Saia do olho do furacão!

Quem disserta pode ser comparado a um jornalista que esteja preparando matéria in loco sobre uma anunciada tempestade tropical.

Ora, se ele entrar no olho do furacão, não terá condições de observar o fenômeno da natureza a distância nem de avaliar as suas medidas; com isso, a qualidade do seu trabalho estará comprometida.

Você, como dissertante, da mesma forma, deve afastar-se do tema da Questão de Redação para poder analisá-lo de forma bem criteriosa e isenta de paixões e vícios de raciocínio.

A função referencial da linguagem, por estar centrada no contexto, coíbe os personalismos, inibe os exageros de quem escreve e contribui para o equilíbrio do texto. Por isso mesmo é a mais indicada para as dissertações.

Portanto, não se emocione nem se apaixone pelo assunto sobre o qual você esteja dissertando.

Ainda mais, fuja dos exageros e seja preciso em todos os seus enunciados.

Não significa dizer que os posicionamentos críticos devam ser mornos, frouxos; muito pelo contrário, devem primar pela firmeza da linguagem (sem perder a elegância!), já que a lassidão só desmerece a argumentação e mina o poder de convencimento do texto.

Evite excessos como o do seguinte exemplo: Os políticos são uns canalhas que só se preocupam em locupletar-se. Papuda neles!

Observe os exageros do período lido:

  • nem todos os políticos prevaricam no exercício de seus mandatos (a generalização tem sido um vício de raciocínio dos mais comuns em redações).
  • chamar indistintamente todos os políticos de canalhas é um despropósito, pois não cabe a quem disserta julgar esse mérito.
  • a palavra canalhas, pelo valor pejorativo que assumiu, aponta para um posicionamento no mínimo deselegante do autor, o que de longe é interessante em textos dissertativos.
  • Papuda, como você deve saber, é um complexo penitenciário localizado no entorno do Distrito Federal. Ora, não diz respeito a quem disserta chegar a esse nível de agressividade, pois somente à Justiça cabe julgar quem deva ou não ser recolhido à prisão pelos atos cometidos.

Corrigindo: Há homens públicos que não merecem a representatividade delegada pelo povo quando buscam o enriquecimento ilícito. Justiça é o que se pede.

Agora é treinar, treinar e…treinar!

Valorize o seu posicionamento

Você seria capaz de convencer o leitor a comprar uma vela usada?

Quem disserta precisa colocar-se nessa situação, principalmente em textos argumentativos.

A “vela usada”, em seu caso, será a ideia-força do texto argumentativo.

Em situação de prova, você será solicitado(a) a emitir opinião própria sobre determinado assunto, sobre o qual não necessariamente você terá completo domínio, ou alguma situação-problema, a respeito da qual você não seja especialista.

Em qualquer situação, não fique em cima do muro, como quem não tenha nada a escrever, pois a falta de elaboração de uma tese consistente poderá denunciar falta de segurança, conhecimento ou discernimento.

Emita a sua opinião (tese) de maneira bem direta e sucinta, de forma impessoal e desapaixonada.

Exemplo de tese: O envelhecimento da população brasileira trará  substancial sobrecarga  às contas públicas nas próximas duas décadas.

Quanto ao mais, para produzir uma dissertação argumentativa de até 30 linhas, você deverá seguir os seguintes passos:

  • levantar pelo menos dois argumentos (para textos de até 30 linhas) que sustentem a tese;
  • na Introdução, emitir uma breve contextualização (se for o caso), apresentar a tese, os objetivos do trabalho e o plano de curso da redação;
  • no Desenvolvimento, reapresentar os argumentos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados no primeiro parágrafo) na forma de teses dos seus respectivos parágrafos e expandi-los (por exemplificação, citação de dados, constatações, comentários).
  • na Conclusão, reafirmar a tese do texto (a mesma da Introdução, com outra construção frasal), apresentar soluções ao problema tratado no texto (se for o caso)  e emitir uma apreciação final.
  • Simples, não? Nem tanto…

Agora é treinar, treinar e…treinar!

As aparências enganam

Texto dissertativo é toda unidade gráfica de comunicação que contenha uma mensagem ou  ideia-força  a ser enviada a um destinatário com objetivo(s) definido(s): expor, argumentar ou refutar.

A produção de textos argumentativos em situação de prova, portanto, deve ter uma ideia-força enviada por você, normalmente em até 30 linhas (a sua redação), a um receptor (a banca de correção do seu concurso, vestibular ou Enem) que possa entendê-la facilmente.

É preciso, assim, considerar a importância da clareza do que esteja escrito, a fim de que a mensagem seja bem entendida e avaliada por quem de direito.

Não se esqueça de que toda produção textual requer:

  • planejamento minucioso (esboço ou esquema);
  • levantamento e seleção das melhores ideias;
  • exímia articulação dos enunciados;
  • coerência;
  • vocabulário adequado ao nível de escolaridade exigido do(a) candidato(a);
  • linguagem sucinta e atraente.
  • fluidez (capaz de conduzir o leitor da primeira à última linha com crescente interesse pelo seu desfecho.)

O que estiver fora disso poderá ser apenas um amontoado de palavras e ideias desconexas em determinado número de linhas. Jamais um texto.

As aparências às vezes enganam candidatos desavisados que preenchem 30 linhas e pensam ter produzido belos textos.

A decepção vem com o resultado. E muitos são reprovados apenas em redação, o que é uma pena!

Por isso, reiteramos a máxima atenção ao estudo e à prática semanal da Redação.

A importância da interpretação de textos

Não basta conhecer as técnicas de produção textual propriamente ditas.

Importa também saber interpretar textos de apoio, os enunciados e os comandos das questões.

Do contrário, você poderá ser traído(a) por qualquer desatenção ou sutileza do pedido e correr o risco de escrever sobre o que não se pediu.

Há propostas de redação que já oferecem o tema (assunto) sobre o qual você deva dissertar.

Exemplo: Disserte sobre a importância dos hábitos de leitura.

Outras, entretanto, mais seletivas, apresentam comandos que obrigam o(a) candidato(a) a, inicialmente, ler e interpretar textos, tiras, charges, fotografias, gráficos e quaisquer outras informações de apoio para, somente depois, depreender o tema sobre o qual deva dissertar.

Exemplo: Disserte sobre o tema depreendido da leitura e interpretação da charge em destaque.

Conselho: treinar, portanto, a resolução de questões objetivas de interpretação de textos desenvolverá a sua acuidade e evitará surpresas desagradáveis.

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Boa leitura!

Opine, você não é um jarro de flores!

Ter opinião própria firmada sobre qualquer assunto é a semente de todo texto dissertativo-argumentativo.

Crie, assim, o hábito de tomar posicionamentos sobre possíveis temas de questões de redação.

Ainda mais, busque argumentos precisos e coerentemente articulados que possam sustentar a sua opinião (tese).

Por exemplo, o que você pensa sobre a obrigatoriedade do voto a maiores de 18 anos no Brasil?

Você é favorável ou desfavorável? Pelo sim ou pelo não, pense bem e posicione-se.

Agora levante pelo menos dois argumentos para textos de até 30 linhas, duas ou mais ideias-força que irão sustentar a  tese.

Parabéns, o primeiro parágrafo já está prestes a ficar pronto.

Siga a seguinte estrutura: tese (opinião) +  argumentos 1 e 2 (na ordem crescente de importância!) + objetivos(s) do texto + plano de curso.

Exemplo:

Obrigar os eleitores brasileiros a comparecer às urnas em períodos eletivos não condiz com o estado democrático, pois trata-se de arbítrio injustificável do poder público e, o que é mais grave, de convite à formação de currais eleitorais. Comprovar essa tese é o objetivo deste trabalho.

No prosseguimento do texto, retome os argumentos, na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados no primeiro parágrafo, desta vez na forma de teses, e expanda-os em parágrafos mediais.

Na conclusão, reafirme a tese do texto, apresente possíveis soluções ao problema da questão (se houver) e emita um parecer final.

Agora é treinar, treinar e…treinar a produção textual!

 

Cuidado: não use “atentamente” no lugar de “atenciosamente”!

São duas palavras muito parecidas, mas com significados bem distintos.

Veja como melhor empregá-las:

#  use “atentamente” no sentido de  estar atento, vigilante a alguma recomendação, regra ou atividade.

Exemplo: O jogador ouviu atentamente as orientações do técnico.

# empregue “atenciosamente” no sentido de alguém ser atencioso(a), educado(a) ou prestativo(a) com outra pessoa.

Exemplo: A enfermeira respondeu atenciosamente às perguntas da paciente.

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Bons estudos!

Quando usar “aparte”, “à parte” e “a parte”.

Tome bastante cuidado com a ortografia! Observe bem os casos que seguem:

  • Use aparte como substantivo masculino, significando interrupção, observação, comentário.

Exemplo: O deputado concedeu ao colega um aparte ao seu pronunciamento.

  • Prefira à parte no sentido de  em separado, anexo.

Exemplo: As provas materiais do inquérito seguem à parte. 

  • A parte nada mais é do que o artigo feminino “a” + o substantivo “parte”, no sentido de fração de um todo.

Exemplo: A parte que me cabe é a mais difícil da encenação.

Uma perguntinha incômoda: – E você, já escreveu o seu texto de treinamento nesta semana?

Lembre-se de que os treinamentos à exaustão das produções textuais são essenciais  à desenvoltura da LINGUAGEM e à fixação das NORMAS GRAMATICAIS.

Portanto, mãos à obra!

 

 

Posso escrever “a nível de”?

Cuidado com o que você ouve ou vê por aí!

A linguagem oral é mais tolerante, mas não o(a) autoriza a escrever com inadequações!

Preste atenção: não escreva nem fale “a nível de”, pois é modismo descabido.

Você pode usar, sim, “ao nível de” no sentido de “à mesma altura”, “no mesmo patamar”.

Exemplos: Fortaleza está ao nível do mar. / O time está ao nível dos melhores do mundo.

Ainda  é possível “em nível de” para indicar nível funcional ou hierárquico.

ExemplosA reunião será em nível de diretoria. / O problema será resolvido em nível estadual.

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Boa leitura!

 

 

Quando usar “acerca de”, “a cerca de”, “há cerca de” e “cerca de”.

Esteja atento(a) à ortografia, pois qualquer descuido poderá ser-lhe prejudicial.

Veja a melhor redação para cada caso que segue:

  • “Acerca de” equivale a sobre, a respeito de.

Exemplo: O novo prefeito discursou acerca de seus planos.

  • “A cerca de” anuncia uma distância aproximada ou tempo futuro não muito exato.

Exemplos: O shopping fica a cerca de duas quadras da minha casa. / Estamos a cerca de três meses de nossa viagem à Europa.

  • “Há cerca de”  pode indicar tempo passado aproximado ou noção quantitativa não muito precisa.

Exemplos: Há cerca de um mês, senti os primeiros sintomas. / Há cerca de 20 mil litros de água neste reservatório.

  • “Cerca de” diz respeito a quantidades aproximadas.

Exemplo: Cerca de vinte alunos chegaram atrasados ao concerto.

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Bons estudos!

Você sabe empregar os pronomes demonstrativos?

Talvez seja uma das maiores dificuldades da língua portuguesa o emprego dos pronomes demonstrativos.

Conhecê-los é fácil, pois não são muitos, mas usá-los adequadamente no discurso culto nem sempre é fácil.

A dificuldade maior está no emprego de este, esta, istoesse, essa, issoaquele, aquela, aquilo.

Vamos tentar esclarecer de uma vez por todas:

Quanto usar este(s), esta(s), isto:

  • no espaço: para indicar o que estiver perto de quem fala: Esta caneta é minha.
  • no texto: para indicar o que será enunciado: As principais causas da evasão escolar são estas: abandono de lar, envolvimento com as drogas e falta de perspectivas.
  • na linha do tempo: para indicar tempo presente em relação ao momento da fala: Nesta semana irei à praia.

Quando usar esse(s), essa(s), isso:

  • no espaço: para indicar o que estiver perto de quem ouve: Essa caneta aí é sua?
  • no texto: para indicar o que já foi enunciado: O presidente foi muito claro na apresentação das medidas governamentais. Iniciativas como essas são sempre muito bem apreciadas.
  • na linha do tempo: para indicar tempo próximo anterior ou posterior em relação ao momento da fala: Nesse último sábado, encontrei o meu melhor amigo.

Quando usar aquele(s), aquela(s), aquilo:

  • no espaço: para indicar o que estiver longe de quem fala e ouve: Aqueles meninos lá na piscina estão se excedendo.
  • no texto: para indicar enunciados distantes (para textos mais longos, o que normalmente não é o caso em vestibulares, concursos e exames): Aquele exemplo da introdução confirmou a nossa tese.
  • na linha do tempo: para indicar um tempo remoto, bem anterior ao momento da fala: O velho professor lembrou-se daquele tempo em que ter computador em casa era raridade.

Agora é com você!