Como dissertar com posicionamento desfavorável ao tema polêmico

Não concordar com alguma questão polêmica não significa fechar-se em seus conceitos.

Por isso, sugerimos considerar as opiniões contrárias à sua  no desenvolvimento do tema.

Sendo assim, você não cairá em radicalismos que muitas vezes são prejudiciais à avaliação de textos dissertativos dessa natureza.

Não se esqueça, entretanto, de defender com todo ardor os seus posicionamentos (sem descambar para os exageros) mercê do uso de linguagem retilínea, vigorosa e convincente.

O esboço sugerido para esses casos é o seguinte (para textos de até 30 linhas):

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu posicionamento crítico desfavorável à polêmica da questão) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do texto (se for o caso).

2º parágrafo: análise dos aspectos favoráveis à polêmica.

3º parágrafo: análise dos aspectos desfavoráveis à polêmica (com maior ênfase).

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da polêmica + reafirmação do posicionamento desfavorável em relação à polêmica + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Agora é com você!

Um desafio: se você, por exemplo, não concorda com a adoção da pena de morte no Brasil, disserte a respeito como treinamento!

Bom trabalho!

Como dissertar com posicionamento favorável a assunto polêmico

Tema polêmico, você bem sabe, é todo aquele que admite diferentes posicionamentos em torno dele, a exemplo da adoção da pena de morte no Brasil.

Se você tiver posicionamento favorável à polêmica estabelecida, sugerimos o seguinte esboço para dissertações de até 30 linhas:

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu posicionamento crítico favorável à polêmica da questão) + plano de curso do texto (como o texto será desenvolvido, se for o caso) + objetivo(s) do texto (se for o caso).
  • 2º parágrafo: análise dos aspectos desfavoráveis à polêmica.
  • 3º parágrafo: análise dos aspectos favoráveis à polêmica (com maior ênfase).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da polêmica + reafirmação do posicionamento favorável em relação à polêmica + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Qual a sua opinião, por exemplo, sobre a redução da maioridade penal aos 16 anos no Brasil?

Mesmo que você seja favorável à questão, não deixe de considerar as opiniões contrárias à sua. Tudo por uma questão de bom-senso.

Não deixe, entretanto, de enaltecer o seu ponto de vista mediante o uso de uma linguagem retilínea, vigorosa e convincente (com o cuidado de não cair no radicalismo!).

Bons estudos!

Dissertações baseadas em textos literários – como esquematizá-las

Tem sido bastante comum a banca oferecer aos candidatos um ou mais textos a ser(em) lido(s) para a depreensão do assunto sobre o qual se deva escrever.

Nesses casos, você poderá esquematizar o seu texto da seguinte forma (para redações até 30 linhas):

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese do texto (o seu parecer sobre o assunto depreendido do texto-base ou da coletânea de fragmentos textuais) + dois ou três argumentos pessoais que sustentem a tese + plano de curso (como o texto será desenvolvido, se for o caso) + objetivo(s) do texto (se for o caso).
  • Parágrafos mediais: reapresentação dos argumentos na forma de teses de seus respectivos parágrafos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados na Introdução) + expansão (por meio de exemplos, dados numéricos, constatações, analogias, aplicações etc.) + conclusão (se for o caso).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso) + apreciação final.

Agora é com você!

Ler muito e treinar a produção textual é o segredo dos vencedores!

Mãos à obra, portanto!

 

Teste a sua linguagem

Corrija em seu caderno os possíveis problemas de construção frasal nos fragmentos abaixo:

O Brasil tem jogadores de futebol que merecem aplausos e que sejam respeitados pela imprensa nacional.

Trouxemos do passeio muitas lembrancinhas e a experiência de uma viagem internacional.

Conquistei o prêmio e a amizade do professor.

Fiquei decepcionado com a nota da prova e quando o professor riu de mim.

É necessário chegares a tempo e que tragas a encomenda.

É importante escrever um texto por semana e que se preste atenção às dicas do professor.

Tratei dos dentes e de ir embora o quanto antes.

Não gosto de samba nem de cantar.

O projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.

A comitiva visitou Roma e o papa.

Os pais não só têm o dever de amar os filhos como também de educá-los.

É possível relaxar com a caça, a pesca e cultivando flores.

Se disseres a verdade, o mistério seria desvendado.

# Agora confira as soluções para cada caso:

O Brasil tem jogadores de futebol que merecem aplausos e respeito da imprensa nacional. / Trouxemos do passeio muitas lembrancinhas e adquirimos a experiência de uma viagem internacional. / Conquistei o prêmio e granjeei a amizade do professor. / Fiquei decepcionado com a nota da prova e o riso do professor. / É necessário chegares a tempo e trazeres a encomenda. / É importante escrever um texto por semana e prestar atenção às dicas do professor. / Tratei dos dentes e busquei ir embora o quanto antes. / Não gosto de sambar nem de cantar. / O projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo. / A comitiva visitou Roma e conversou com o papa. / Os pais têm não só o dever de amar os filhos como também de educá-los. / É possível relaxar com a caça, a pesca e o cultivo de flores. / Se disseres a verdade, o mistério será desvendado.

Olho vivo!

Atenção às expressões correlativas!

As expressões correlativas são muito úteis a quem disserta uma vez que auxiliam o escrevente a estabelecer correlações entre ideias e argumentos.

O seu uso, entretanto, requer certos cuidados, pois descuidos poderão comprometer  as reciprocidades que devem existir entre elas.

A dica é a seguinte: usou uma, use a outra que lhe corresponda.

As mais comuns são as seguintes:

não só … mas/como (também);

tanto … quanto/como;

não só … mas ainda;

não somente … mas ainda;

não apenas … mas também;

tanto … quanto;

ou … ou;

quer … quer;

seja … seja;

por um lado … por outro (lado).

Veja alguns exemplos:

  • Errado: O menino estudava tanto quanto brincava. Correto: O menino tanto estudava  quanto brincava.
  • Errado: Ou você estuda ou não passa no vestibular. Correto: Você ou estuda ou não passa no vestibular.
  • Errado:  Ou tu me emprestas o livro ou a apostila. Correto 1: Tu me emprestas o livro ou a apostila. Correto 2: Ou tu me emprestas o livro ou me cedes a apostila.

Observe os paralelismos semânticos!

No texto, você deve observar não somente os paralelismos sintáticos, mas também os de correlação de ideias, ou seja, os semânticos.

  • Exemplo 1: Maria cuida dos irmãos menores e da saúde da mãe.

Veja que os complementos do verbo “cuidar” (irmãos menores e saúde da mãe) não são semanticamente paralelos e por isso mesmo não deveriam estar sendo regidos por um mesmo verbo.

Correção 1: Maria cuida dos irmãos menores e zela pela saúde da mãe.

Correção 2: Maria cuida dos irmãos menores e da mãe.

  • Exemplo 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente a Argentina.

Nesse exemplo há falta de paralelismo semântico, pois não há correspondência entre a nossa seleção de futebol e a Argentina, um país.

Correção 1: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente o time da Argentina.

Correção 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que o Brasil enfrente a Argentina.

  • Exemplo 3: Se ele se desculpasse, ficaremos muito satisfeitos.

Perceba que não foi observado o paralelismo entre os verbos desculpasse e ficaremos, pois o contexto em que ambos foram flexionados sugere incerteza.

Isso inviabiliza a flexão do verbo ficar no futuro do presente do indicativo.

Correção 1: Se ele se desculpasse, ficaríamos muito satisfeitos.

Correção 2: Se ele se desculpar, ficaremos muito satisfeitos.

Agora é treinar, treinar e…treinar!

Respeite os paralelismos sintáticos!

Guarde bem isto: elementos de mesma hierarquia e função devem ser apresentados no texto mediante construções frasais que gramaticalmente se correspondam.

Sendo assim, uma locução nominal deve estar paralela a outra locução nominal; um verbo, a outro verbo; uma oração reduzida de infinitivo, a outra reduzida de infinitivo; e assim por diante.

Exemplo 1:

  • O juiz exigiu do atleta mais moderação em suas atitudes e que pedisse desculpas ao adversário. 

Nessa construção há falta de paralelismo sintático, pois ao termo moderação, um nome, não corresponde outro nome, mas uma oração (que pedisse desculpas ao adversário).

Correção 1: O juiz exigiu do atleta mais moderação (substantivo) em suas atitudes e o pedido (substantivo) de desculpas ao adversário.

Correção 2: O juiz exigiu do atleta que moderasse as suas atitudes (oração) e pedisse desculpas ao adversário. (oração)

Você poderá perguntar-se: qual a melhor solução das duas?

Na dúvida, embora ambas estejam gramaticalmente certas, fique com a mais concisa, simples e direta, a primeira.

Exemplo 2:

  • A mãe não escondia a sua impaciência e estar angustiada com o atraso do filho.

Não há correspondência entre impaciência (substantivo) e estar (verbo no infinitivo); portanto, não foi observado o paralelismo sintático.

Correção 1: A mãe não escondia a impaciência (substantivo) e a angústia (substantivo) com o atraso do filho.

Correção 2: A mãe não escondia estar impaciente (adjetivo) e angustiada (adjetivo) com o atraso do filho.

Exemplo 3:

  • Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade e que mostrasse o documento de habilitação.

Pelo visto, ao nome carteira de identidade não corresponde outro nome, mas sim uma oração (que mostrasse o documento de habilitação).

Correção 1: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade (nome) e o documento de habilitação (nome).

Correção 2: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de motorista (oração) e conferiu o documento de habilitação. (oração)

  • O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudadores, políticos contaminados pela corrupção, Justiça lenta e sensação de impunidade.

Se você fizer uma análise morfológica dos termos enumerados após os dois-pontos, verá que não são de mesma natureza e, logo, não se correlacionam sintaticamente.

Correção: O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudes, corrupção na política, lentidão da Justiça e sensação de impunidade. (nome, nome, nome, nome)

Agora é treinar, treinar e… treinar!

Seja criativo: fuja das repetições

Queira distância de toda e qualquer repetição evitável, quer de palavras, expressões ou de sons, principalmente em redações produzidas em provas de concursos, exames e vestibulares.

Há vários recursos linguísticos que podem ser usados para evitar repetições, como o emprego de pronomes, símbolos, sinônimos e hiperônimos, ou o emprego de figuras de linguagem como a zeugma (omissão de um termo já citado no texto) e a elipse (omissão de um termo subentendido).

Observe o seguinte fragmento:

O sonho de a situação eleger o governador chegou ao fim, pois a oposição lançou uma candidatura imbatível a governador, segundo pesquisas de opinião. O futuro governador, assim, provavelmente estará alinhado à esquerda. A atitude mais sensata da situação, no momento, é buscar maioria nas próximas eleições municipais.

Repare nos senões do texto:

  • o parágrafo  tem três períodos, todos começando com artigo definido: O sonho… O futuro… A atitude. Isso demonstra falta de criatividade de quem escreve.
  • a palavra governador vem repetida sem necessidade.

Como melhorar a linguagem?

Chegou ao fim o sonho de a situação eleger o governador, pois a oposição lançou uma candidatura imbatível, segundo pesquisas de opinião. O futuro governo estadual, assim, provavelmente estará alinhado à esquerda. Buscar maioria nas próximas eleições municipais é a atitude mais sensata que se espera da direita.

Fique ligado(a): quem repete palavras ou expressões evitáveis denuncia pontos negativos, quais sejam:

  • repertório linguístico escasso, provavelmente por falta do hábito de leitura;
  • cultura geral rasa;
  • desconhecimento de técnicas de redação;
  • descaso com a qualidade do texto;
  • preguiça mental;
  • ingenuidade; e
  • falta de criatividade.

Nem pensar isso de você! Portanto, seja criativo(a)!

Obrigado pela companhia em 2016!

Feliz Ano Novo!!!

Com quem tu andas?

Nesta fase de preparação para vestibulares, concursos e Enem em que você se encontra, não fique  isolado(a) em seu quarto de estudos, longe de tudo e de todos.

Necessário será também socializar-me e manter bom nível em seus relacionamentos a fim de fazer de cada diálogo nova oportunidade de aprendizado.

Sendo assim, costume andar com quem tenha conversa edificante e esteja imbuído dos mesmos propósitos de vencer na vida por meio da educação.

Muitos candidatos deixam passar preciosas oportunidades de conversar sobre temas da atualidade quando estão entre amigos.

Falar sobre amenidades é da vida, sim, mas não deve ser a rotina de quem almeje o sucesso profissional.

A nossa sugestão é formar um pequeno grupo de estudo para a troca de ideias sobre os temas da atualidade.

Os amigos mais chegados podem ser os seus melhores professores na discussão de assuntos de prova. Você, em contrapartida, também poderá ajudá-los bastante.

Três ou quatro deles é o número máximo desejável, porque em grupos mais numerosos fica difícil harmonizar tantos interesses.

Um alerta: não convide preguiçosos de plantão a fazer parte do seu grupo de estudo, por mais amigos possam ser.

Em grupos dessa natureza todos deverão estar dispostos a renunciar parte do lazer em benefício do estudo e a despender energias em estudo e mais estudo.

Dê um toque de profissionalismo às reuniões (semanais, quinzenais ou mensais) :

  • elabore programações a serem cumpridas em cada encontro.
  • eleja as pautas de assuntos a serem discutidos.
  • distribua responsabilidades a todos os componentes do grupo.
  • programe simulados por conta própria (você pode baixá-los da internet).

Quanto ao mais, não deixe de relaxar também!

Praticar algum esporte e sair com o grupo para comer uma pizza é uma boa dica.

Bons estudos!

Dissertação baseada em textos literários

Têm sido bastante comuns propostas de redação baseadas em textos literários apresentados aos candidatos isoladamente ou como parte de coletâneas de fragmentos textuais.

É bom recordar que texto literário é aquele cuja função da linguagem predominante é a poética (centrada, portanto, na linguagem) e no qual a liberdade de expressão do autor é ilimitada.

Assim, por ser fortemente conotativo, oferece ao leitor recursos linguísticos que o remetem aos mais inusitados significados e às mais diversas associações.

É preciso, dessa forma, estar muito atento(a) a todos os apelos do texto para não perder o(s) significado(s) que o autor tenha atribuído às suas partes, até mesmo a pormenores como a sonoridade das palavras, o ritmo e o significado de cada figura de linguagem e pensamento.

O que fazer então?

Lido um texto literário, em prosa ou em versos,  observe inicialmente quem seja o(a) seu(sua) autor(a) e associe  informações que você possa ter a respeito dele(a).

Ainda mais, reconheça o tipo e o gênero textual (por exemplo: seria um conto, uma fábula ou um apólogo?) e também a fase literária na qual tenha sido redigido (por exemplo: seria um texto da atualidade, do romantismo ou parnasianismo?).

A seguir, faça uma leitura corrida apenas para conhecer o assunto, sem a pretensão de interpretá-lo por enquanto.

No passo seguinte, releia o texto com a intenção de ir mais a fundo em seu entendimento até chegar à tese, ou seja, ao que o(a) autor(a) afirme (ou desminta) sobre o assunto em tela.

Para textos mais complexos, releia mais de uma vez, se necessário, sempre com lápis ou caneta à mão, iluminando ou grifando as suas partes notáveis.

Tenha por hábito registrar ao lado de cada fragmento lido os diferentes efeitos que possam provocar ou as sínteses das suas mensagens parciais, pois, ao final da leitura, essas anotações poderão formar um painel que facilite a visualização do tema geral.

Desvendada a tese, escreva-a com as suas próprias palavras e procure levantar argumentos que possam sustentá-la ou refutá-la, conforme o caso.

A seguir, planeje o texto. Sugerimos, para redações de até 30 linhas, o seguinte esquema:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese do texto    (o seu ponto de vista sobre a situação-problema da coletânea ou do texto-base) + dois ou três argumentos pessoais que sustentem a tese (na ordem crescente de importância) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do trabalho.

Parágrafos mediais: reapresentação dos argumentos na forma de tópicos frasais de seus respectivos parágrafos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados na Introdução) + expansão (por meio de exemplos, dados numéricos, constatações, analogias, aplicações etc.).

Conclusão:  expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto (a mesma apresentada na Introdução) + apresentação de soluções à situação-problema da questão (competência 5 do Enem, se for o caso) + apreciação final.

Agora é treinar, treinar e…treinar!