O Enem passou, já é hora de começar a pensar em 2019!

Descanse um pouco da maratona de estudos de 2016 e já comece a planejar os estudos para o próximo ano.

Aproveite esse “ócio criativo” de final de ano para colocar em dia as leituras de bom nível que você deixou de realizar neste ano.

Esteja, desde já, atento(a) aos detalhes que diferenciam o seu futuro vestibular, concurso ou exame.

Lembre-se sempre de que você, nas questões de Redação, estará sendo avaliado(a) inicialmente quanto à sua capacidade de leitura, intelecção e interpretação do enunciado e depreensão das servidões do pedido.

Depois, sim, você será observado(a) quanto à desenvoltura linguística, ao poder de análise e síntese, à coerência e ao descortino, dentre os principais aspectos.

Por isso é importante conhecer não apenas as técnicas de produção textual propriamente dita, mas também saber muito bem interpretar enunciados e tirar o melhor proveito possível da sua bagagem cultural.

Descanse um pouco, insistimos, mas já de olho em 2019!

Se desejar, entre em contato conosco, pois , de uma forma ou de outra, desejamos ser-lhe útil!

Dois importantes requisitos para argumentar com autoridade

É imprescindível você considerar que a argumentação requer dois pontos muito importantes:

1º) Conhecimento do assunto sobre o qual se deva discorrer.

2º) Adequação e firmeza da linguagem.

Não há espaço para o achismo nem de opiniões mascaradas ou especulações infundadas, pois quem argumenta deve estar bem seguro sobre o que irá escrever.

Imagine que um pároco tenha detectado um problema em sua comunidade, sobre o qual deva tratar na pregação dominical, quando a presença dos fiéis seja mais numerosa. Que seja, por exemplo, o vício da bebida.

Ora, como induzir os pecadores a refletirem a respeito dos danos do álcool, não apenas físicos, mas morais também, e fazê-los mudar de atitude? Sim, será preciso um sermão embasado nas Sagradas Escrituras, firme o suficiente para repercutir na coletividade e produzir mudanças comportamentais.

Na essência, a estrutura de um sermão é muito semelhante a de um texto dissertativo, pois haverá uma tese (opinião) a ser defendida por meio de argumentação convincente e linguagem adequada e  firme.

De muito pouco adiantará o celebrante da missa preparar um sermão que fale apenas de si próprio, em primeira pessoa, ou seja longo demais, com muito blá-blá-blá que enfade os ouvintes, ou que seja evasivo.

Assim, se o discurso não estiver pautado em tese muito bem clara a todos os ouvintes, dos mais jovens aos mais idosos, com linha de argumentação lógica e linguagem adequada e firme, sustentada e comprovada pelas evidências da Palavra de Deus, a prédica cairá no vazio e será ineficaz.

O que se conclui é que as técnicas de preparação de um sermão são, portanto, aplicáveis à produção de textos dissertativo-argumentativos como o que lhe será pedido na questão de redação do seu vestibular, concurso ou Enem.

Imagine-se, pois, no dia da prova, como alguém que precise defender uma opinião formada na forma de um texto que possa ecoar na mente do leitor (leia-se banca examinadora) pela clareza e força de expressão.

Bons estudos!

Cuidado: não fuja do tema da questão!

Alguns cuidados deverão ser tomados para você chegar a um bom nível de proficiência argumentativa.

Em primeiro lugar, lembre-se sempre de que você estará investido de liberdade (em termos, desde que responda ao pedido da questão)  e autoridade de opinar sobre qualquer assunto, da maneira que melhor lhe convier e tomando o posicionamento crítico que lhe parecer o mais adequado segundo as suas convicções.

Não fugir do tema da questão é o primeiro princípio a ser observado em questões de redação de processos seletivos de qualquer nível.

Veja bem: a abordagem de uma proposta de redação pode ser comparada à superação de algum obstáculo que deva ser vencido, diante da qual não há espaço para titubeios, digressões ou tentativas de fugir à responsabilidade, pois assim você não enfrentará a dificuldade a ser vencida.

Todo cuidado deve ser tomado, então, no momento do planejamento do texto, principalmente na fase da seleção das ideias a serem aproveitadas.

Seja criterioso(a), verifique se o eixo do seu texto está indo ao encontro do que se espera de você, ou seja, se a redação está respondendo ao pedido da questão.

Sendo assim, ideias fora do objeto do texto, mesmo que brilhantes, devem ser descartadas.

Para não correr riscos, escreva no rascunho ou mentalize os seguintes tópicos antes de escrever o primeiro parágrafo:

  1. Assunto (do que trata o pedido da questão?).
  2. Delimitação do Assunto (existe alguma delimitação imposta pelo pedido da questão ou eu tenho liberdade para tal?).
  3. Tese (o que eu penso sobre esse assunto?).
  4. Argumentos (que argumentos poderão sustentar a minha tese?).

Os nossos livros permitir-lhe-ão aprofundar o estudo.

Boa leitura!

 

Apresente a tese na voz ativa

A tese, como você já sabe, é a sua opinião sobre determinado assunto.

Deve, portanto, ser a mais clara e persuasiva possível.

Uma boa dica para fortalecer a tese (ideia-força do texto): o sujeito deve ser ativo, ou seja, deve executar a ação do tópico frasal.

Assim, o verbo da ideia-força deve estar na voz ativa. 

Observe um parágrafo problemático (a tese está grifada):

Pesquisas científicas têm comprovado os danos físicos que o tabaco tem provocado a fumantes ativos e passivos  e alertado as autoridades sobre a importância da adoção de campanhas de esclarecimento da opinião pública sobre os malefícios desse vício e da tomada de políticas restritivas ao fumo de cigarros e charutos em lugares públicos, pois a saúde é prejudicada quando se fuma.

Problema: nesse exemplo, você observou que a tese (em destaque), além de ter ficado abafada pela contextualização, foi apresentada na voz passiva (“a saúde é prejudicada”).

Essa construção, assim, enfraqueceu o poder argumentativo do texto.

Corrigindo:

Fumar prejudica a saúde, (apresentação da tese)  conforme comprovam pesquisas científicas a respeito dos danos decorrentes da ingestão da fumaça do tabaco. É preciso, pois, encetar campanhas de esclarecimento público e restringir o fumo de cigarros e charutos em ambientes fechados.

Ficou bem melhor, não?

Agora é com você!

Por onde começar a prova, pela redação?

Essa é uma pergunta recorrente de candidatos a concursos, vestibulares e exames cujas provas são mistas, a exemplo da do Enem.

Trata-se de uma questão muito pessoal.

Três possíveis atitudes poderão ser tomadas:

# escrever o rascunho e passar o texto a limpo antes de ler as questões objetivas.

# escrever o texto somente até finalizar o rascunho; deixar para os minutos finais o passar a limpo do texto.

# realizar a prova rigorosamente na ordem de apresentação das questões e deixar a redação para o final, da elaboração do rascunho à transposição do texto para a folha oficial.

Para saber qual das atitudes possa ser a melhor para você, será preciso treiná-las para optar por aquela que lhe traga mais segurança, conforto e resultados.

Daí  a importância dos simulados e dos trabalhos domiciliares, pois candidato(a) bem treinado(a) é candidato(a) seguro(a) quanto ao que fazer ou deixar de fazer no dia da prova.

Os nossos livros Redação para Vestibulares, Concursos e Enem e Dissertação Nota Mil aprofundam considerações sobre essa questão.

Bons estudos!

 

Fragmentos que se somam e dão sentido ao todo

O estabelecimento de correlações lógicas entre as partes do texto é princípio a ser reverenciado na produção de textos dissertativo-argumentativos, pois, se não houver logicidade, a argumentação estará fatalmente comprometida.

Importante, pois, planejar com muito discernimento o relacionamento e o encadeamento das ideias.

Para tal, é importante tirar o melhor proveito dos conectores e dos sinais de pontuação, a fim de que não haja rupturas entre as partes do texto.

Fique sabendo que o corretor irá avaliar, inicialmente, no contexto de cada parágrafo, se você estabeleceu relacionamento entre as partes do fragmento (introdução, desenvolvimento e conclusão); depois, numa amplitude maior, aferirá, no sentido da profundidade do texto, o encadeamento entre os parágrafos.

Observe o seguinte fragmento:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois a sua prática, se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. Em vista disso, as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil ao mundo literário. Sendo assim, ao término do Ensino Médio, os discentes já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo e estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

O parágrafo acima está bem construído, uma vez que tem a sua tese muito bem destacada, logo nas primeiras linhas A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes e está desenvolvido de forma coerente, já que em nenhum momento cai em contradição ou apresenta extravagâncias que comprometam o bom-senso, e coesa, graças ao emprego adequado de diferentes elos.

Releia-o e perceba a contribuição dos elos sintáticos e semânticos para a coesão do texto:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois (conector sequencial: adverte o leitor de que seguirá uma explicação da tese do parágrafo) a sua prática (conector referencial: remete o leitor à palavra leitura e evita a sua repetição), se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. (conector referencial: remete o leitor à palavra estudantes e evita a sua repetição) Em vista disso, (conector recorrencial: cria no leitor a expectativa sobre possíveis relações de implicação) as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e (conector sequencial: a conjunção aditiva indica a apresentação de nova ideia) estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil (conector referencial: remete o leitor à palavra crianças e evita a sua repetição) ao mundo literário. (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) Sendo assim, (conector recorrencial: prepara o leitor para a conclusão do parágrafo) ao término do Ensino Médio, os discentes (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra  estudantes e evita a sua repetição) já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo(conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) e (conector referencial por elipse: a ausência do sujeito os discentes evita a repetição dessas palavras, sem prejuízos à clareza do texto, pois são de fácil depreensão) estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

Conselhos: procure treinar semanalmente a produção de textos argumentativos, especialmente você, concurseiro e candidato(a) ao Enem.

Não deixe também de ler trabalhos de bom nível que possam servir-lhe de modelos.

Bons estudos!

Não abdique da autoridade que a questão lhe confere

Para bem dissertar, um princípio do qual você não deverá abdicar é o da autoridade.

Como, então, observá-lo?

Simples: aborde a questão de forma impessoal (jamais use a primeira pessoa), estruture o texto com equilíbrio (para textos de até 30 linhas, sugerimos levantar três argumentos) e faça uso de linguagem formal (nada de exageros, modismos ou coloquialismos).

Argumente sempre com elegância, ponderadamente, sem baixar o nível da argumentação, mesmo que você esteja na defesa de um ponto de vista que, na sua opinião, seja inegociável.

Lembre-se de que o seu texto estará sendo avaliado por uma banca examinadora que nutre as mais rigorosas expectativas com relação à aplicação de procedimentos da boa argumentação.

Ainda mais: uma boa defesa de tese caracteriza-se pela força dos argumentos, clareza e precisão da linguagem e lucidez da linha de pensamento.

Cuidado: ao emitir alguma opinião (tese), verifique se você não está sendo radical ou genérico demais nem está ferindo o senso comum.

Além disso, ao apresentar exemplos e demais informações de apoio, cite a(s) fonte(s) de onde você possa ter coletado os dados.

Assim sendo, a autoridade da argumentação estará assegurada.

Bons estudos!

SPC do bem!

Ninguém gosta de cair no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), não é mesmo?

Aqui neste site, entretanto, essa sigla deve ser procurada em cada oração, pois o seu significado é outro: Sujeito – Predicado – Complementos.

Veja bem: a palavra texto, como você sabe, significa “tecido”.

Com efeito, trata-se de um suposto tecido composto de palavras que se reúnem em orações, orações que formam períodos e períodos que constituem parágrafos, os quais, perfeitamente encadeados, dão forma e sentido ao texto.

Assim acontece com quem se dispõe a escrever: não basta ter ideias – embora elas sejam o nascedouro de qualquer texto.

É preciso também saber articulá-las adequadamente de modo a produzir os melhores efeitos em cada construção frasal.

Já que o texto começa a ser costurado desde a sua origem, passando pela produção de orações, períodos e parágrafos, tidos como unidades de composição, devemos tomar cuidado com a clareza da linguagem em todos os estágios da produção textual.

E clareza se consegue com a observação da seguinte ordem de disposição dos termos da oração: Sujeito + Predicado + Complementos, um padrão de construção frasal em língua portuguesa.

Exemplo 1: Ao circo, na sexta-feira à noite, as crianças foram com os pais. 

Observe que, no exemplo acima, houve a necessidade do uso de duas vírgulas.

Exemplo 2 (a mesma oração na ordem SPC): As crianças foram ao circo com os pais na sexta-feira à noite. 

Em princípio, mantenha, pois, o padrão SPC em nome da clareza, embora nada impeça de você criar algumas inversões para impor nova dinâmica ao texto ou evidenciar determinado termo.

No âmbito do período, evitar as inversões também é boa medida em textos de concursos de até 30 linhas.

Prefira, pois, esta ordem: Oração Principal (OP) + Orações Coordenadas (OC) + Orações Subordinadas (OS).

Exemplo 3: Quando se fala de política, (OS) os jovens mostram-se céticos (OP) e desmotivados a discutir sobre questões públicas (OC).

Exemplo 4: Os jovens mostram-se céticos (OP) e desmotivados a discutir sobre questões públicas (OC) quando se fala de política (OS).

Prefira, assim, o padrão do exemplo 4: OP + OC + OS

 Agora é treinar!

Dê destaque à tese do seu texto

A tese é o ponto de partida do seu texto, sem a qual você não terá nada a dizer sobre determinado assunto nem motivos para argumentar, já que não haverá nenhum posicionamento a ser defendido.

A tese, portanto, é imprescindível à caracterização dos textos argumentativos.

Sendo assim, ao elaborá-la, é preciso que se avalie muito bem como expressá-la da forma mais clara e contundente possível a fim de que se possa agregar valor e dar sentido ao texto.

Em textos de até 30 linhas, posicione a tese preferencialmente logo no início do primeiro parágrafo ou imediatamente após breve contextualização.

Exemplo:

Os brasileiros estão convivendo com sérios problemas de insegurança pública nas capitais, (tese) pois o policiamento ostensivo não está mais dando conta de reprimir tantas ações delituosas (argumento 1) e, principalmente, o sentimento de impunidade tem incentivado menores de idade a praticar pequenos furtos e roubos mesmo à luz do dia. (argumento 2)

Agora é com você!

Temas amplos devem ser delimitados

Assuntos abrangentes admitem diferentes delimitações e várias teses que lhes correspondam.

Por conseguinte, há diversas maneiras de serem desenvolvidos.

Se a proposta de redação não lhe impuser nenhuma delimitação diante de um assunto de grande amplitude, caberá a você assumir a responsabilidade de fazê-lo.

Considere, por exemplo, um assunto bem amplo, violência, diante do qual poderá ser-lhe interessante delimitá-lo conforme a sua melhor conveniência.

Constate que, para cada delimitação, haverá uma possível diferente tese:

 

Assunto: Violência.

Possíveis delimitações

Exemplos de teses correspondentes

A violência nos campos de futebol. As torcidas organizadas deveriam ser banidas dos estádios de futebol, uma vez que têm sido responsáveis por brigas e atos de vandalismo nas arenas.
Fatores que contribuem para a violência urbana. A violência urbana advém de fatores crônicos em nosso país: má distribuição de renda, falência da família e baixo nível de escolaridade.
A violência em decorrência da sensação de impunidade. A morosidade da Justiça em aplicar penas passa a sensação de impunidade ao cidadão comum, banaliza os atos criminosos e insufla a violência.
Formas de punição. Perigoso é pensar na pena de morte como punição justa, pois a menor possibilidade do cometimento de alguma falha no processo de julgamento já inviabiliza essa sanção no Brasil.      
Divulgação da violência pela televisão. A televisão, mais do que qualquer outro veículo de massa, divulga, expõe, promove e incentiva a violência física e moral, como se ela fosse normal e inevitável.
Fator de aumento da criminalidade. Um fator que contribui para o aumento da criminalidade é o estado de miserabilidade de camadas expressivas da população.
Crimes afiançáveis e inafiançáveis. A indústria de sequestros tem provocado terror entre as classes média e alta, motivo pelo qual as autoridades devem agir com o máximo rigor diante de tais ocorrências, tratando-as como crimes inafiançáveis.
A violência contra mulheres e crianças. As mulheres e as crianças, por serem mais indefesas, são os alvos mais comuns da violência, sobre as quais os homens descarregam as suas frustrações cotidianas.
Causas da violência no trânsito. Além de o brasileiro ser o motorista mais imprudente do mundo, as nossas estradas andam muito mal conservadas. Tais fatores têm sido apontados como os principais responsáveis pela violência no trânsito.
A violência decorrente do consumo de drogas e álcool. O crack, entorpecente muito consumido por usuários de baixo poder aquisitivo, associado ao consumo de álcool, tem provocado cada vez mais violência urbana.