Comece o texto dissertativo-argumentativo pela ideia-força

Como iniciar um texto dissertativo-argumentativo, eis a questão.

Sugere-se, em nome da clareza e da precisão da linguagem, iniciar o parágrafo inicial pelo seu tópico frasal, ou seja, pela ideia-força.

Do contrário, você corre o risco de tornar o texto obscuro e de difícil entendimento.

Veja um bom exemplo de parágrafo assim constituído:

Vive-se dias de extremos riscos à integridade individual, principalmente nos grandes centros urbanos (ideia-força), onde as crianças têm sido assediadas por pedófilos; os jovens, abordados por traficantes; os idosos, ameaçados por desocupados. (desenvolvimento). Urge, pois, destacar maior policiamento nas ruas e mobilizar a sociedade para exigir leis mais rigorosas no combate à violência. (conclusão)

Outro exemplo:

Fumar é prejudicial à saúde (ideia-força), motivo pelo qual o Governo Federal deveria sobretaxar ainda mais a indústria do tabaco e esclarecer a opinião pública mais intensamente dos malefícios do fumo. (desenvolvimento) Assim sendo, deixaremos de chorar a morte daqueles que hoje são os mais vulneráveis a esse vício: os jovens de baixa escolaridade. (conclusão)

Agora é treinar, treinar e … treinar!

Cinco truques para libertar-se do “queísmo”

Você sofre de queísmo, vício de linguagem que acomete aqueles que não conseguem livrar-se dos “quês” e por isso mesmo causam cansaço no leitor com tantas repetições?

Pois bem, observe as dicas abaixo e liberte-se agora mesmo: 

1º) Troque as orações adjetivas pelos seus equivalentes adjetivos. Exemplo: em vez de “pessoa que  não sabe ler nem escrever”, escreva “analfabeto(a)”.

2º) Mude as orações adjetivas por apostos. Exemplo: em vez de “Lula, que foi um metalúrgico, governou o Brasil por oito anos.”, prefira “Lula, ex-metalúrgico, governou o Brasil por oito anos.”

3º) Substitua orações substantivas por substantivos de mesmo valor. Exemplo:  entre “Ninguém duvidava de que os presos fugiriam.” e “Ninguém duvidava da fuga dos presos.”, fique com a segunda opção.

4º) Reduza orações desenvolvidas. Exemplo: entre “Logo que acabar a leitura, farei o resumo.” e “Acabada a leitura, farei o resumo.”, dê preferência à segunda construção.

5º) Transforme o discurso indireto em direto: Exemplo: entre “O sargento advertiu o soldado de que ficasse imóvel em forma.”, prefira  “O sargento advertiu o soldado: Fique imóvel em forma!” (com a ressalva de que o discurso direto não é indicado para dissertações!)

Agora é estar atento às repetições dos “quês” para evitá-las sempre que possível!

Quais as razões para se atribuir nota 0 (zero) a uma redação do Enem?

Não cometa nenhum dos descuidos abaixo, pois do contrário você poderá amargar nota ZERO no Enem:

  • fuga total ao tema;
  • não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa;
  • texto com até 7 (sete) linhas;
  • impropérios, deboches, textos desconexos, desenhos ou outras formas propositais de anulação;
  • desrespeito aos direitos humanos;
  • folha de redação em branco, mesmo que tenha sido escrita no rascunho.

Agora é com você!

Reveja os temas de redação já cobrados pelo Enem

Rever os temas de redação já cobrados pelo Enem é sempre interessante em véspera de prova, pois pode-lhe dar uma noção da tendência para este ano.

Dica: dê atenção especial aos cinco últimos assuntos:

1998: Viver e aprender.

1999: Cidadania e a participação social.

2000: Os direitos das crianças e dos adolescentes.

2001: A preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito.

2002: O direito de votar: como utilizar-se do voto para promover as transformações sociais que o Brasil precisa?

2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?

2004: A liberdade de informação e os abusos dos meios de comunicação.

2005: O trabalho infantil.

2006: O poder de transformação da leitura.

2007: A diversidade cultural.

2008: A preservação da floresta Amazônica.

2009: A Valorização da Terceira Idade.

2010: O Trabalho na Construção da Dignidade Humana.

2011: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado.

2012: Movimento imigratório para o Brasil no século 21.

2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil.

2014: Publicidade infantil em questão no Brasil.

2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

2016.1: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil.

2016.2: Caminhos para combater o racismo no Brasil.

Não abuse dos quês

Os “quês” admitem as mais diferentes possibilidades de emprego nas frases.

Por esse motivo, somos sempre tentados a usá-los.

E daí surge o perigo de cairmos no vício do “queísmo“.

Observe como eles são polivalentes, pois podem ser usados como:

substantivo: Sua voz tem um quê de rotina.

pronome relativo: Conheço o carro que você comprou.

pronome indefinido: Que desperdício!

advérbio: Que difícil foi a prova!

interjeição: Quê! Ele não veio?!

preposição: Todos tiveram que sair cedo.

partícula expletiva: Ela é que foi a culpada.

conjunção integrante: Ninguém sabe que você está aqui.

conjunção consecutiva:  O frio era tanto que doía no rosto.

conjunção comparativa: Ela foi mais feliz que nós.

conjunção explicativa: Não chores, meu filho, que a vida é luta renhida.

conjunção temporal: Já cinco sóis eram passados que dali  partíramos.

conjunção subordinativa final: Criarei poesias, que refrigério sejam da alma triste.

conjunção subordinativa concessiva: Cruel que me julgassem, eu não mudaria. 

Cuidado, pois, para não ser contaminado  pelo “queísmo“.

Todo cuidado é pouco!

Pense em soluções à situação-problema

Em textos dissertativo-argumentativos que tratem de situações-problema, não deixe de oferecer ao leitor as possíveis soluções para o caso.

Na correção do Enem, por exemplo, elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos, constitui a Competência 5, cujo valor é de 200 pontos, ou seja, tem o peso de 1/5 da prova.

Vale a pena, pois, investir em soluções para garantir boa nota.

Verifique se elas estão relacionadas ao tema e articuladas à discussão desenvolvida no texto, são praticáveis e não ferem  o bom-senso.

Sugerimos fazer isso na conclusão do seu trabalho embora não haja nenhuma imposição nesse sentido.

Ainda no plano das sugestões, pense em pelo menos três soluções (ou sugestões, conforme o caso), pois, dessa forma, você estará se destacando no universo de candidatos.

Para aprofundar esse estudo, adquira o nosso e-book Dissertação Nota Mil em www.amazon.com.br.

Campos de observação da redação do Enem

Serão avaliadas cinco competências que você deverá revelar por meio do seu texto, a saber:

Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Como as notas serão atribuídas pelos corretores? 

Cada avaliador atribuirá nota entre 0 (zero) e 200 (duzentos) pontos para cada uma das cinco competências, e a soma desses pontos comporá a nota total de cada avaliador, que pode chegar a 1000 pontos. A nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores.

E se houver discrepâncias entre as notas dos corretores?

Considera-se discrepância a divergência de notas atribuídas pelos avaliadores quando diferirem, no total, por mais de 100 (cem) pontos ou, ainda, por mais de 80 (oitenta) pontos em qualquer uma das competências.

Se for o caso, a redação será avaliada, de forma independente, por um terceiro avaliador.

A nota final será a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem.

Se a discrepância persistir, a redação será avaliada por uma banca composta por outros três professores, que atribuirá a nota final do participante.

Quais os riscos de tirar nota zero?

As razões para nota 0 (zero) são as seguintes: fuga total ao tema; desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa; texto com até 7 (sete) linhas; uso de impropérios, deboches, textos desconexos, desenhos ou formas propositais de anulação; desrespeito aos direitos humanos; e folha de redação em branco, mesmo que tenha sido escrita no rascunho.

Onde buscar mais informações sobre o Enem?

Acesse www.enem.inep.gov.br.

Dada uma tira, como dissertar sobre ela?

Oferecida uma tira de apoio ao pedido da Questão de Redação, o primeiro passo a tomar é o de ler e reler os textos verbais (título e troca de diálogos entre personagens, por exemplo) e não verbais (cenários, cores, expressões faciais, gestos, posturas e biótipos dos personagens) até que lhe seja possível depreender o assunto (do que trata a tira?).

Procure, no passo seguinte, chegar à tese da tira (qual a mensagem que se pode extrair depois de interpretar as informações verbais e não verbais da tira?).

Lembre-se de que ler significa somar as informações visuais às não visuais.

As primeiras são ascendentes, ou seja, saltam do papel para os nossos olhos e são processadas pelo cérebro, que contextualiza o que se está vendo e dá-lhe um sentido em função das segundas, que são descendentes e dependem da cultura geral de quem lê.

Assim, quanto maior for o nível de informações que o leitor já tenha retido em função da sua experiência de vida, de estudos e senso crítico, mais precisa e rica será a interpretação da tira.

Por exemplo, a figura de um personagem que esteja de camisa amarela com o símbolo da CBF, calção, meias e chuteiras, fazendo embaixadas com uma bola de futebol, aqui no Brasil, até mesmo um leitor medíocre reconhecê-lo-á como jogador de futebol, mesmo que amador, com a camisa da seleção brasileira, porque não há brasileiro que não saiba reconhecer o significado dessas informações.

Observe todos os apelos que a tira possa oferecer-lhe, porque, se foram inseridos no enredo, mesmo que discretamente, têm alguma contribuição a dar ao leitor para o entendimento do todo.

Como, então, planejar a redação diante do que foi pedido? Sugerimos o seguinte esquema:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese depreendida da tira + argumentos que possam sustentar a tese + plano de curso (como o texto será desenvolvido).

Parágrafos mediais: reapresentação e desenvolvimento (expansão) dos argumentos, cada qual em seu respectivo parágrafo, na ordem crescente de importância.

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto + apresentação de soluções à situação-problema da tira (competência 5 do Enem) + apreciação final.

Todas as dicas acima valem também para textos baseados em desenhos, ilustrações, gráficos e estampas.

Não deixe de treinar à exaustão!

Aspectos de relevantes de uma dissertação

Observe os aspectos em negrito abaixo, os quais são indispensáveis a uma boa dissertação: 

Valorização do posicionamento crítico: você será solicitado a emitir opinião própria sobre determinado assunto ou alguma situação-problema.

Assim sendo, não fique em cima do muro, pois do contrário poderá denunciar falta de conhecimento ou  discernimento sobre o assunto em questão.

Procure emitir a sua opinião de maneira bem direta e sucinta, de forma impessoal e isenta de paixões.

Exemplo: O envelhecimento da população brasileira trará substancial sobrecarga financeira ao Sistema Único de Saúde.

Predomínio da função referencial da linguagem: quem disserta pode ser comparado a um jornalista que esteja preparando matéria in loco sobre uma anunciada tempestade tropical.

Ora, se ele entrar no olho do furacão, não terá condições de observar o fenômeno da natureza a distância nem de avaliar as suas medidas; com isso, a qualidade do seu trabalho estará comprometida.

Dessa forma, é preciso afastar-se do objeto da observação para poder-se analisá-lo de forma bem criteriosa.

A função referencial da linguagem, por estar centrada no contexto, e não no emissor nem no código, no receptor ou na mensagem a ser veiculada, coíbe os personalismos, inibe os exageros de quem escreve e contribui para o equilíbrio do texto.

Impessoalidade: o texto dissertativo não admite o uso da primeira pessoal do singular (“eu”) na condução da argumentação.

Assim, em vez de, por exemplo, Constatei muitos danos depois da tempestade tropical., prefira Constataram-se muitos danos depois da tempestade tropical.

O uso dos verbos no modo infinitivo também pode ser bom recurso para manter a impessoalidade da argumentação: Constatar muitos danos depois da tempestade tropical dimensionou a gravidade da situação.

Linguagem formal, clara, coesa e coerente: a linguagem é o código por meio do qual as ideias do emissor chegam ao receptor e por ele são entendidas.

Quando se trata de dissertação, a formalidade impõe-se, e as gírias e os clichês devem ser evitados.

A clareza deve ser buscada com construções frasais simples, preferencialmente na ordem direta e com vocabulário preciso.

Deve-se usar com muito cuidado as intercalações e as inversões, já que poderão trazer algum ruído ao entendimento do texto.

A coesão e a coerência podem ser conseguidas com planejamento acurado de como se deva apresentar e desenvolver cada ideia e adequado emprego dos conectores e dos sinais de pontuação.

Ausência de vícios de linguagem e de raciocínio: o texto dissertativo deve estar isento de todo e qualquer desvio que possa comprometer a  sobriedade e o senso comum.

Dessa forma, é inadmissível a presença de obscuridades, ambiguidades, radicalismos, generalizações indevidas, conclusões precipitadas, exageros descabidos e demais senões viciosos.

Observância da gramática normativa: o conhecimento e o mais adequado emprego das regras e exceções da linguagem culta é o que espera de quem, como você, disponha-se a dissertar. Portanto, não deixe de revisar pontos da gramática que deem margem a dúvidas.

Agora é treinar, treinar e…treinar.

Criativo(a) sim, mas nem tanto!

Ser criativo(a) é desejável na produção de textos a serem avaliados em concursos, vestibulares e no Enem, desde que dentro de certos limites.

Observe algumas dicas que poderão ser-lhe úteis:

  • Faça uso  de uma linguagem interessante (moderna, fluente, concisa e precisa).
  • Dê preferência à ordem direta de apresentação dos termos da oração (Sujeito, Predicado e Complementos).
  • Fuja dos lugares-comuns (clichês).
  • Fuja também dos neologismos (novas palavras ainda não assimiladas pelos dicionários).
  • Use com  moderação as figuras de linguagem (somente quando realmente necessárias).
  • Sempre que possível, evite os estrangeirismos. 
  • Ouça o texto antes de considerá-lo pronto, tudo para corrigir possíveis cacofonias, má pontuação, redundâncias ou repetições evitáveis.
  • Lembre-se de que criatividade sem limites dá em lambança!

Em nosso livro Redação para Vestibulares, Concursos e Enem (disponível em www.amazon.com.br) você pode aprofundar esse estudo.

Agora é com você!