Autor: Paulo Roberto Soares Elias

Seja claro(a) ao argumentar

A palavra texto, como você sabe, significa “tecido”.

Com efeito, trata-se de um tecido composto de palavras que se reúnem em orações, orações que formam períodos e períodos que constituem parágrafos, os quais, perfeitamente encadeados, dão sentido ao texto.

É o que se espera de sua redação.

Assim acontece com quem se dispõe a escrever: não basta ter ideias – embora elas sejam o nascedouro de qualquer texto.

É preciso saber articulá-las adequadamente de modo a produzir os melhores efeitos em cada construção frasal.

Já que o texto começa a ser costurado desde a sua origem, passando pela produção de parágrafos, tidos como unidades de composição, devemos tomar todo cuidado com a clareza em todos os estágios da produção textual.

Uma boa dica para escrever bem – com clareza acima de tudo – é observar a seguinte ordem de disposição dos termos da oração: Sujeito + Verbo + Complementos, um padrão de construção frasal em língua portuguesa.

Mantenha, pois, o padrão SVC em nome da clareza, embora nada impeça de você criar algumas inversões para dar novo dinamismo ao texto ou evidenciar determinada informação.

Quanto ao mais, treine a produção textual à exaustão!

Sucesso!

Deu branco? Mantenha a elegância!

É bem possível que, apesar de conhecer o assunto sobre o qual a questão de redação esteja relacionada, você sinta certo bloqueio antes de escrever as primeiras linhas da introdução.

Isso pode ser consequência de diversos fatores, dentre os quais os mais comuns são insegurança, excesso de ansiedade e tensão diante do pouco tempo disponível para a produção textual em ambiente de prova.

Pois bem, o que fazer então? Entregar a folha em branco e estudar mais um ano até a próxima oportunidade? Escrever o que vier à cabeça a fim de livrar-se dessa incômoda tarefa? Absolutamente não!

A primeira atitude recomendada diante da ameaça de “branco” é manter a elegância e não começar a escrever imediatamente!

Respire fundo, dê um tempo para voltar à calma.

A seguir, concentre-se no tema!

Releia os textos de apoio e os enunciados quantas vezes necessárias até você sentir-se seguro(a) das servidões do enunciado.

Não permita que a mente divague.  Pense apenas no que estiver sendo pedido a você.

Lembre-se de que a banca de correção  não estará esperando algum tratado sobre este ou aquele assunto; basta, portanto, em casos de dissertação, por exemplo, que você tenha uma ideia formada sobre o que escrever e alguns argumentos que possam sustentar a sua opinião (tese).

Procure levantar ideias que sejam pertinentes, mesmo que você esteja com aquela sensação de vazio, ou seja, de não saber nada sobre o assunto da questão de redação.

Acredite no seu potencial e vá em frente!

Ah, não deixe de treinar…treinar…e treinar!

Como buscar ideias para textos publicitários

Escrever textos publicitários requer não somente inspiração.

É preciso também buscar desencadeadores de ideias a fim de obter o melhor proveito possível da veiculação do texto em benefício da divulgação de  determinado produto.

Ao planejá-lo, pense em pelo menos três possíveis vantagens a serem oferecidas aos adquirentes como forma de atraí-los para o seu produto:

  • vantagens quantitativas. Ex: Pague em até 6x no cartão!
  • vantagens qualitativas. Ex.: O nosso produto é usado por 9 entre 10 estrelas do cinema.
  • vantagens ideológicas. Ex.: Experimente e conquiste a juventude! 

Lembre-se de que a função predominante da linguagem deverá ser a apelativa, centrada no receptor (consumidor).

O  texto deverá ser atraente e combinado com imagens, sons e até odores que possam fortalecer o apelo em favor do que estiver sendo divulgado.

Se desejar aprofundar esse estudo, adquira o nosso livro Redação para Vestibulares, Concursos e Enem, no site da Amazon. 

Como livro impresso, em Fortaleza, você poderá encontrá-lo na livraria Acadêmica do Shopping Aldeota.

Boa leitura!

Desencadeadores de ideias para textos narrativos

Observe algumas dicas importantes para você não ter dificuldade de levantar ideias para a produção de textos narrativos:

Mesmo que fortemente figurativos, lembre-se de que os textos narrativos têm como pano de fundo uma tese a ser desenvolvida, ou seja, uma opinião a ser defendida; comece, portanto, por ela.

Escolha o cenário e os personagens com os quais você possa criar enunciados que constituam um enredo baseado em conflitos que gerem crescente tensão até chegar ao clímax, para posterior desfecho e conclusão.

Mesmo que não necessariamente nesta ordem (mas recomendável para iniciantes), você poderá, quanto aos personagens, pensar na seguinte sequência de eventos:

  • manipulação, quando um personagem induz outro(s) a realizar ou deixar de realizar determinada(s) ação(ões) pelo querer e/ou dever;
  • competência, quando os atores do texto adquirem saber(es) e/ou poder(es) que os habilitem ou não a realizar determinada(s) ação(ões);
  • performance, quando se dá a ocorrência de ação(ões);
  • sanção, quando os personagens são punidos ou recompensados pela(s) ação(ões) executada(s).

Pense no enredo. De nada adiantará você ficar apenas com o tema e não desenvolvê-lo mediante um fio condutor que lhe dê sustentabilidade.

Para desenvolver o enredo, faça a si mesmo(a) as perguntas desencadeadoras de ideias para textos narrativos:

  • Onde tudo acontecerá? (localização espacial)
  • Quando tudo ocorrerá? (localização temporal)
  • Quais e como serão os atores das ações criadas por mim? (personagens)
  • Como desenvolverei o texto: em primeira ou terceira pessoa?
  • Quem será o protagonista?
  • Que conflitos deverei criar?
  • E assim por diante…

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Como buscar ideias para textos descritivos

Puramente descrever não é tão fácil quanto parece.

Observe, assim, as dicas que seguem:

Inicialmente, identifique o que deva ser descrito. Diferentes possibilidades poderão existir: descrever seres vivos, por exemplo, é muito diferente de descrever ambientes ou paisagens.

Lembre-se de que você pode descrever não apenas pelo que vê, mas também pelo que possa sentir diante do objeto da descrição. É uma dinâmica multissensorial.

Como descrever em textos de até 30 linhas?

Na introdução, reconheça o aspecto geral do que venha a ser descrito, considerando o que possa ser mais relevante do todo, ou seja, a primeira impressão, de forma real ou fictícia.

A seguir, nos parágrafos mediais, descreva as partes desse todo, de modo a permitir ao leitor captar harmoniosamente os detalhes de cada segmento.

Você pode, como sugestão, estabelecer a correlação de um parágrafo para cada parte ou conjunto de partes a serem descritas.

Não se esqueça de esclarecer ao leitor o critério usado por você no levantamento e na enunciação de cada segmento.

No parágrafo de conclusão, destaque o todo pelo seu aspecto mais relevante e emita uma apreciação final

Lembre-se de que, ao descrever, você deve estancar a evolução temporal do seu texto.

Assim, não deverá haver anterioridades nem posterioridades (mudanças de estado), motivo pelo qual sugerimos evitar o uso de expressões que sugiram o andamento do tempo, como depois, a seguir, no dia seguinte, ao entrar, subindo (descendo) e outras mais.

Agora treine, pois somente assim você sentirá as dificuldades da descrição.

Descreva, por exemplo, uma caneta esferográfica do tipo Bic em até 30 linhas.

Entregue o texto para a avaliação de quem entenda do assunto.

Bom trabalho!

Como desenvolver uma argumentação em até 30 linhas

A função do desenvolvimento de um texto dissertativo de até 30 linhas é expandir a tese (opinião a respeito de determinado assunto) apresentada na Introdução.

Existem várias maneiras de você organizar o desenvolvimento de um texto dissertativo, dentre as quais: enumeração, exemplificação, comparação, citação, definição, apresentação de dados estatísticos, causa e efeito, iniciativa e consequência, descrição de detalhes.

Os exemplos e as citações, desde que breves, são muito bem-vindos ao desenvolvimento. Importante: recomendamos avaliar se essas inserções irão mesmo contribuir para o fortalecimento da argumentação ou não passarão de mero preenchimento de linhas.

Ah, não deixe de citar as fontes de onde você possa ter colhido os dados.

Atenção: evite simplesmente copiar dados numéricos e demais informações dos textos de apoio à proposta. Faça uso deles, sim, como pontos de apoio à sua argumentação mediante implicações que eles possam provocar, jamais como meras transcrições divorciadas do texto.

É importante também observar se os encadeamentos entre os enunciados estão bem articulados (coesos) e coerentemente relacionados.

Em textos argumentativos de vestibulares, concursos e Enem, o desenvolvimento deve convencer o leitor da validade da ideia central do texto.

Por exemplo, se a intenção for provar que “fumar faz mal à saúde”, alguns dos argumentos poderão ser: “a nicotina causa dependência química”, “o fumo diminui a capacidade respiratória” e, o que é mais grave, “o vício pode levar à morte por enfisema pulmonar.” Agora é só desenvolvê-los em seus respectivos parágrafos (na ordem crescente de importância).

Finalmente, anote bem: é pecado mortal (suicídio!) cair em contradição. Portanto, planeje bem o texto antes de começar a escrevê-lo.

Não deixe de treinar à exaustão!

Sugerimos dois textos por semana (pelo menos!).

Você reconhece o valor semântico das preposições?

São várias as contribuições de significado das preposições como elos entre as fatias de enunciação de ideias de um texto de qualquer natureza.

Tirar o melhor proveito das construções frasais, às quais são imprescindíveis as preposições, é virtude de quem, como escritor, manipula bem os recursos de linguagem e, como leitor, reconhece com exatidão os possíveis sentidos conferidos pelas preposições.

Observe, no quadro abaixo, a título de exemplos, as contribuições semânticas das duas últimas preposições essenciais, as iniciadas pelas letras “s” e “t”:

sem Modo  Sem modos, a criança foi um tormento.
Condição Sem dedicação aos estudos, é melhor nem tentar.
Ausência Sonho sem idealismo é apenas ficção.
sob Lugar O tesouro está sob a ponte.
Causa Estude mais, sob o risco de não ser aprovado.
Proteção O réu esteve sob a guarda do Estado.
Sujeição O empregado acovardou-se sob as ameaças de demissão.
 sobre Lugar Deixei a pasta sobre a mesa.
Assunto Falar sobre futebol é o meu assunto preferido.
Especificação A minha comissão é de 10% sobre o preço de venda.
Preferência Gosto de ler sobre os demais passatempos.
 trás Posição Por trás do (locução prepositiva) palco, estarei lá.
Tempo Trás o (ou Depois do) seu discurso, imperou muita ansiedade.
Falsa aparência Trás o (ou Por trás do) seu sorriso, esconde-se um medo.

No livro Dissertação Nota Mil, do prof. Soares Elias, você encontra o quadro completo das possíveis relações de sentido das preposições.

Bons estudos!

O que se espera de você na Competência 1 do Enem?

Para se dar bem na Competência 1 do Enem, aplique as regras básicas da gramática normativa da escrita dita culta em nossa língua.

Pontos que você não pode deixar de observar:

  • emprego dos sinais gráficos de acentuação (atenção especial ao acento grave nos casos de crase) e de pontuação, especialmente da vírgula;
  • observância das concordâncias e regências verbais e nominais;
  • uso de linguagem formal (ausência de oralidade, do uso de gírias e demais informalidades);
  • e emprego de vocabulário variado, claro, objetivo e preciso.

Agora é com você!

Como concluir uma dissertação

Há alunos que não sabem concluir um texto dissertativo e fazem o leitor, no último parágrafo, despencar em precipício sem volta.

Para evitar isso, observe as dicas que seguem:

Dê um toque final à redação, reafirmando o tema apresentado na Introdução, arrematando as ideias principais, ou a principal, e apresentando possíveis soluções para o problema discutido ao longo do desenvolvimento (o Enem valoriza muito esse item, chamado de Competência 5).

O uso da expressão inicial no parágrafo conclusivo é facultativo, mas, se você desejar usá-la, sugerimos “Em face dos argumentos acima desenvolvidos”, “Diante da argumentação acima”, “Sendo assim”, “Portanto”, “Conclui-se que…” ou qualquer outro conector similar.

Para textos de até 30 linhas, o parágrafo de conclusão não deve ir além de  cinco ou seis linhas .

Você poderá concluir  com uma interrogação que faça sentido com o que você tenha tratado no desenvolvimento do texto. Exemplo: A pergunta que ainda está sem resposta é esta: qual o melhor conjunto de soluções para o combate à violência urbana no Brasil? 

Evite conclusões evasivas do tipo “Por isso devemos esperar (por que esperar ao invés de agir?) que o governo (que governo?) tome as devidas providências (quais?) para solucionar (como?) o problema da evasão escolar no Brasil”.

Prefira apontar ao leitor possíveis soluções para o problema tratado pela questão. Seja ousado(a), não deixe para os outros as soluções que possam fluir de você.

Exemplo:  “O problema da evasão escolar no Brasil deve ser combatido pelos governos em todos os níveis da gestão pública com incentivos ao comparecimento dos alunos às suas escolas, tais como a contratação de professores qualificados e motivados, o oferecimento de suportes ao ensino e à socialização como bibliotecas, meios eletrônicos de comunicação, acesso à Internet,  quadras poliesportivas, merenda gratuita farta e variada, além de intervenções pedagógicas na elaboração de currículos que instiguem o aluno a dar continuidade aos estudos.”

Seja fiel ao seu planejamento. Não conclua sobre o que você não tenha considerado no desenvolvimento, mesmo que a ideia surgida no apagar das luzes do texto pareça-lhe brilhante; por isso é importante ser criterioso(a) no momento do planejamento do texto, a fim de não deixar de aproveitar os melhores argumentos e os mais adequados e oportunos exemplos, dados numéricos e demais referências.

Agora é treinar, treinar e…treinar.

Saiba como descrever

Observe as dicas que seguem para a concepção de um texto descritivo de até 30 linhas:

  • Não deve haver progressão temporal (antes ou depois).
  • O texto não admite mudanças (transformações) de estado (pelo ter, ser, querer ou poder).
  • Todos os enunciados devem referir-se a ações simultâneas (“congeladas”), como que numa fotografia; não há, portanto, anterioridades nem posterioridades.
  • Invertendo-se a apresentação dos enunciados, não deve haver alteração na ordem cronológica.
  • Para bem descrever, é preciso selecionar os detalhes, reagrupá-los e analisá-los para permitir ao leitor a concepção de uma imagem, não uma cópia.
  • É preciso saber observar, ter imaginação e dispor de recursos e critérios de expressão.
  • A descrição de seres vivos pode ser física (objetiva) ou psicológica (subjetiva).
  • Para a descrição de objetos, ambientes, paisagens, cenas e subjetividades, todos os cinco sentidos humanos (audição, visão, olfato, tato e paladar) servem de estímulos de observação e podem ser harmoniosamente acionados.

Exemplo: Joana, a aluna mais aplicada da turma, esguia e sempre bem disposta, sentava-se logo na primeira fila de carteiras e ouvia atentamente o que os professores ensinavam. Mesmo com apenas doze anos de idade, já revelava surpreendente maturidade para a sua idade. Reservada, dificilmente esboçava alguma emoção. Durante o recreio, seus gestos eram suaves como se estivesse bailando em pleno corredor; a sua fala mansa acalmava-nos. Todos a admiravam, exceto Carol.

Aprofunde esse estudo com a leitura do nosso livro Redação para Vestibulares, Concursos e Enem, como e-book ou livro impresso (entregamos em todo o Brasil).

Bons estudos!