Em dissertações, prefira a linguagem específica à genérica

Em dissertações, não somente as formas positivas e concretas da linguagem são aconselháveis, mas também as específicas.

Para tal, evite fazer uso de termos genéricos, de significação muito ampla, de pouca especificidade, pois poderão comprometer a precisão do texto.

Empregue, assim, verbos e nomes na medida certa para cada caso, muito bem definidos quanto à significação.

Veja bem: nem toda árvore produz cajus; assim, é melhor usar a palavra “cajueiro” para mais precisamente indicá-la; da mesma forma, nem todo “trabalhador” é “operário da construção civil”; então, para distingui-lo melhor, use um termo que lhe seja mais determinante como “peão”, “mestre de obras” ou “pedreiro”.

Gonçalves Dias escreveu: Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá.

Compare agora com  Minha terra tem árvores / Onde canta o pássaro.

Perceba como o segundo fragmento perdeu em precisão porque nem toda árvore é palmeira e nem todo pássaro é sabiá.

Concluindo, siga estas dicas: em dissertações, a linguagem positiva deve ser preferível à negativa; a concreta, à abstrata; a específica, à genérica.

Olho vivo!

Em dissertações, prefira a linguagem concreta à abstrata

Em textos dissertativos, evite usar adjetivos abstratos.

Mas, por quê?

É simples: porque não acrescentam atributos  precisos aos substantivos.

Exemplo: O desempenho do governo tem sido fantástico.

Ora, qual o entendimento para “desempenho fantástico“?

O texto não clarifica as ações governamentais que possam tornar o seu desempenho fantástico. Perde-se, assim, em precisão.

Corrigindo: O  governo tem-se destacado em função dos programas sociais lançados no Dia do Trabalho, tais como o Bolsa Gestante e Bolsa Pequeno Agricultor, os quais estão se tornando modelos de boa gestão dos recursos públicos.

Agora é com você!

 

 

Você sabe empregar a palavra “mesmo(a)”?

Cuidado com o que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.
  • com o significado de:

# em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.

# igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.

# apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.

# desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.  

# próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos. 

Atenção:

  • Erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe e falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.
  • Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Olho vivo!

Prefira a linguagem positiva à negativa

Evite a linguagem com predominante peso negativo em sua dissertação.

Pelo contrário, busque construções frasais que tornem a linguagem a mais positiva possível!

  • Exemplo 1: O governo não cumpriu a meta anunciada. Sugestão: O governo descumpriu a meta anunciada.
  • Exemplo 2: O ministro não foi claro em sua exposição. Sugestão: O ministro foi prolixo em sua exposição.
  • Exemplo 3: A Secretaria de Esportes não prestigiou o evento. Sugestão: A Secretaria de Esportes desprestigiou o evento.

Pelo visto, quando você disserta pelo avesso, negando ao invés de afirmando, o texto se torna menos conciso e preciso.

Observe que você pode perfeitamente negar sem usar o “não”, por meio do uso de prefixos que indiquem negação ou ausência.  

Alerta: se a  sua argumentação tender para o negativismo, poderá contaminar o texto todo e torná-lo enfadonho.

Faça uma experiência: procure levar a vida pelo seu lado sim e sinta como os seus dias serão mais leves!

Como dissertar com posicionamento desfavorável ao tema polêmico

Não concordar com alguma questão polêmica não significa fechar-se em seus conceitos.

Por isso, sugerimos considerar as opiniões contrárias à sua  no desenvolvimento do tema.

Sendo assim, você não cairá em radicalismos que muitas vezes são prejudiciais à avaliação de textos dissertativos dessa natureza.

Não se esqueça, entretanto, de defender com todo ardor os seus posicionamentos (sem descambar para os exageros) mercê do uso de linguagem retilínea, vigorosa e convincente.

O esboço sugerido para esses casos é o seguinte (para textos de até 30 linhas):

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu posicionamento crítico desfavorável à polêmica da questão) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do texto (se for o caso).

2º parágrafo: análise dos aspectos favoráveis à polêmica.

3º parágrafo: análise dos aspectos desfavoráveis à polêmica (com maior ênfase).

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da polêmica + reafirmação do posicionamento desfavorável em relação à polêmica + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Agora é com você!

Um desafio: se você, por exemplo, não concorda com a adoção da pena de morte no Brasil, disserte a respeito como treinamento!

Bom trabalho!

Como dissertar com posicionamento favorável a assunto polêmico

Tema polêmico, você bem sabe, é todo aquele que admite diferentes posicionamentos em torno dele, a exemplo da adoção da pena de morte no Brasil.

Se você tiver posicionamento favorável à polêmica estabelecida, sugerimos o seguinte esboço para dissertações de até 30 linhas:

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu posicionamento crítico favorável à polêmica da questão) + plano de curso do texto (como o texto será desenvolvido, se for o caso) + objetivo(s) do texto (se for o caso).
  • 2º parágrafo: análise dos aspectos desfavoráveis à polêmica.
  • 3º parágrafo: análise dos aspectos favoráveis à polêmica (com maior ênfase).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da polêmica + reafirmação do posicionamento favorável em relação à polêmica + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Qual a sua opinião, por exemplo, sobre a redução da maioridade penal aos 16 anos no Brasil?

Mesmo que você seja favorável à questão, não deixe de considerar as opiniões contrárias à sua. Tudo por uma questão de bom-senso.

Não deixe, entretanto, de enaltecer o seu ponto de vista mediante o uso de uma linguagem retilínea, vigorosa e convincente (com o cuidado de não cair no radicalismo!).

Bons estudos!

Dissertações baseadas em textos literários – como esquematizá-las

Tem sido bastante comum a banca oferecer aos candidatos um ou mais textos a ser(em) lido(s) para a depreensão do assunto sobre o qual se deva escrever.

Nesses casos, você poderá esquematizar o seu texto da seguinte forma (para redações até 30 linhas):

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese do texto (o seu parecer sobre o assunto depreendido do texto-base ou da coletânea de fragmentos textuais) + dois ou três argumentos pessoais que sustentem a tese + plano de curso (como o texto será desenvolvido, se for o caso) + objetivo(s) do texto (se for o caso).
  • Parágrafos mediais: reapresentação dos argumentos na forma de teses de seus respectivos parágrafos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados na Introdução) + expansão (por meio de exemplos, dados numéricos, constatações, analogias, aplicações etc.) + conclusão (se for o caso).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso) + apreciação final.

Agora é com você!

Ler muito e treinar a produção textual é o segredo dos vencedores!

Mãos à obra, portanto!

 

Teste a sua linguagem

Corrija em seu caderno os possíveis problemas de construção frasal nos fragmentos abaixo:

O Brasil tem jogadores de futebol que merecem aplausos e que sejam respeitados pela imprensa nacional.

Trouxemos do passeio muitas lembrancinhas e a experiência de uma viagem internacional.

Conquistei o prêmio e a amizade do professor.

Fiquei decepcionado com a nota da prova e quando o professor riu de mim.

É necessário chegares a tempo e que tragas a encomenda.

É importante escrever um texto por semana e que se preste atenção às dicas do professor.

Tratei dos dentes e de ir embora o quanto antes.

Não gosto de samba nem de cantar.

O projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.

A comitiva visitou Roma e o papa.

Os pais não só têm o dever de amar os filhos como também de educá-los.

É possível relaxar com a caça, a pesca e cultivando flores.

Se disseres a verdade, o mistério seria desvendado.

# Agora confira as soluções para cada caso:

O Brasil tem jogadores de futebol que merecem aplausos e respeito da imprensa nacional. / Trouxemos do passeio muitas lembrancinhas e adquirimos a experiência de uma viagem internacional. / Conquistei o prêmio e granjeei a amizade do professor. / Fiquei decepcionado com a nota da prova e o riso do professor. / É necessário chegares a tempo e trazeres a encomenda. / É importante escrever um texto por semana e prestar atenção às dicas do professor. / Tratei dos dentes e busquei ir embora o quanto antes. / Não gosto de sambar nem de cantar. / O projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo. / A comitiva visitou Roma e conversou com o papa. / Os pais têm não só o dever de amar os filhos como também de educá-los. / É possível relaxar com a caça, a pesca e o cultivo de flores. / Se disseres a verdade, o mistério será desvendado.

Olho vivo!

Atenção às expressões correlativas!

As expressões correlativas são muito úteis a quem disserta uma vez que auxiliam o escrevente a estabelecer correlações entre ideias e argumentos.

O seu uso, entretanto, requer certos cuidados, pois descuidos poderão comprometer  as reciprocidades que devem existir entre elas.

A dica é a seguinte: usou uma, use a outra que lhe corresponda.

As mais comuns são as seguintes:

não só … mas/como (também);

tanto … quanto/como;

não só … mas ainda;

não somente … mas ainda;

não apenas … mas também;

tanto … quanto;

ou … ou;

quer … quer;

seja … seja;

por um lado … por outro (lado).

Veja alguns exemplos:

  • Errado: O menino estudava tanto quanto brincava. Correto: O menino tanto estudava  quanto brincava.
  • Errado: Ou você estuda ou não passa no vestibular. Correto: Você ou estuda ou não passa no vestibular.
  • Errado:  Ou tu me emprestas o livro ou a apostila. Correto 1: Tu me emprestas o livro ou a apostila. Correto 2: Ou tu me emprestas o livro ou me cedes a apostila.

Observe os paralelismos semânticos!

No texto, você deve observar não somente os paralelismos sintáticos, mas também os de correlação de ideias, ou seja, os semânticos.

  • Exemplo 1: Maria cuida dos irmãos menores e da saúde da mãe.

Veja que os complementos do verbo “cuidar” (irmãos menores e saúde da mãe) não são semanticamente paralelos e por isso mesmo não deveriam estar sendo regidos por um mesmo verbo.

Correção 1: Maria cuida dos irmãos menores e zela pela saúde da mãe.

Correção 2: Maria cuida dos irmãos menores e da mãe.

  • Exemplo 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente a Argentina.

Nesse exemplo há falta de paralelismo semântico, pois não há correspondência entre a nossa seleção de futebol e a Argentina, um país.

Correção 1: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente o time da Argentina.

Correção 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que o Brasil enfrente a Argentina.

  • Exemplo 3: Se ele se desculpasse, ficaremos muito satisfeitos.

Perceba que não foi observado o paralelismo entre os verbos desculpasse e ficaremos, pois o contexto em que ambos foram flexionados sugere incerteza.

Isso inviabiliza a flexão do verbo ficar no futuro do presente do indicativo.

Correção 1: Se ele se desculpasse, ficaríamos muito satisfeitos.

Correção 2: Se ele se desculpar, ficaremos muito satisfeitos.

Agora é treinar, treinar e…treinar!