O que se espera de você na Competência 3 do Enem

Não basta apresentar dados e informações ou mesmo expressar sua opinião ou expor argumentos se você não for capaz de selecionar aqueles que de fato apresentam pertinência com o tema proposto.

Ademais, além de uma seleção criteriosa de dados, informações e argumentos, é primordial saber organizar as ideias e apresentar a sua interpretação para a situação-problema em questão, estabelecendo relações lógicas e coerentes e fazendo a sua leitura da realidade, a fim de demonstrar seu ponto de vista em relação ao tema proposto.

Essa Competência trata da inteligibilidade do texto, da coerência e da acessibilidade. Está, pois, ligada a mecanismos que facilitem a compreensão e  a  interpretação do que você escreveu.

Depende, portanto, dos seguintes fatores:

  • unidade temática (ausência de fugas).
  • relação lógica entre as partes do texto.
  • precisão vocabular.
  • desenvolvimento progressivo das ideias do texto.
  • adequação entre o conteúdo do texto e o mundo real.
  • ausência de vícios de raciocínio, tais como generalizações indevidas e extremismos.

Olho vivo!

O que se espera de você na Competência 2 do Enem

A compreensão da proposta de redação é o nascedouro do seu texto.

Para isso, faça atenta leitura e as necessárias releituras da coletânea e do enunciado antes de começar a pensar no planejamento do texto.

Não se esqueça de que o texto deverá ser dissertativo-argumentativo em prosa, o que significa dizer que você deve demonstrar conhecer a estrutura de textos conforme o pedido da questão, tudo consoante você já aprendeu neste capítulo.

Procure abordar o tema em profundidade. Um texto raso em conteúdo, que apenas tangencie o tema, seguramente não receberá boa nota nessa competência.

A argumentação deve ser consistente, começando por uma introdução que sirva de apresentação do seu posicionamento crítico e dos argumentos que sejam desenvolvidos a seguir, preferencialmente na ordem crescente de importância. Finalmente, na conclusão, não deixe de confirmar a tese do texto e de oferecer propostas de intervenção que possam servir de soluções para a questão tratada.

Valha-se não apenas da coletânea, mas também do seu conhecimento de mundo, das suas experiências já adquiridas com a leitura de livros, viagens, pesquisas e interações pessoais.

Siga, ainda mais, as seguintes recomendações:

  • leia com atenção a proposta da redação e os textos motivadores, para compreender bem o que esteja sendo solicitado.
  • evite ficar preso(a) às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque são apresentados apenas para despertar uma reflexão sobre o tema e não para limitar sua criatividade.
  • não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles são apresentados apenas para despertar os seus conhecimentos sobre o tema.
  • reflita sobre o tema proposto para decidir como abordá-lo, tome um posicionamento crítico e levante argumentos que possam defendê-lo.
  • reúna todas as ideias que lhe ocorrerem sobre o tema, procurando organizá-las em uma estrutura coerente para usá-las no desenvolvimento do seu texto.
  • desenvolva o tema de forma consistente, de modo que o leitor possa acompanhar o seu raciocínio facilmente, o que significa que a progressão textual seja fluente e articulada com o projeto do texto.
  • lembre-se de que cada parágrafo deve desenvolver um tópico frasal, ou seja, você deverá estabelecer a correspondência de um parágrafo para cada argumento selecionado.
  • examine, com atenção, a introdução e a conclusão para ver se há coerência entre o início e o fim do texto.
  • utilize informações de várias áreas do conhecimento, demonstrando que você está atualizado em relação ao que acontece no mundo.
  • evite recorrer a reflexões previsíveis, que demonstrem pouca originalidade no desenvolvimento do tema proposto.
  • mantenha-se dentro dos limites do tema proposto, tomando cuidado para não se afastar do seu foco. Esse é um dos principais problemas identificados nas redações. Nesse caso, duas situações podem ocorrer: fuga total ou parcial do tema proposto.

Olho vivo!

O que se espera de você na Competência 1 do Enem

Espera-se que você seja capaz de demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

Para tal, aplique as regras básicas da gramática normativa.

Pontos que você não pode deixar de observar:

  • ortografia.
  • emprego dos sinais gráficos de acentuação (atenção especial ao acento grave nos casos de crase) e de pontuação, especialmente da vírgula.
  • observância das concordâncias e regências verbais e nominais.
  • divisões silábicas em casos de translineações.
  • uso de linguagem formal (ausência de oralidade, do uso de gírias e demais informalidades).
  • emprego de vocabulário variado, claro, objetivo e preciso.

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Boa leitura!

Ah, não deixe de treinar, treinar e …treinar!

Quando usar “avocar”, “evocar” e “invocar”

Observe a distinção entre palavras que se parecem, mas têm significados muito diferentes.

Veja as situações mais comuns nas quais os verbos abaixo podem ser empregados:

Avocar: no sentido de atribuir-se e chamar a si.

Exemplo: Avocou ao seu passado a vitória nas eleições.

Evocar: quando equivaler a resgatar alguma lembrança, lembrar.

Exemplo: O governador evocou a fidelidade que sempre recebeu do partido.

Invocar: no sentido de pedir a ajuda e chamar em auxílio. 

Exemplo: O padre invocou a presença de Deus.

Olho vivo!

Cuidado: não use “atentamente” no lugar de “atenciosamente”!

São duas palavras muito parecidas, mas com significados bem distintos.

Veja como melhor empregá-las:

– use “atentamente” no sentido de  estar atento, vigilante a alguma recomendação, regra ou atividade.

Exemplo: O jogador ouviu atentamente as orientações do técnico.

– empregue “atenciosamente” no sentido de alguém ser atencioso(a), educado(a) ou prestativo(a) com outra pessoa.

Exemplo: A enfermeira respondeu atenciosamente às perguntas da paciente.

Olho vivo!

Posso escrever “a nível de”?

Não escreva nem fale “a nível de”, pois é modismo descabido.

Você pode usar, sim, “ao nível de” no sentido de “à mesma altura”, “no mesmo patamar”.

Exemplos: Fortaleza está ao nível do mar. / O time está ao nível dos melhores do mundo.

Ainda  é possível “em nível de” para indicar nível funcional ou hierárquico.

Exemplos: A reunião será em nível de diretoria. / O problema será resolvido em nível estadual.

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Boa leitura!

 

 

Não confunda “ante” com “anti”

Esta é uma dúvida recorrente.

O melhor, por exemplo, é escrever “pomada ‘anti-inflamatória’ ou ‘anteinflamatória’?

Observe quando usar ante:

1. Como preposição, para indicar “diante de”, “perante”.

Exemplos: Ante a sua intolerância, não tive  alternativas. / O promotor compareceu ante a bancada governista.

2. Como prefixo, para expressar “anterioridade”, “anteposição”, “antevisão”.

Exemplos:  Antever situações adversas é responsabilidade do líder. / O anteprojeto está aprovado.

Quando usar anticomo prefixo, sugerindo contrariedade (antes de adjetivos).

Exemplos: A artilharia antiaérea foi decisiva na defesa da usina. / O movimento antirracista surtiu efeito.

Agora você já sabe: pomada só pode ser “anti-inflamatória”.

Olho vivo!

Como se escreve: à vista ou a vista?

Depende de cada caso.

Veja bem:

Como locução feminina, use à vista.

Exemplo 1: Comprei o celular à vista.

A vista (artigo a + substantivo vista) não pede o acento grave.

Exemplo 2: A vista do Cristo Redentor é incomparável.

Para não errar mais,  é sempre bom fazer sumárias análises sintáticas de tudo que se escreva a fim de perceber as sutilezas do texto e reconhecer o mais adequado emprego da ortografia conforme cada construção frasal.

Olho vivo!

Siga bons exemplos em 2016

De lixeiro a médico: brasiliense vence pobreza e se forma em medicina
Cícero Batista Pereira venceu a fome para se formar em medicina. Parte da conquista se deve aos livros emprestados de paradas de ônibus

 

O médico de 33 anos recebeu ontem o diploma de graduação: 'Sinto muito orgulho de ter chegado até aqui' (Breno Fortes/CB/D.A Press)
O médico de 33 anos recebeu ontem o diploma de graduação: “Sinto muito orgulho de ter chegado até aqui”

Das latas de lixo, o brasiliense Cícero Batista Pereira, 33 anos, recolhia as verduras e os livros. Com o que os outros descartavam, ele se alimentava e também cursou o ensino fundamental e desenvolveu o interesse pela ciência. Na adolescência, fez curso técnico em enfermagem e teve a certeza de que a área de saúde era o caminho dele. Para chegar até o diploma de medicina, recebido ontem, Cícero cruzou a W3 Norte incontáveis vezes. A cada parada de ônibus, vasculhou as prateleiras do projeto Biblioteca Popular, do Açougue Cultural, em busca de títulos que o ajudassem na preparação para o vestibular. O hábito se manteve na graduação.

O ex-catador, nove irmãos e a mãe moravam na Nova QNL, o Chaparral, entre Taguatinga e Ceilândia. Eles percorriam os contêineres de supermercados e verdurarias da cidade para abastecer a casa. No horário contrário ao das aulas, Cícero também vigiava carros em busca de trocados para colaborar com o sustento. “Se a gente não comia, não tinha como estudar”, lembra.

Um dia, Cícero encontrou uma câmera fotográfica Polaroid em meio a sacolas e restos de refeições. Curioso com o equipamento, levou-o para casa e, então, descobriu que gostava daquilo. “Naquela noite, peguei a lente e fiquei observando piolhos. Então, lembrei que tinha visto na escola que o piolho é um artrópode, assim como as aranhas. Isso estimulou a minha vontade de saber mais sobre ciência”, conta.

A partir das lições sobre animais, o rapaz se interessou pelos conhecimentos relacionados à saúde humana, em razão, inclusive, do histórico familiar. Como o pai morreu quando ele tinha 3 anos e a mãe era dependente alcoólica, coube a Cícero cuidar dos irmãos. “Eu era o curandeiro lá de casa. Pegávamos comida no lixo, e, por isso, tínhamos muita disenteria e doenças de pele. Aí, eu usava receitas caseiras e plantas para fazer remédio para os meus irmãos”, explica. A higienização dos alimentos era feita com limão. “A gente colocava tudo de molho, lavava bem, mas não resolvia totalmente o problema”, conta.

(Maryna Lacerda, Correio Braziliense, 7/6/14)

Quais as cinco competências observadas na redação do Enem?

Os professores avaliarão as seguintes competências em sua redação:

Competência 1: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Agora é com você!