Categoria: Vestibulares

Como desenvolver uma argumentação em até 30 linhas

A função do desenvolvimento de um texto dissertativo de até 30 linhas é expandir a tese (opinião a respeito de determinado assunto) apresentada na Introdução.

Existem várias maneiras de você organizar o desenvolvimento de um texto dissertativo, dentre as quais: enumeração, exemplificação, comparação, citação, definição, apresentação de dados estatísticos, causa e efeito, iniciativa e consequência, descrição de detalhes.

Os exemplos e as citações, desde que breves, são muito bem-vindos ao desenvolvimento. Importante: recomendamos avaliar se essas inserções irão mesmo contribuir para o fortalecimento da argumentação ou não passarão de mero preenchimento de linhas.

Ah, não deixe de citar as fontes de onde você possa ter colhido os dados.

Atenção: evite simplesmente copiar dados numéricos e demais informações dos textos de apoio à proposta. Faça uso deles, sim, como pontos de apoio à sua argumentação mediante implicações que eles possam provocar, jamais como meras transcrições divorciadas do texto.

É importante também observar se os encadeamentos entre os enunciados estão bem articulados (coesos) e coerentemente relacionados.

Em textos argumentativos de vestibulares, concursos e Enem, o desenvolvimento deve convencer o leitor da validade da ideia central do texto.

Por exemplo, se a intenção for provar que “fumar faz mal à saúde”, alguns dos argumentos poderão ser: “a nicotina causa dependência química”, “o fumo diminui a capacidade respiratória” e, o que é mais grave, “o vício pode levar à morte por enfisema pulmonar.” Agora é só desenvolvê-los em seus respectivos parágrafos (na ordem crescente de importância).

Finalmente, anote bem: é pecado mortal (suicídio!) cair em contradição. Portanto, planeje bem o texto antes de começar a escrevê-lo.

Não deixe de treinar à exaustão!

Sugerimos dois textos por semana (pelo menos!).

Criativo(a) sim, mas nem tanto!

Ser criativo(a) é desejável na produção de textos a serem avaliados em concursos, vestibulares e no Enem, desde que dentro de certos limites.

Observe algumas dicas que poderão ser-lhe úteis:

  • Faça uso  de uma linguagem interessante (moderna, fluente, concisa e precisa).
  • Dê preferência à ordem direta de apresentação dos termos da oração (Sujeito, Predicado e Complementos).
  • Fuja dos lugares-comuns (clichês).
  • Fuja também dos neologismos (novas palavras ainda não assimiladas pelos dicionários).
  • Use com  moderação as figuras de linguagem (somente quando realmente necessárias).
  • Sempre que possível, evite os estrangeirismos. 
  • Ouça o texto antes de considerá-lo pronto, tudo para corrigir possíveis cacofonias, má pontuação, redundâncias ou repetições evitáveis.
  • Lembre-se de que criatividade sem limites dá em lambança!

Em nosso livro Redação para Vestibulares, Concursos e Enem (disponível em www.amazon.com.br) você pode aprofundar esse estudo.

Agora é com você!

 

 

Saiba de tudo um pouco

A você, candidato ao Enem, vestibulares e demais concursos de nível médio, fica o conselho: é preferível, por enquanto, ser generalista a especialista.  

Embora, como é natural, haja as suas predileções de leitura, lembre-se de que, neste nível de escolaridade em que você se encontra, mais vale saber um pouco de muito do que muito de pouco.

Portanto, não descarte a possibilidade de ler sobre assuntos que não sejam do seu interesse imediato. Leia de tudo um pouco!

Crie o hábito de ler revistas semanais e jornais além de  acompanhar o noticiário nacional pela televisão ou internet.

Assim você ficará razoavelmente bem informado dos assuntos da atualidade, sobre os quais poderá ser solicitado(a) a emitir um parecer pessoal em questões de redação.

A propósito, quais são as notícias de hoje?

Você reconhece o valor semântico das preposições?

São várias as contribuições de significado das preposições como elos entre as fatias de enunciação de ideias de um texto de qualquer natureza.

Tirar o melhor proveito das construções frasais, às quais são imprescindíveis as preposições, é virtude de quem, como escritor, manipula bem os recursos de linguagem e, como leitor, reconhece com exatidão os possíveis sentidos conferidos pelas preposições.

Observe, no quadro abaixo, a título de exemplos, as contribuições semânticas das duas últimas preposições essenciais, as iniciadas pelas letras “s” e “t”:

sem Modo  Sem modos, a criança foi um tormento.
Condição Sem dedicação aos estudos, é melhor nem tentar.
Ausência Sonho sem idealismo é apenas ficção.
sob Lugar O tesouro está sob a ponte.
Causa Estude mais, sob o risco de não ser aprovado.
Proteção O réu esteve sob a guarda do Estado.
Sujeição O empregado acovardou-se sob as ameaças de demissão.
 sobre Lugar Deixei a pasta sobre a mesa.
Assunto Falar sobre futebol é o meu assunto preferido.
Especificação A minha comissão é de 10% sobre o preço de venda.
Preferência Gosto de ler sobre os demais passatempos.
 trás Posição Por trás do (locução prepositiva) palco, estarei lá.
Tempo Trás o (ou Depois do) seu discurso, imperou muita ansiedade.
Falsa aparência Trás o (ou Por trás do) seu sorriso, esconde-se um medo.

No livro Dissertação Nota Mil, do prof. Soares Elias, você encontra o quadro completo das possíveis relações de sentido das preposições.

Bons estudos!

Pense em soluções à situação-problema

Em textos dissertativo-argumentativos que tratem de situações-problema, não deixe de oferecer ao leitor as possíveis soluções para o caso.

Na correção do Enem, por exemplo, elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos, constitui a Competência 5, cujo valor é de 200 pontos, ou seja, tem o peso de 1/5 da prova.

Vale a pena, pois, investir em soluções para garantir boa nota.

Verifique se elas estão relacionadas ao tema e articuladas à discussão desenvolvida no texto, são praticáveis e não ferem  o bom-senso.

Sugerimos fazer isso na conclusão do seu trabalho embora não haja nenhuma imposição nesse sentido.

Ainda no plano das sugestões, pense em pelo menos três soluções (ou sugestões, conforme o caso), pois, dessa forma, você estará se destacando no universo de candidatos.

Ao apresentar soluções, procure responder  às perguntas QUEMO QUÊ, PARA QUÊ, COMO QUANDO, pois dessa forma as suas propostas de intervenção não cairão no vazio.

Para aprofundar esse estudo, adquira o nosso e-book Dissertação Nota Mil em www.amazon.com.br.

Bons estudos!

 

O que se espera de você na Competência 1 do Enem?

Para se dar bem na Competência 1 do Enem, aplique as regras básicas da gramática normativa da escrita dita culta em nossa língua.

Pontos que você não pode deixar de observar:

  • emprego dos sinais gráficos de acentuação (atenção especial ao acento grave nos casos de crase) e de pontuação, especialmente da vírgula;
  • observância das concordâncias e regências verbais e nominais;
  • uso de linguagem formal (ausência de oralidade, do uso de gírias e demais informalidades);
  • e emprego de vocabulário variado, claro, objetivo e preciso.

Agora é com você!

Como concluir uma dissertação

Há alunos que não sabem concluir um texto dissertativo e fazem o leitor, no último parágrafo, despencar em precipício sem volta.

Para evitar isso, observe as dicas que seguem:

Dê um toque final à redação, reafirmando o tema apresentado na Introdução, arrematando as ideias principais, ou a principal, e apresentando possíveis soluções para o problema discutido ao longo do desenvolvimento (o Enem valoriza muito esse item, chamado de Competência 5).

O uso da expressão inicial no parágrafo conclusivo é facultativo, mas, se você desejar usá-la, sugerimos “Em face dos argumentos acima desenvolvidos”, “Diante da argumentação acima”, “Sendo assim”, “Portanto”, “Conclui-se que…” ou qualquer outro conector similar.

Para textos de até 30 linhas, o parágrafo de conclusão não deve ir além de  cinco ou seis linhas .

Você poderá concluir  com uma interrogação que faça sentido com o que você tenha tratado no desenvolvimento do texto. Exemplo: A pergunta que ainda está sem resposta é esta: qual o melhor conjunto de soluções para o combate à violência urbana no Brasil? 

Evite conclusões evasivas do tipo “Por isso devemos esperar (por que esperar ao invés de agir?) que o governo (que governo?) tome as devidas providências (quais?) para solucionar (como?) o problema da evasão escolar no Brasil”.

Prefira apontar ao leitor possíveis soluções para o problema tratado pela questão. Seja ousado(a), não deixe para os outros as soluções que possam fluir de você.

Exemplo:  “O problema da evasão escolar no Brasil deve ser combatido pelos governos em todos os níveis da gestão pública com incentivos ao comparecimento dos alunos às suas escolas, tais como a contratação de professores qualificados e motivados, o oferecimento de suportes ao ensino e à socialização como bibliotecas, meios eletrônicos de comunicação, acesso à Internet,  quadras poliesportivas, merenda gratuita farta e variada, além de intervenções pedagógicas na elaboração de currículos que instiguem o aluno a dar continuidade aos estudos.”

Seja fiel ao seu planejamento. Não conclua sobre o que você não tenha considerado no desenvolvimento, mesmo que a ideia surgida no apagar das luzes do texto pareça-lhe brilhante; por isso é importante ser criterioso(a) no momento do planejamento do texto, a fim de não deixar de aproveitar os melhores argumentos e os mais adequados e oportunos exemplos, dados numéricos e demais referências.

Agora é treinar, treinar e…treinar.

Saiba como descrever

Observe as dicas que seguem para a concepção de um texto descritivo de até 30 linhas:

  • Não deve haver progressão temporal (antes ou depois).
  • O texto não admite mudanças (transformações) de estado (pelo ter, ser, querer ou poder).
  • Todos os enunciados devem referir-se a ações simultâneas (“congeladas”), como que numa fotografia; não há, portanto, anterioridades nem posterioridades.
  • Invertendo-se a apresentação dos enunciados, não deve haver alteração na ordem cronológica.
  • Para bem descrever, é preciso selecionar os detalhes, reagrupá-los e analisá-los para permitir ao leitor a concepção de uma imagem, não uma cópia.
  • É preciso saber observar, ter imaginação e dispor de recursos e critérios de expressão.
  • A descrição de seres vivos pode ser física (objetiva) ou psicológica (subjetiva).
  • Para a descrição de objetos, ambientes, paisagens, cenas e subjetividades, todos os cinco sentidos humanos (audição, visão, olfato, tato e paladar) servem de estímulos de observação e podem ser harmoniosamente acionados.

Exemplo: Joana, a aluna mais aplicada da turma, esguia e sempre bem disposta, sentava-se logo na primeira fila de carteiras e ouvia atentamente o que os professores ensinavam. Mesmo com apenas doze anos de idade, já revelava surpreendente maturidade para a sua idade. Reservada, dificilmente esboçava alguma emoção. Durante o recreio, seus gestos eram suaves como se estivesse bailando em pleno corredor; a sua fala mansa acalmava-nos. Todos a admiravam, exceto Carol.

Aprofunde esse estudo com a leitura do nosso livro Redação para Vestibulares, Concursos e Enem, como e-book ou livro impresso (entregamos em todo o Brasil).

Bons estudos!

Como bem interpretar o pedido da Questão de Redação?

Nem sempre o candidato desclassificado em vestibulares, concursos e Enem é aquele que não sabe escrever bem, haja vista que, muitas vezes, a dificuldade não reside na escrita propriamente dita, mas na leitura e interpretação do enunciado da proposta de redação.

Dessa forma, você corre o risco de produzir um texto que, mesmo gramaticalmente perfeito, seja mal planejado, mal estruturado e não responda ao que se peça. O desastre, nesses casos, é inevitável.

A depreensão do tema e das servidões do enunciado é um aspecto muito valorizado — não poderia ser diferente, não é mesmo? —, pois revela capacidade de leitura e interpretação do que se pede no enunciado, de análise das servidões a serem cumpridas e da articulação de argumentos.

O que fazer, então, diante de uma proposta de redação?

1º passo – Concentrar-se.

Significa esquecer tudo e todos à sua volta. Procure sentar-se confortavelmente. Deixe fora do salão de provas todos os seus problemas.

2º passo – Fazer a primeira leitura dos textos de apoio e do pedido da questão:

Neste momento, você estará tomando o primeiro contato com a proposta de redação e, naturalmente, envolto pelo clima de ansiedade decorrente da curiosidade quanto ao grau de dificuldade da questão. Essa primeira leitura deve ser corrida, de início ao término da proposta, mesmo que você não entenda bem o significado de todas as palavras ou expressões. Não assinale nada ainda no corpo do enunciado.

3º passo – Voltar à calma.

Respire fundo, acomode-se melhor, prepare-se para novas leituras.

4º passo – Reler os textos de apoio e o pedido da questão.

Agora, sim, com mais atenção, procurando entender o significado de todas as palavras ou expressões, frases, orações, períodos e parágrafos.

5º passo – Assinalar as servidões do pedido.

Grife os comandos dos verbos de ação. Costumamos dizer que o pedido é o general e nós, os soldados, por isso devemos obediência às ordens (servidões) emanadas.

6º passo: Reconhecer as implicações de cada servidão e a interdependência entre elas.

Depois de reconhecidas e grifadas as servidões, chega o momento de refletir sobre as implicações de seus significados, inicialmente cada uma de per si e, depois, no contexto. Somente após esse passo você estará em boas condições de planejar o seu texto.

 Pronto! Depois de passar por esses passos, você estará apto a planejar o texto!

Conheça as principais caraterísticas dos textos dissertativos

Dissertar requer a observância dos seguintes pontos:

  • A linguagem deve ser referencial (centrada no contexto), e denotativa.
  • Deve prevalecer a preocupação com a informação.
  • Impõe-se a objetividade.
  • O posicionamento crítico é valorizado.
  • A redação deve ser impessoal (não se usa “você” nem “eu”).
  • Divide-se em introdução, desenvolvimento e conclusão.
  • O vocabulário deve ser o culto (evitam-se as gírias).

Exemplo de um parágrafo dissertativo:

Não é fácil entender as atitudes insanas do ser humano. Que sentimentos, por exemplo, poderiam induzir uma jovem na sua pré-adolescência a nutrir atroz inveja de uma colega de classe a ponto de arquitetar maldades como colocar baratas vivas em sua pasta escolar somente por ser a mais dedicada da turma? As escolas precisam fazer de cada sala de aula um laboratório para, o mais cedo possível, corrigir possíveis desvios comportamentais que possam agravar-se nos adultos de amanhã.

Para chegar a um texto de até 30 linhas, você bem sabe disso, será preciso planejá-lo adequadamente a fim de a linha de pensamento e argumentação seja a mais fluente possível.

Bons estudos!