Tire o melhor proveito das relações de implicação entre os enunciados

As linhas de pensamento e argumentação de textos dissertativos não devem sofrer solução de continuidade em consequência da má utilização dos conectores e dos sinais de pontuação.

É sempre oportuno recordar o espectro dessas possibilidades. Assim, ao lado de cada caso você encontra um exemplo:

Relações de implicação por coordenação:

  • Orações coordenadas assindéticas: Cheguei, vi, venci.
  • Orações coordenadas sindéticas (introduzidas por conjunções coordenativas):
    • aditivas: Cumprimentei-o e fui embora.
    • adversativas: Você sorri muito, mas não está feliz.
    • alternativas: Esforçamo-nos ou experimentamos o fracasso.
    • conclusivas: O dia está nublado; não iremos, pois, à praia.
    • explicativas: O baile já acabou, pois reina o silêncio.

Relações de implicação por subordinação:

  • Orações subordinadas substantivas (introduzidas por conjunção subordinativa integrante “que” ou “se”):
    • subjetivas: É importante que você volte.
    • objetivas diretas: Não respondi se concordo ou não com a proposta.
    • objetivas indiretas: Não duvide do que ela seja capaz.
    • predicativas: A verdade é que ele prevaricou.
    • completivas nominais: Estou certo de que passarei no vestibular.
    • apositivas: Desejo-te somente isto: que sejas feliz.
  • Orações subordinadas adjetivas (introduzidas por pronomes relativos):
    • explicativas: Os alunos, que estavam motivados, brilharam como nunca.
    • restritivas: Próspero é o país cujos eleitores são criteriosos.
  • Orações subordinadas adverbiais (iniciadas por conjunções subordinativas, exceto as integrantes):
    • causais: A chuva não tarda, porque as nuvens estão carregadas.
    • comparativas: Certos políticos falam mais do que fazem.
    • concessivas: Embora estivesse constrangido, respondeu a todos.
    • condicionais: Se convidado, vá à festa.
    • conformativas: Estudamos até tarde, como havíamos combinado.
    • consecutivas: O frio era tanto que ficamos em casa.
    • finais: A fim de aproveitar o dia, levantei mais cedo.
    • proporcionais: Quanto mais se tem, mais se quer.
    • temporais: Sempre que viajo, visito boas livrarias.

Agora é com você!

Sempre que estiver escrevendo, procure observar a adequação das relações de implicação entre os enunciados.

Bons estudos!

 

Como esquematizar dissertações baseadas em relações de causa e consequência

São inúmeras as possíveis abordagens de uma questão cujo assunto permita explorar relações de implicação entre enunciados.

O bom conhecimento e uso de conectores, a exemplo das conjunções e preposições, é de grande valia, na medida em que esses elos contribuem para o estabelecimento dos vínculos semânticos desejados.

Veja como você poderá esquematizar, a título de estudo de método, textos dissertativos de até 30 linhas cujos temas permitam estabelecer relações de causa e consequência.

É muito simples: recebido ou depreendido um tema (assunto), você deverá buscar as causas da situação-problema da proposta para, em seguida, levantar as suas possíveis consequências.

No rascunho, ainda na fase da tempestade cerebral, abra duas chaves, uma para causas e a outra para consequências, e deixe as ideias fluírem.

Anote-as, selecione-as, organize-as e ordene-as na ordem crescente de importância antes de começar a escrever os parágrafos.

Assim, o esquema sugerido passa a ser o seguinte:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (a sua opinião sobre a situação-problema da questão) + plano de curso (como o texto será desenvolvido, se for o caso) + objetivo(s) do texto (se for o caso).

2º parágrafo: apresentação das causas que deflagraram a situação-problema da questão + expansão (comentários adicionais, exemplos, constatações etc.) + conclusão (se for o caso).

3º parágrafo: apresentação das consequências  da situação-problema da questão + expansão (comentários adicionais, exemplos, constatações etc.) + conclusão (se for o caso).

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto + apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Atenção: também existe a possibilidade de você, nos parágrafos mediais, correlacionar uma ou mais causas a correspondente(s) consequência(s) em vez de tratá-las em parágrafos distintos. A escolha é sua!

Agora é treinar!

Fuja da linguagem carregada de negativismo

Procure dissertar por meio de linguagem predominantemente afirmativa a respeito de determinado assunto.

Dissertar pelo avesso, ou seja, em função do que você não pensa sobre certo tema, é correr o risco de tornar o texto pesado pela contaminação da carga negativa da linha de pensamento da argumentação.

É simples de observar essa questão.

Responda ao exercício abaixo e depois confira as resposta para verificar o seu desempenho:

Exercício: Reescreva as frases que seguem de forma a fugir da linguagem negativa:

Não nos é possível reparar todos os erros do passado.

O réu não falou a verdade perante o juiz.

Os comerciantes não podem expor seus produtos se não pagarem os impostos.

Os alunos não devem se esquecer de não fazer barulho dentro da biblioteca.

A pequena menina não foi capaz de não contar o segredo da colega.

O atleta não escondeu a tristeza por não ter sido lembrado pelo técnico.

A prova de hoje não foi fácil, por isso não agradou a ninguém.

Possíveis soluções:  É impossível repararmos todos os erros do passado. / O réu mentiu perante o juiz. / Os comerciantes só podem expor seus produtos se pagarem os impostos. / Os alunos devem lembrar-se de fazer silêncio dentro da biblioteca. / A pequena menina foi incapaz de guardar o segredo da colega. / O atleta manifestou a tristeza por ter sido esquecido pelo técnico. / A prova de hoje foi difícil, por isso desagradou a todos.

Em dissertações, prefira a linguagem específica à genérica

Em dissertações, não somente as formas positivas e concretas da linguagem são aconselháveis, mas também as específicas.

Para tal, evite fazer uso de termos genéricos, de significação muito ampla, de pouca especificidade, pois poderão comprometer a precisão do texto.

Empregue, assim, verbos e nomes na medida certa para cada caso, muito bem definidos quanto à significação.

Veja bem: nem toda árvore produz cajus; assim, é melhor usar a palavra “cajueiro” para mais precisamente indicá-la; da mesma forma, nem todo “trabalhador” é “operário da construção civil”; então, para distingui-lo melhor, use um termo que lhe seja mais determinante como “peão”, “mestre de obras” ou “pedreiro”.

Gonçalves Dias escreveu: Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá.

Compare agora com  Minha terra tem árvores / Onde canta o pássaro.

Perceba como o segundo fragmento perdeu em precisão porque nem toda árvore é palmeira e nem todo pássaro é sabiá.

Concluindo, siga estas dicas: em dissertações, a linguagem positiva deve ser preferível à negativa; a concreta, à abstrata; a específica, à genérica.

Olho vivo!

Em dissertações, prefira a linguagem concreta à abstrata

Em textos dissertativos, evite usar adjetivos abstratos.

Mas, por quê?

É simples: porque não acrescentam atributos  precisos aos substantivos.

Exemplo: O desempenho do governo tem sido fantástico.

Ora, qual o entendimento para “desempenho fantástico“?

O texto não clarifica as ações governamentais que possam tornar o seu desempenho fantástico. Perde-se, assim, em precisão.

Corrigindo: O  governo tem-se destacado em função dos programas sociais lançados no Dia do Trabalho, tais como o Bolsa Gestante e Bolsa Pequeno Agricultor, os quais estão se tornando modelos de boa gestão dos recursos públicos.

Agora é com você!

 

 

Desenvolva o senso crítico

Fuja da redação rasa, cujo conteúdo não acrescenta absolutamente nada ao tema.

Seja questionador(a), não aceite a realidade dos fatos sem antes refletir e perguntar a si próprio(a) se a realidade em foco não poderia ser diferente ou quem sabe melhor.

Procure praticar individual e rotineiramente o exercício intelectual de buscar possíveis soluções para situações-problema em todos os níveis da sociedade.

Particularmente o Enem, você já sabe muito bem, valoriza a apresentação de possíveis soluções à situação-problema tratada na Questão de Redação.

Procure estar muito bem informado(a).

Para isso, tenha por rotina ler os principais meios de comunicação da atualidade, tais como jornais e revistas semanais e programas de televisão de bom nível.

Quanto ao mais, procure relacionar-se com pessoas que troquem informações com você sobre os principais fatos do cotidiano, em todos os níveis, dos locais aos internacionais.

Desenvolva, assim, o senso crítico, ou seja, adquira a capacidade de inferência diante de questões da atualidade.

Bons estudos!

Calma, devagar se vai ao longe!

Calma, seja paciente consigo mesmo(a)!

Não queira tornar-se bom(boa) escritor(a) da noite para o dia como que em passe de mágica.

A maturidade linguística estará a caminho em um processo.

Para alguns, isso pode parecer longo demais; para outros, nem tanto.

Em seus treinamentos de produção textual, encare cada deslize observado pelo professor como nova oportunidade de retificação da aprendizagem.

Não admita, portanto, repetir os erros observados em trabalhos anteriores.

Seja paciente, sim, mas não frouxo(a) na observância dos pontos que mereçam ser melhorados em sua redação.

Busque ser perfeccionista e rigoroso(a) no acatamento das correções sugeridas.

Não tolere comodismo nem admita desânimo.

Mais dicas? Adquira os nossos livros!

Boa leitura!

Cuidado com a palavra “mesmo(a)”!

Não seja traído(a) pelo que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.

Ainda mais: com o significado de…

  • em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.
  • … igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.
  • … apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.
  • … desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.
  • … próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos.

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe; falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.

Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Agora é com você!

Você sabe empregar a palavra “mesmo(a)”?

Cuidado com o que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.
  • com o significado de:

# em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.

# igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.

# apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.

# desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.  

# próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos. 

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe e falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança. Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Olho vivo!

Quando usar “avocar”, “evocar” e “invocar”

Observe a distinção entre palavras que se parecem, mas têm significados muito diferentes.

Veja as situações mais comuns nas quais os verbos abaixo podem ser empregados:

Avocar: no sentido de atribuir-se e chamar a si.

Exemplo: Avocou ao seu passado a vitória nas eleições.

Evocar: quando equivaler a resgatar alguma lembrança, lembrar.

Exemplo: O governador evocou a fidelidade que sempre recebeu do partido.

Invocar: no sentido de pedir a ajuda e chamar em auxílio. 

Exemplo: O padre invocou a presença de Deus.

Olho vivo!