pagarem os impostos. / Os alunos devem lembrar-se de fazer silêncio dentro da biblioteca. / A pequena menina foi incapaz de guardar o segredo da colega. / O atleta manifestou a tristeza por ter sido esquecido pelo técnico. / A prova de hoje foi difícil, por isso desagradou a todos.

Em dissertações, prefira a linguagem específica à genérica

Em dissertações, não somente as formas positivas e concretas da linguagem são aconselháveis, mas também as específicas.

Para tal, evite fazer uso de termos genéricos, de significação muito ampla, de pouca especificidade, pois poderão comprometer a precisão do texto.

Empregue, assim, verbos e nomes na medida certa para cada caso, muito bem definidos quanto à significação.

Veja bem: nem toda árvore produz cajus; assim, é melhor usar a palavra “cajueiro” para mais precisamente indicá-la; da mesma forma, nem todo “trabalhador” é “operário da construção civil”; então, para distingui-lo melhor, use um termo que lhe seja mais determinante como “peão”, “mestre de obras” ou “pedreiro”.

Gonçalves Dias escreveu: Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá.

Compare agora com  Minha terra tem árvores / Onde canta o pássaro.

Perceba como o segundo fragmento perdeu em precisão porque nem toda árvore é palmeira e nem todo pássaro é sabiá.

Concluindo, siga estas dicas: em dissertações, a linguagem positiva deve ser preferível à negativa; a concreta, à abstrata; a específica, à genérica.

Olho vivo!

Em dissertações, prefira a linguagem concreta à abstrata

Em textos dissertativos, evite usar adjetivos abstratos.

Mas, por quê?

É simples: porque não acrescentam atributos  precisos aos substantivos.

Exemplo: O desempenho do governo tem sido fantástico.

Ora, qual o entendimento para “desempenho fantástico“?

O texto não clarifica as ações governamentais que possam tornar o seu desempenho fantástico. Perde-se, assim, em precisão.

Corrigindo: O  governo tem-se destacado em função dos programas sociais lançados no Dia do Trabalho, tais como o Bolsa Gestante e Bolsa Pequeno Agricultor, os quais estão se tornando modelos de boa gestão dos recursos públicos.

Agora é com você!