Autor: Paulo Roberto Soares Elias

Argumente com impessoalidade

O texto dissertativo argumentativo deve primar pela impessoalidade.

Dessa forma,  não use a primeira pessoal do singular (“eu”) na condução da argumentação.

Quando você traz a argumentação para a primeira pessoa, o texto fica contaminado pelo personalismo de quem disserta e pode descambar para o emocionalismo, a generalização e o radicalismo, dentre outros vícios de pensamento, conforme o viés do autor.

Toda opinião formada, portanto, deve ser emanada na forma de tese.

Exemplo: A corrupção maculou a imagem da Petrobras.

Observe o exemplo de um fragmento problemático: Constatei muitos danos depois da tempestade tropical.

Corrigindo: Constataram-se muitos danos depois da tempestade tropical.

O uso dos verbos no modo infinitivo pode ser bom recurso para evitar a pessoalidade da argumentação.

Exemplo: Constatar muitos danos depois da tempestade tropical dimensionou a gravidade da situação.

Você pode ainda optar pela substantivação do verbo.

Exemplo: A constatação de muitos danos depois da tempestade tropical dimensionou a gravidade da situação.

Olho vivo!

Como argumentar com clareza

A palavra texto, como você sabe, significa “tecido”.

Com efeito, trata-se de um tecido composto de palavras que se reúnem em orações, orações que formam períodos e períodos que constituem parágrafos, os quais, perfeitamente encadeados, dão sentido ao texto.

É o que se espera de sua redação.

Assim acontece com quem se dispõe a escrever com clareza: não basta ter ideias, embora elas sejam o nascedouro de qualquer texto, nem apenas conhecer as estruturas textuais, não obstante a sua importância à concepção de qualquer tipo de texto.

É preciso também desenvolver uma linha de pensamento muito bem articulada por meio de uma linguagem coesa, coerente e concisa.

Já que o texto começa a ser costurado desde a sua origem, passando pela produção de parágrafos, tidos como unidades de composição, devemos tomar todo cuidado com a clareza em todos os estágios da produção textual.

Enquanto você estiver na fase dos treinamentos para a realização das provas de redação, crie o hábito de ler em voz alta o que escreveu, procurando perceber se todos os enunciados ficaram bem encadeados.

Observe também a ocorrência de possíveis deslizes estruturais que possam comprometer a clareza do texto, tais como a repetição desnecessária de ideias e a contradição.

Um conselho: não deixe de treinar a produção textual pelo menos duas vezes por semana e de submeter os textos à avaliação de quem entenda do assunto!

 

As mil e uma aparições dos “quês”

Saber distinguir a que classes gramaticais pertençam os “quês” e reconhecer as suas possíveis funções sintáticas em cada construção frasal é ponto ganho em questões objetivas de gramática e interpretação de textos, além de prenúncio de boa fluência linguística.

Recorde as possibilidades de emprego dos “quês” nas frases que seguem:

  • substantivo: Você está com um quê de mistério.
  • pronome relativo: Comprei o livro que você me recomendou.
  • pronome indefinido: Que loucura!
  • advérbio: Que grande o seu sofrimento!
  • interjeição: Quê! Ainda não fui claro com você?!
  • preposição: Os alunos tiveram que sair às pressas da sala.
  • partícula expletiva: O ciclista é que foi imprudente.
  • conjunção integrante: O professor já alertara que a prova seria difícil.
  • conjunção consecutiva:  O frio era tanto que doía no rosto.
  • conjunção comparativa: Eles jogaram mais que nós.
  • conjunção explicativa: Acalme-se, que amanhã tudo será resolvido.
  • conjunção temporal: Já havia bom tempo que dali mudáramos.
  • conjunção subordinativa final: Criarei poesias, que refrigério sejam da alma triste.
  • conjunção subordinativa concessiva: Indiferentes que fossem comigo, não os ignoraria.

Atenção: por ser uma palavra de multiuso, há o risco de o(a) candidato(a) ser acometido de “queísmo“, ou seja, do vício de linguagem dos que repetem à exaustão o emprego dos “quês” em sua redações.

Preventivamente, portanto, procure ampliar o seu vocabulário com leituras rotineiras que possam facilitar-lhe a busca de alternativas.

Olho vivo!

Como dissertar sobre temas polêmicos

É simples.

O primeiro passo é ter opinião formada sobre o assunto, ou seja, ser capaz de formular uma tese que retrate o seu posicionamento crítico.

Depois, é planejar o texto de até 30 linhas da seguinte forma:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu posicionamento crítico) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do trabalho (se for o caso).

2º parágrafo: análise dos aspectos favoráveis (ou desfavoráveis) à polêmica.

3º parágrafo: análise dos aspectos desfavoráveis (ou favoráveis) à polêmica.

Conclusão: expressão inicial (facultativa) + confirmação da polêmica + reafirmação do posicionamento pessoal em relação à polêmica (tese) + apresentação de soluções/sugestões à situação-problema da questão (se for o caso)  + apreciação final.

Observação importante: A fim de fortalecer o seu ponto de vista na conclusão do trabalho, sugere-se que os dois últimos parágrafos sejam de mesmo valor (favoráveis ou desfavoráveis, conforme o caso).

Agora é com você!

Você sabe começar uma dissertação?

Alguns candidatos enfrentam  dificuldades em introduzir  textos dissertativos argumentativos de até 30 linhas.

Observe, em itálico, a estrutura do seguinte parágrafo de introdução de um suposto texto argumentativo:

Quem tem saudáveis hábitos de leitura normalmente escreve bem (tópico frasal), porque (conector entre a introdução e o desenvolvimento do parágrafo) adquire bom vocabulário (apresentação do 1º argumento, o menos forte de todos), assimila as estruturas frasais com naturalidade (apresentação do 2º argumento, mais forte do que o primeiro) e, principalmente, (conectores de adição e destaque ao último argumento, o mais forte dos três)  desenvolve o senso crítico. (apresentação do 3º argumento, o mais forte de todos). Comprovar essa tese nos parágrafos subsequentes é o objetivo deste texto. (apresentação do plano de curso e do objetivo do texto)

A algumas conclusões você deve ter chegado quanto à estrutura do fragmento acima:

  1. Tudo começou com a apresentação da opinião (tese) sobre o assunto tratado no texto (tópico frasal).
  2. Depois seguiu-se a apresentação dos argumentos de sustentação da tese.
  3. Finalmente, apresentou-se  o plano de curso (como se pretende desenvolver a argumentação), seguido do objetivo do texto. Obs.: Se achar por bem, você pode dispensar essa parte em textos pouco profundos.
  4. Importante destacar o adequado emprego dos conectores e dos sinais de pontuação.

Não basta admirar a obra pronta: é preciso que você se disponha a treinar amiúde a aplicação do modelo acima a fim de adquirir condicionamento para a realização de provas de seleção.

Ao trabalho! Vamos lá?

Dado um texto literário, como planejar uma dissertação?

Primeiramente, procure reconhecer o assunto do texto de apoio.

Depois, desvende a tese do texto de apoio (ou seja, a ideia que o autor possa estar defendendo).

Escreva a sua tese, concordante ou discordante da do texto de apoio, conforme o caso.

Levante argumentos que possam sustentar a sua opinião.

A seguir, planeje o seu texto.

Sugerimos, para redações de até 30 linhas, o seguinte esquema:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese (o seu ponto de vista sobre a situação-problema do texto-base ou da coletânea de textos) + dois ou três argumentos pessoais que sustentem a sua tese (na ordem crescente de importância) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do trabalho.

Parágrafos mediais: reapresentação dos argumentos na forma de tópicos frasais de seus respectivos parágrafos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados na Introdução) + expansão (por meio de exemplos, dados numéricos, constatações, analogias, aplicações etc.).

Conclusão:  expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do seu texto (a mesma apresentada na Introdução, mas com outra construção frasal) + apresentação de soluções/sugestões à situação-problema da questão (se for o caso) + apreciação final.

Agora é só treinar, treinar e … treinar!

Falta de domínio da língua dificulta acesso ao mercado de trabalho

Falta de domínio da língua é a principal causa de eliminação de estudantes em teste de estágio para nível superior

O estágio é o primeiro passo para quem pretende ter uma oportunidade no mercado de trabalho após a graduação.

Ao participar de um processo seletivo para esse tipo de vaga o estudante precisa considerar que se trata de uma possível oportunidade de colocação no mercado no futuro.

Muitos, no entanto, não estão preparados para encarar a entrevista e pecam em competências básicas.

Pesquisa feita pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2014, mostrou que mais de 62% dos 6.175 candidatos que fizeram testes de estágio de nível superior na organização reprovaram.

Os motivos foram os mais variados, porém o principal deles é a falta de domínio do português.

Mariana Niederauer, (fonte: www.correiobraziliense.com.br, acesso em 19/7/14).

Para aprofundar os seus estudos, adquira um dos nossos livros.

Não deixe de treinar à exaustão a produção textual.

Bons estudos!

 

Seja você mesmo(a)!

Esteja aberto(a) a sugestões, mas adote estilo próprio de escrever.

Logicamente, você não deve sair do padrão culto de manifestação do pensamento.

Creia no seu potencial e na sua criatividade.

Você pode até inspirar-se nos outros, mas jamais tente copiá-los.

Estude com afinco e aplique tudo o que aprender.

Não se intimide, acredite na superação de eventuais dificuldades com perseverança e continuada dedicação aos estudos.

Entenda que a sua evolução acontecerá aos poucos, semana a semana, texto a texto.

Com o passar do tempo, você passará a degustar o prazer de escrever e de conseguir cada vez melhores resultados em suas redações.

Vamos lá? Comece hoje mesmo!

Não se descuide do preparo físico!

O esgotamento físico tem levado muitos candidatos a não completar o programa de estudos planejado ao início de cada ano.

Sendo assim, busque orientação de profissionais de educação física que possam acompanhá-lo(a) na manutenção do melhor condicionamento durante a caminhada (ou corrida?) para a consecução de metas.

Você não precisa virar um(a) superatleta de uma hora para outra. Basta que pratique aquela(s) modalidade(s) de sua preferência.

Acredite: a prática de esportes não é tempo perdido. Pelo contrário, é investimento!

Para isso, contabilize o tempo consumido no treinamento físico em sua agenda semanal, assim como você faz com a matemática, o português e as demais disciplinas.

Quem não se prepara fisicamente corre o risco de chegar à exaustão prematuramente e não atingir os objetivos colimados para o ano.

Uma pergunta: já deu a sua corridinha hoje?

Saúde!

Busque a simplicidade!

O seu texto não precisa estar rebuscado com figuras de linguagem, palavras de difícil entendimento e construções frasais eruditas.

Entenda que o artificialismo (linguagem forçada) poderá ser-lhe prejudicial.

Acredite: em se tratando de textos de concursos, exames e vestibulares, simplicidade é virtude!

Não confunda, entretanto, simplicidade com pobreza de ideias.

Assim, dê o recado na medida certa, sem devaneios nem excessos.

Faça uso de uma linguagem predominantemente denotativa, clara e retilínea, preferencialmente na ordem SPC (Sujeito – Predicado – Complementos).

Evite os rodeios desnecessários: para que tentar impressionar a banca de correção com tergiversações?

Elimine as “gorduras textuais”, ou seja, todo adereço literário que possa ser tirado do texto sem lhe causar prejuízos.

Assim, antes de passar o texto a limpo, faça uma boa faxina, eliminando as indefinições (artigos e pronomes), os sinais de pontuação dispensáveis e as redundâncias.

Para aprofundar o estudo, adquira os nossos livros DISSERTAÇÃO NOTA MIL e  REDAÇÃO PARA VESTIBULARES, CONCURSOS E ENEM.