Categoria: Vestibulares

O que se espera de você na Competência 2 do Enem

A compreensão da proposta de redação é o nascedouro do seu texto.

Para isso, faça atenta leitura e as necessárias releituras da coletânea e do enunciado antes de começar a pensar no planejamento do texto.

Não se esqueça de que o texto deverá ser dissertativo-argumentativo em prosa, o que significa dizer que você deve demonstrar conhecer a estrutura de textos conforme o pedido da questão, tudo consoante você já aprendeu neste capítulo.

Procure abordar o tema em profundidade. Um texto raso em conteúdo, que apenas tangencie o tema, seguramente não receberá boa nota nessa competência.

A argumentação deve ser consistente, começando por uma introdução que sirva de apresentação do seu posicionamento crítico e dos argumentos que sejam desenvolvidos a seguir, preferencialmente na ordem crescente de importância. Finalmente, na conclusão, não deixe de confirmar a tese do texto e de oferecer propostas de intervenção que possam servir de soluções para a questão tratada.

Valha-se não apenas da coletânea, mas também do seu conhecimento de mundo, das suas experiências já adquiridas com a leitura de livros, viagens, pesquisas e interações pessoais.

Siga, ainda mais, as seguintes recomendações:

  • leia com atenção a proposta da redação e os textos motivadores, para compreender bem o que esteja sendo solicitado.
  • evite ficar preso(a) às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque são apresentados apenas para despertar uma reflexão sobre o tema e não para limitar sua criatividade.
  • não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles são apresentados apenas para despertar os seus conhecimentos sobre o tema.
  • reflita sobre o tema proposto para decidir como abordá-lo, tome um posicionamento crítico e levante argumentos que possam defendê-lo.
  • reúna todas as ideias que lhe ocorrerem sobre o tema, procurando organizá-las em uma estrutura coerente para usá-las no desenvolvimento do seu texto.
  • desenvolva o tema de forma consistente, de modo que o leitor possa acompanhar o seu raciocínio facilmente, o que significa que a progressão textual seja fluente e articulada com o projeto do texto.
  • lembre-se de que cada parágrafo deve desenvolver um tópico frasal, ou seja, você deverá estabelecer a correspondência de um parágrafo para cada argumento selecionado.
  • examine, com atenção, a introdução e a conclusão para ver se há coerência entre o início e o fim do texto.
  • utilize informações de várias áreas do conhecimento, demonstrando que você está atualizado em relação ao que acontece no mundo.
  • evite recorrer a reflexões previsíveis, que demonstrem pouca originalidade no desenvolvimento do tema proposto.
  • mantenha-se dentro dos limites do tema proposto, tomando cuidado para não se afastar do seu foco. Esse é um dos principais problemas identificados nas redações. Nesse caso, duas situações podem ocorrer: fuga total ou parcial do tema proposto.

Olho vivo!

Quando usar “avocar”, “evocar” e “invocar”

Observe a distinção entre palavras que se parecem, mas têm significados muito diferentes.

Veja as situações mais comuns nas quais os verbos abaixo podem ser empregados:

Avocar: no sentido de atribuir-se e chamar a si.

Exemplo: Avocou ao seu passado a vitória nas eleições.

Evocar: quando equivaler a resgatar alguma lembrança, lembrar.

Exemplo: O governador evocou a fidelidade que sempre recebeu do partido.

Invocar: no sentido de pedir a ajuda e chamar em auxílio. 

Exemplo: O padre invocou a presença de Deus.

Olho vivo!

Cuidado: não use “atentamente” no lugar de “atenciosamente”!

São duas palavras muito parecidas, mas com significados bem distintos.

Veja como melhor empregá-las:

– use “atentamente” no sentido de  estar atento, vigilante a alguma recomendação, regra ou atividade.

Exemplo: O jogador ouviu atentamente as orientações do técnico.

– empregue “atenciosamente” no sentido de alguém ser atencioso(a), educado(a) ou prestativo(a) com outra pessoa.

Exemplo: A enfermeira respondeu atenciosamente às perguntas da paciente.

Olho vivo!

Quando usar “aparte”, “à parte” e “a parte”.

Use aparte como substantivo masculino, significando interrupção, observação, comentário.

Exemplo: O deputado concedeu ao colega um aparte ao seu pronunciamento.

Prefira à parte no sentido de  em separado, anexo.

Exemplo: As provas materiais do inquérito seguem à parte. 

A parte nada mais é do que o artigo feminino “a” + o substantivo “parte”, no sentido de fração de um todo.

Exemplo: A parte que me cabe é a mais difícil da encenação.

Olho vivo!

 

Posso escrever “a nível de”?

Não escreva nem fale “a nível de”, pois é modismo descabido.

Você pode usar, sim, “ao nível de” no sentido de “à mesma altura”, “no mesmo patamar”.

Exemplos: Fortaleza está ao nível do mar. / O time está ao nível dos melhores do mundo.

Ainda  é possível “em nível de” para indicar nível funcional ou hierárquico.

Exemplos: A reunião será em nível de diretoria. / O problema será resolvido em nível estadual.

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Boa leitura!

 

 

Não confunda “ante” com “anti”

Esta é uma dúvida recorrente.

O melhor, por exemplo, é escrever “pomada ‘anti-inflamatória’ ou ‘anteinflamatória’?

Observe quando usar ante:

1. Como preposição, para indicar “diante de”, “perante”.

Exemplos: Ante a sua intolerância, não tive  alternativas. / O promotor compareceu ante a bancada governista.

2. Como prefixo, para expressar “anterioridade”, “anteposição”, “antevisão”.

Exemplos:  Antever situações adversas é responsabilidade do líder. / O anteprojeto está aprovado.

Quando usar anticomo prefixo, sugerindo contrariedade (antes de adjetivos).

Exemplos: A artilharia antiaérea foi decisiva na defesa da usina. / O movimento antirracista surtiu efeito.

Agora você já sabe: pomada só pode ser “anti-inflamatória”.

Olho vivo!

Quando usar “acerca de”, “a cerca de”, “há cerca de” e “cerca de”.

Esteja atento(a) à ortografia, pois qualquer descuido poderá ser-lhe prejudicial.

Veja a melhor redação para cada caso que segue:

“Acerca de” equivale a sobre, a respeito de: O novo prefeito discursou acerca de seus planos.

“A cerca de” anuncia uma distância aproximada ou tempo futuro não muito exato: O shopping fica a cerca de duas quadras da minha casa. /Estamos a cerca de três meses de nossa viagem à Europa.

“Há cerca de”  pode indicar tempo passado aproximado ou noção quantitativa não muito precisa: Há cerca de um mês, senti os primeiros sintomas. / Há cerca de 20 mil litros de água neste reservatório.

“Cerca de” diz respeito a quantidades aproximadasCerca de vinte alunos chegaram atrasados ao concerto.

Olho vivo!

Como se escreve: à vista ou a vista?

Depende de cada caso.

Veja bem:

Como locução feminina, use à vista.

Exemplo 1: Comprei o celular à vista.

A vista (artigo a + substantivo vista) não pede o acento grave.

Exemplo 2: A vista do Cristo Redentor é incomparável.

Para não errar mais,  é sempre bom fazer sumárias análises sintáticas de tudo que se escreva a fim de perceber as sutilezas do texto e reconhecer o mais adequado emprego da ortografia conforme cada construção frasal.

Olho vivo!

Siga bons exemplos em 2016

De lixeiro a médico: brasiliense vence pobreza e se forma em medicina
Cícero Batista Pereira venceu a fome para se formar em medicina. Parte da conquista se deve aos livros emprestados de paradas de ônibus

 

O médico de 33 anos recebeu ontem o diploma de graduação: 'Sinto muito orgulho de ter chegado até aqui' (Breno Fortes/CB/D.A Press)
O médico de 33 anos recebeu ontem o diploma de graduação: “Sinto muito orgulho de ter chegado até aqui”

Das latas de lixo, o brasiliense Cícero Batista Pereira, 33 anos, recolhia as verduras e os livros. Com o que os outros descartavam, ele se alimentava e também cursou o ensino fundamental e desenvolveu o interesse pela ciência. Na adolescência, fez curso técnico em enfermagem e teve a certeza de que a área de saúde era o caminho dele. Para chegar até o diploma de medicina, recebido ontem, Cícero cruzou a W3 Norte incontáveis vezes. A cada parada de ônibus, vasculhou as prateleiras do projeto Biblioteca Popular, do Açougue Cultural, em busca de títulos que o ajudassem na preparação para o vestibular. O hábito se manteve na graduação.

O ex-catador, nove irmãos e a mãe moravam na Nova QNL, o Chaparral, entre Taguatinga e Ceilândia. Eles percorriam os contêineres de supermercados e verdurarias da cidade para abastecer a casa. No horário contrário ao das aulas, Cícero também vigiava carros em busca de trocados para colaborar com o sustento. “Se a gente não comia, não tinha como estudar”, lembra.

Um dia, Cícero encontrou uma câmera fotográfica Polaroid em meio a sacolas e restos de refeições. Curioso com o equipamento, levou-o para casa e, então, descobriu que gostava daquilo. “Naquela noite, peguei a lente e fiquei observando piolhos. Então, lembrei que tinha visto na escola que o piolho é um artrópode, assim como as aranhas. Isso estimulou a minha vontade de saber mais sobre ciência”, conta.

A partir das lições sobre animais, o rapaz se interessou pelos conhecimentos relacionados à saúde humana, em razão, inclusive, do histórico familiar. Como o pai morreu quando ele tinha 3 anos e a mãe era dependente alcoólica, coube a Cícero cuidar dos irmãos. “Eu era o curandeiro lá de casa. Pegávamos comida no lixo, e, por isso, tínhamos muita disenteria e doenças de pele. Aí, eu usava receitas caseiras e plantas para fazer remédio para os meus irmãos”, explica. A higienização dos alimentos era feita com limão. “A gente colocava tudo de molho, lavava bem, mas não resolvia totalmente o problema”, conta.

(Maryna Lacerda, Correio Braziliense, 7/6/14)

Quais as cinco competências observadas na redação do Enem?

Os professores avaliarão as seguintes competências em sua redação:

Competência 1: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Agora é com você!