Categoria: Enem

Quando usar o Modo Subjuntivo

O Modo Subjuntivo, na linguagem oral, nem sempre tem sido observado e anda meio fora de moda.

No texto escrito, entretanto, existem situações em que ele se impõe.

Veja quando melhor empregar os verbos em seus três tempos:

  • presente: para indicar fatos presentes ou futuros em relação ao Momento da Fala (introduzidos por orações subordinadas) ou desejos.

Exemplo: A população espera que o governo contenha a inflação.

  • pretérito imperfeito: para remeter o leitor a ações passadas, presentes ou futuras em relação ao verbo da oração principal.

Exemplo: Os sindicatos suspenderiam a greve se o governo concedesse o aumento pleiteado.

  • futuro: para indicar eventualidades (introduzidos por orações subordinadas).

Exemplo: O governo tomará as providências cabíveis se os amotinados libertarem os reféns.  

Não deixe de treinar,treinar e treinar a produção textual!

Bons estudos!

Como melhor usar o Modo Indicativo

Em dissertações, dominar a ordenação do tempo com o adequado uso dos modos e tempos verbais facilita o desenvolvimento de teses.

No universo de cada modo, há diferentes empregos dos tempos verbais.

Observá-los poderá contribuir para a clareza de sua dissertação.

Quanto ao Modo Indicativo, decida sobre um dos seguintes tempos verbais conforme cada situação:

  • presente: para indicar fatos simultâneos ao Momento da Fala (MF), verdades científicas, ações habituais, atualizações do passado, indicações de um futuro muito próximo e certo e, eventualmente, substituir o imperativo: Brasília é a capital do Brasil.
  • pretérito imperfeito: para denunciar fatos anteriores ao MF, mas ainda não concluídos; para exprimir fatos habituais ou ações em curso: Ao término do período, a população estava revoltada.
  • pretérito perfeito: para remeter o leitor a fatos passados em relação ao MF, mas já findos, ou a fatos não habituais; ainda para indicar ações momentâneas: Houve bons motivos para a rebelião.
  • pretérito mais-que-perfeito: para deslocar o leitor a fatos passados, já concluídos, tomados em relação a um outro passado (no passado do passado em relação ao MF): O povo já antecipara o impeachment do presidente (tinha ou havia antecipado).
  • futuro do presente: para remeter o leitor a fatos posteriores ao MF e tidos como certos; ainda para indicar a emissão de ordens: As medidas governamentais resolverão apenas em parte o problema.
  • futuro do pretérito: para levar o leitor a fatos futuros, mas tomados em relação a um passado ao MF; poderá indicar dúvida, desejo, surpresa, ou ainda fatos não realizados:  Passado algum tempo, o governo repetiria os erros do passado.

Olho vivo!

Saiba ordenar o tempo em dissertações

Especialmente em dissertações que se valham de retrospectivas, você deve imaginar uma linha do tempo (LT) sobre a qual  possam se suceder os  marcos históricos do texto – anteriores ao passado, passados, presentes, anteriores ao futuro e futuros, nessa sequência cronológica –, tomados em relação ao Momento da Fala (MF) de quem escreve (presente).

Para tirar proveito de retrospectivas como estratégia de valorização do seu posicionamento crítico e fortalecimento da argumentação, é importante eleger pontos notáveis a serem considerados como suportes da sua argumentação e estar seguro(a) do melhor escalonamento deles ao longo da LT.

Para isso, é fundamental ter cultura geral que possa servir de banco de dados e informações históricas a serem aplicadas ao texto, além de dominar as flexões verbais e saber muito bem empregar os diferentes modos e tempos verbais.

Guarde bem: a atitude de quem disserta pode ser perfeitamente modulada pelo adequado uso dos modos verbais.

Veja como melhor empregar cada Modo:

  •  Indicativo, em princípio, deve prevalecer em situações que indiquem certeza ou precisão da realização da ação sugerida pelo verbo.

Exemplo: O Brasil localiza-se na América do Sul. (não há dúvidas a respeito dessa afirmativa.)

  • Subjuntivo, em tese, quando houver incertezas quanto à concretização da ação sugerida pelo verbo.

Exemplo: Se as passeatas forem ordeiras, (no campo das possibilidades) a população apoiará os seus clamores. 

  • Imperativo não deve ser usado em dissertações. Cabível, entretanto, em outros tipos de texto, especialmente os narrativos.

Não se contente apenas com a teoria!

É preciso treinar…treinar…e treinar!

Como produzir dissertações baseadas em retrospectivas

Em boa parte das vezes, as questões de Redação estão relacionadas a fatos históricos ou fenômenos sociais  sobre os quais se pede ao(à) candidato(a) o levantamento de uma tese (opinião) a respeito de determinado questionamento.

Por exemplo, considere a seguinte Proposta de Redação:

A rapidez e eficiência dos meios eletrônicos de comunicação dão-nos a sensação de estarmos vivendo numa aldeia global. Mas nem sempre foi assim. PedidoConsiderando a célere evolução desses recursos tecnológicos, conclua sobre as repercussões na qualidade de interação entre pessoas e estados.

Para um texto de até 30 linhas, sugerimos  eleger três marcos históricos para pontuar a sua retrospectiva, do mais afastado para o mais próximo.

O texto poderá ficar assim esquematizado:

  • Introdução: breve contextualização (se for o caso) + tese + apresentação de três marcos históricos (do mais distante ao mais próximo) + plano de curso  + objetivo(s) do texto.
  • 2º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico mais distante).
  • 3º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico intermediário).
  • 4º parágrafo: retrospectiva (em função do marco histórico mais recente).
  • Conclusão: expressão inicial (facultativa) + retomada da tese (sob uma perspectiva histórica) + apresentação das repercussões da aludida evolução tecnológica na qualidade de interação entre pessoas e estados* + apreciação final.

*ou soluções à situação-problema da questão (competência 5 do Enem), se for o caso.

Agora é treinar…treinar…e treinar!

Frases siamesas, por que evitar

  • Frases siamesas são as que estão juntas quando deveriam estar separadas pela inadequação no emprego de  conectores e sinais de pontuação.

Exemplo: Estou indisposto faltarei ao jantar irei ao hospital.

Comentário: veja que nessa construção há três verbos – Estou, faltarei, irei – que denunciam a presença de três orações unidas entre si quando deveriam estar articuladas por conectores que estabelecessem relações de implicação entre elas ou simplesmente separadas por sinais de pontuação.

Corrigindo: Faltarei ao jantar, pois estou indisposto. Irei ao hospital.

  • Dicas para você evitar as frases siamesas:

1ª) Faça uma sumária análise sintática para identificar as orações do período (procure identificar os sujeitos e grifar os verbos).

2ª) Reconheça a mais adequada relação de implicação existente entre elas dentro do contexto do período e do parágrafo.

3ª) Verifique se estão devidamente articuladas, interligadas coerentemente; do contrário, busque sinais de pontuação e conectores que possam separá-las convenientemente e dar sentido ao texto.

Exemplo: O goleiro ficou contrariado teria de continuar com o treinamento depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

Corrigindo (quatro possíveis redações):

O goleiro ficou contrariado. Teria de continuar com o treinamento depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

O goleiro ficou contrariado; mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados, teria de continuar com o treinamento.

Porque teria de continuar com o treinamento, mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados, o goleiro ficou contrariado.

O goleiro ficou contrariado porque teria de continuar com o treinamento mesmo depois de os demais jogadores terem sido dispensados.

Olho vivo!

Frases fragmentadas, prejuízo certo ao texto

  • Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento.

Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida a visualização do encadeamento das ideias.

Exemplo: Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada)

Correção: Eu estava perdida em São Paulo,  mesmo consultando o mapa da cidade, (oração subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial temporal)

  • Dicas para não fragmentar o texto:

1ª) Observe se a sua oração tem sujeito e verbo. Do contrário, não se trata de oração completa e muito provavelmente seja apenas aposto, adjunto adverbial ou qualquer termo acessório.

Exemplo: País de dimensões continentais. O Brasil destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.

Correção: O Brasil, país de dimensões continentais, destaca-se na América do Sul como o de maior extensão territorial.  

2ª) Evite começar um período por conjunção subordinativa, pronome relativo ou verbo numa das três formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio passado).

Exemplo 1: De que deveríamos estudar mais. O professor já nos tinha alertado.

Correção: O professor já nos tinha alertado de que deveríamos estudar mais.

Exemplo 2: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperando assim ser chamado por um time europeu.

Correção: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo, esperando, assim, ser chamado por um time europeu.

Detectada uma frase fragmentada, você pode atuar de duas maneiras: mudar sua posição, para ligá-la à frase seguinte (como no exemplo anterior) ou reescrevê-la: O atleta rescindiu contrato com o Flamengo. Esperava, assim, ser chamado por um time europeu.

Olho vivo!

Tire o melhor proveito possível das preposições

As preposições, como você já sabe, estabelecem relações de sentido entre vocábulos de uma oração e entre orações, períodos e parágrafos de um texto.

É sempre bom lembrar que as preposições são invariáveis e não exercem funções sintáticas.

Entre as ditas essenciais (aquelas que funcionam apenas como preposição) estão: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

As demais são acidentais (nem sempre atuam como preposição), dentre as quais se destacam: afora, menos, salvo, exceto, consoante, durante, conforme, senão, segundo.

Apenas como exemplos, observe as preposições que começam pela letra “a” do nosso alfabeto.

Constate que são múltiplos os sentidos que elas poderão dar texto:

Preposição     Sentidos                            Exemplos
        a

 

 

 

Condição A continuar insistindo, você consegue.
Direção Visitei o Rio de Janeiro de norte a sul.
Fim Esforcei-me a conquistar esta medalha.
Meio Passei a muita dedicação aos estudos.
Lugar Vou ao cinema.
Conformidade Respondi-lhe ao modo antigo.
Preço Comprei tudo a preço de banana.
Concessão Nada quero a não ser os meus direitos.
Tempo Ao chegar, avise-me.
Instrumento Escrevi o texto a caneta.
Modo Chorei aos prantos.
Semelhança O bebê não saiu a vocês.
Gradação Ano a ano estamos crescendo profissionalmente.
Posse O policial tirou o punhal ao assaltante.
   ante Lugar Deixei o documento ante a televisão.
Causa Ante a sua recusa, desisto de negociar.
   após Lugar Encontrá-lo-ei após a cantina.
Tempo Após a palestra quero conversar com você.
    até Limite de lugar Correrei até o final da praia.
Limite de tempo Aguardaremos até amanhã.
Limite numérico

Posso engordar até 3 quilos.

Quando usar “avocar”, “evocar” e “invocar”

Observe a distinção entre palavras que se parecem, mas têm significados muito diferentes.

Veja as situações mais comuns nas quais os verbos abaixo podem ser empregados:

Avocar: no sentido de atribuir-se e chamar a si.

Exemplo: Avocou ao seu passado a vitória nas eleições.

Evocar: quando equivaler a resgatar alguma lembrança, lembrar.

Exemplo: O governador evocou a fidelidade que sempre recebeu do partido.

Invocar: no sentido de pedir a ajuda e chamar em auxílio. 

Exemplo: O padre invocou a presença de Deus.

Olho vivo!

Cuidado com a palavra “mesmo(a)”!

Não seja traído(a) pelo que você ouve na televisão com relação ao emprego da palavra “mesmo(a)”.

Atente para as situações nas quais será possível empregá-la com segurança:

  • modificando os pronomes eu, tu, nós e vós: Eu mesma já o havia aconselhado!
  • como pronome neutro: Fizemos o mesmo (a mesma coisa), embora com mais economia.
  • como advérbio: Não adianta, ele não quer mesmo ir à praia.
  • para dar mais ênfase e distinção entre a pessoa ou coisa determinada pelos demonstrativos este, esse, aquele: Este mesmo testamento nós subscrevemos.
  • para identificar, comparativamente, uma pessoa ou coisa: Esta roupa é a mesma de ontem.

Ainda mais: com o significado de…

  • em pessoa, próprio, idêntico: Raquel, apesar dos seus 20 anos, continua a mesma criança de sempre.
  • … igualmente: Espere assim mesmo nas providências divinas.
  • … apesar disso, contudo, ainda assim: Assim mesmo eu o amo.
  • … desse mesmo modo, como estais dizendo: Aconteceu tudo assim mesmo.
  • … próprio(a): Exonerou-se apesar do desaconselho de nós mesmos.

Atenção: erro muito frequente é o emprego do demonstrativo “mesmo(a)” com função pronominal em construções como estas: Vou à casa de minha mãe; falarei com a mesma sobre o assunto. / O médico gaguejou quando o mesmo viu o estado da criança.

Corrigindo: Vou à casa de minha mãe, com a qual falarei sobre o assunto. / O médico gaguejou quando viu o estado da criança.

Agora é com você!

Dê atenção aos conectores

Observe o seguinte fragmento:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois a sua prática, se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. Em vista disso, as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil ao mundo literário. Sendo assim, ao término do Ensino Médio, os discentes  já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo e estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

O parágrafo lido está bem construído, uma vez que tem a sua tese muito bem destacada, logo nas primeiras linhas ─ A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes ─ e está desenvolvido de forma coesa e coerente, já que em nenhum momento cai em contradição ou apresenta extravagâncias que comprometam o bom-senso,  graças ao emprego adequado de diferentes elos.

Releia-o e perceba a contribuição dos elos sintáticos e semânticos em destaque:

A leitura é fundamental ao desenvolvimento da capacidade argumentativa dos estudantes, pois (conector sequencial: adverte o leitor de que seguirá uma explicação da tese do parágrafo) a sua prática (conector referencial: remete o leitor à palavra leitura e evita a sua repetição), se adquirida logo na primeira infância, tem grandes chances de aguçar o senso crítico dos jovens. (conector referencial: remete o leitor à palavra estudantes e evita a sua repetição)  Em vista disso, (conector recorrencial: cria no leitor a expectativa sobre possíveis relações de implicação) as escolas de base devem incentivar o acesso das crianças a bibliotecas e (conector sequencial: a conjunção aditiva indica a apresentação de nova ideia) estimular atividades lúdicas de inserção desse público infantil (conector referencial: remete o leitor à palavra crianças e evita a sua repetição) ao mundo literário. (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) Sendo assim, (conector recorrencial: prepara o leitor para a conclusão do parágrafo) ao término do Ensino Médio, os discentes (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra  estudantes e evita a sua repetição) já terão assimilado saudáveis hábitos de observação do mundo (conector referencial: remete o leitor novamente à palavra leitura e evita a sua repetição) e (conector referencial por elipse: a ausência do sujeito os discentes evita a repetição dessas palavras, sem prejuízos à clareza do texto, pois são de fácil depreensão) estarão aptos a disputar vagas de acesso ao Ensino Superior.

Percebeu a importância dos conectores?

Agora é com você! Procure produzir pelo menos dois textos por semana.

Bom trabalho!