Observe os paralelismos semânticos!

No texto, você deve observar não somente os paralelismos sintáticos, mas também os de correlação de ideias, ou seja, os semânticos.

  • Exemplo 1: Maria cuida dos irmãos menores e da saúde da mãe.

Veja que os complementos do verbo “cuidar” (irmãos menores e saúde da mãe) não são semanticamente paralelos e por isso mesmo não deveriam estar sendo regidos por um mesmo verbo.

Correção 1: Maria cuida dos irmãos menores e zela pela saúde da mãe.

Correção 2: Maria cuida dos irmãos menores e da mãe.

  • Exemplo 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente a Argentina.

Nesse exemplo há falta de paralelismo semântico, pois não há correspondência entre a nossa seleção de futebol e a Argentina, um país.

Correção 1: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que a nossa seleção enfrente o time da Argentina.

Correção 2: Em época de Copa do Mundo de Futebol, sempre espero que o Brasil enfrente a Argentina.

  • Exemplo 3: Se ele se desculpasse, ficaremos muito satisfeitos.

Perceba que não foi observado o paralelismo entre os verbos desculpasse e ficaremos, pois o contexto em que ambos foram flexionados sugere incerteza.

Isso inviabiliza a flexão do verbo ficar no futuro do presente do indicativo.

Correção 1: Se ele se desculpasse, ficaríamos muito satisfeitos.

Correção 2: Se ele se desculpar, ficaremos muito satisfeitos.

Agora é treinar, treinar e…treinar!

Respeite os paralelismos sintáticos!

Guarde bem isto: elementos de mesma hierarquia e função devem ser apresentados no texto mediante construções frasais que gramaticalmente se correspondam.

Sendo assim, uma locução nominal deve estar paralela a outra locução nominal; um verbo, a outro verbo; uma oração reduzida de infinitivo, a outra reduzida de infinitivo; e assim por diante.

Exemplo 1:

  • O juiz exigiu do atleta mais moderação em suas atitudes e que pedisse desculpas ao adversário. 

Nessa construção há falta de paralelismo sintático, pois ao termo moderação, um nome, não corresponde outro nome, mas uma oração (que pedisse desculpas ao adversário).

Correção 1: O juiz exigiu do atleta mais moderação (substantivo) em suas atitudes e o pedido (substantivo) de desculpas ao adversário.

Correção 2: O juiz exigiu do atleta que moderasse as suas atitudes (oração) e pedisse desculpas ao adversário. (oração)

Você poderá perguntar-se: qual a melhor solução das duas?

Na dúvida, embora ambas estejam gramaticalmente certas, fique com a mais concisa, simples e direta, a primeira.

Exemplo 2:

  • A mãe não escondia a sua impaciência e estar angustiada com o atraso do filho.

Não há correspondência entre impaciência (substantivo) e estar (verbo no infinitivo); portanto, não foi observado o paralelismo sintático.

Correção 1: A mãe não escondia a impaciência (substantivo) e a angústia (substantivo) com o atraso do filho.

Correção 2: A mãe não escondia estar impaciente (adjetivo) e angustiada (adjetivo) com o atraso do filho.

Exemplo 3:

  • Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade e que mostrasse o documento de habilitação.

Pelo visto, ao nome carteira de identidade não corresponde outro nome, mas sim uma oração (que mostrasse o documento de habilitação).

Correção 1: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de identidade (nome) e o documento de habilitação (nome).

Correção 2: Ao motorista infrator, o guarda pediu a carteira de motorista (oração) e conferiu o documento de habilitação. (oração)

  • O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudadores, políticos contaminados pela corrupção, Justiça lenta e sensação de impunidade.

Se você fizer uma análise morfológica dos termos enumerados após os dois-pontos, verá que não são de mesma natureza e, logo, não se correlacionam sintaticamente.

Correção: O superfaturamento de obras públicas é o retrato maior do Brasil: fraudes, corrupção na política, lentidão da Justiça e sensação de impunidade. (nome, nome, nome, nome)

Agora é treinar, treinar e… treinar!

Seja criativo: fuja das repetições

Queira distância de toda e qualquer repetição evitável, quer de palavras, expressões ou de sons, principalmente em redações produzidas em provas de concursos, exames e vestibulares.

Há vários recursos linguísticos que podem ser usados para evitar repetições, como o emprego de pronomes, símbolos, sinônimos e hiperônimos, ou o emprego de figuras de linguagem como a zeugma (omissão de um termo já citado no texto) e a elipse (omissão de um termo subentendido).

Observe o seguinte fragmento:

O sonho de a situação eleger o governador chegou ao fim, pois a oposição lançou uma candidatura imbatível a governador, segundo pesquisas de opinião. O futuro governador, assim, provavelmente estará alinhado à esquerda. A atitude mais sensata da situação, no momento, é buscar maioria nas próximas eleições municipais.

Repare nos senões do texto:

  • o parágrafo  tem três períodos, todos começando com artigo definido: O sonho… O futuro… A atitude. Isso demonstra falta de criatividade de quem escreve.
  • a palavra governador vem repetida sem necessidade.

Como melhorar a linguagem?

Chegou ao fim o sonho de a situação eleger o governador, pois a oposição lançou uma candidatura imbatível, segundo pesquisas de opinião. O futuro governo estadual, assim, provavelmente estará alinhado à esquerda. Buscar maioria nas próximas eleições municipais é a atitude mais sensata que se espera da direita.

Fique ligado(a): quem repete palavras ou expressões evitáveis denuncia pontos negativos, quais sejam:

  • repertório linguístico escasso, provavelmente por falta do hábito de leitura;
  • cultura geral rasa;
  • desconhecimento de técnicas de redação;
  • descaso com a qualidade do texto;
  • preguiça mental;
  • ingenuidade; e
  • falta de criatividade.

Nem pensar isso de você! Portanto, seja criativo(a)!

Obrigado pela companhia em 2016!

Feliz Ano Novo!!!

Com quem tu andas?

Nesta fase de preparação para vestibulares, concursos e Enem em que você se encontra, não fique  isolado(a) em seu quarto de estudos, longe de tudo e de todos.

Necessário será também socializar-me e manter bom nível em seus relacionamentos a fim de fazer de cada diálogo nova oportunidade de aprendizado.

Sendo assim, costume andar com quem tenha conversa edificante e esteja imbuído dos mesmos propósitos de vencer na vida por meio da educação.

Muitos candidatos deixam passar preciosas oportunidades de conversar sobre temas da atualidade quando estão entre amigos.

Falar sobre amenidades é da vida, sim, mas não deve ser a rotina de quem almeje o sucesso profissional.

A nossa sugestão é formar um pequeno grupo de estudo para a troca de ideias sobre os temas da atualidade.

Os amigos mais chegados podem ser os seus melhores professores na discussão de assuntos de prova. Você, em contrapartida, também poderá ajudá-los bastante.

Três ou quatro deles é o número máximo desejável, porque em grupos mais numerosos fica difícil harmonizar tantos interesses.

Um alerta: não convide preguiçosos de plantão a fazer parte do seu grupo de estudo, por mais amigos possam ser.

Em grupos dessa natureza todos deverão estar dispostos a renunciar parte do lazer em benefício do estudo e a despender energias em estudo e mais estudo.

Dê um toque de profissionalismo às reuniões (semanais, quinzenais ou mensais) :

  • elabore programações a serem cumpridas em cada encontro.
  • eleja as pautas de assuntos a serem discutidos.
  • distribua responsabilidades a todos os componentes do grupo.
  • programe simulados por conta própria (você pode baixá-los da internet).

Quanto ao mais, não deixe de relaxar também!

Praticar algum esporte e sair com o grupo para comer uma pizza é uma boa dica.

Bons estudos!

Dissertação baseada em textos literários

Têm sido bastante comuns propostas de redação baseadas em textos literários apresentados aos candidatos isoladamente ou como parte de coletâneas de fragmentos textuais.

É bom recordar que texto literário é aquele cuja função da linguagem predominante é a poética (centrada, portanto, na linguagem) e no qual a liberdade de expressão do autor é ilimitada.

Assim, por ser fortemente conotativo, oferece ao leitor recursos linguísticos que o remetem aos mais inusitados significados e às mais diversas associações.

É preciso, dessa forma, estar muito atento(a) a todos os apelos do texto para não perder o(s) significado(s) que o autor tenha atribuído às suas partes, até mesmo a pormenores como a sonoridade das palavras, o ritmo e o significado de cada figura de linguagem e pensamento.

O que fazer então?

Lido um texto literário, em prosa ou em versos,  observe inicialmente quem seja o(a) seu(sua) autor(a) e associe  informações que você possa ter a respeito dele(a).

Ainda mais, reconheça o tipo e o gênero textual (por exemplo: seria um conto, uma fábula ou um apólogo?) e também a fase literária na qual tenha sido redigido (por exemplo: seria um texto da atualidade, do romantismo ou parnasianismo?).

A seguir, faça uma leitura corrida apenas para conhecer o assunto, sem a pretensão de interpretá-lo por enquanto.

No passo seguinte, releia o texto com a intenção de ir mais a fundo em seu entendimento até chegar à tese, ou seja, ao que o(a) autor(a) afirme (ou desminta) sobre o assunto em tela.

Para textos mais complexos, releia mais de uma vez, se necessário, sempre com lápis ou caneta à mão, iluminando ou grifando as suas partes notáveis.

Tenha por hábito registrar ao lado de cada fragmento lido os diferentes efeitos que possam provocar ou as sínteses das suas mensagens parciais, pois, ao final da leitura, essas anotações poderão formar um painel que facilite a visualização do tema geral.

Desvendada a tese, escreva-a com as suas próprias palavras e procure levantar argumentos que possam sustentá-la ou refutá-la, conforme o caso.

A seguir, planeje o texto. Sugerimos, para redações de até 30 linhas, o seguinte esquema:

Introdução: breve contextualização (se for o caso) + apresentação da tese do texto    (o seu ponto de vista sobre a situação-problema da coletânea ou do texto-base) + dois ou três argumentos pessoais que sustentem a tese (na ordem crescente de importância) + plano de curso (como o texto será desenvolvido) + objetivo(s) do trabalho.

Parágrafos mediais: reapresentação dos argumentos na forma de tópicos frasais de seus respectivos parágrafos (na mesma ordem segundo a qual tenham sido apresentados na Introdução) + expansão (por meio de exemplos, dados numéricos, constatações, analogias, aplicações etc.).

Conclusão:  expressão inicial (facultativa) + reafirmação da tese do texto (a mesma apresentada na Introdução) + apresentação de soluções à situação-problema da questão (competência 5 do Enem, se for o caso) + apreciação final.

Agora é treinar, treinar e…treinar!

Fuja dos radicalismos e das generalizações indevidas!

Quando o autor de uma dissertação radicaliza ou generaliza indevidamente na apreciação de alguma situação-problema, compromete fortemente a qualidade do texto.

Uma boa dica para você não cair nessas ciladas é evitar  o emprego dos advérbios e os pronomes da família nunca, sempre, ninguém, todos, tudo e nada, pois poderão sugerir, além de generalização, radicalismo desaconselhável.

Exemplo: Os problemas do Brasil nunca serão solucionados, pois nada se faz contra a imoralidade dos homens públicos.

Observe os seguintes comentários:

  • com que autoridade pode-se afiançar que nunca os problemas do Brasil serão solucionados?
  • ainda mais, nada é um pronome que indica coisa nenhuma e enfraquece o peso da argumentação, haja vista que basta uma única ação corretiva que combata a imoralidade dos homens públicos ser efetivada para derrubar essa tese.
  • outra questão: o texto é impreciso, pois a que tipo de imoralidade dos homens públicos o texto remete o leitor, pessoal ou funcional? Não se sabe.
  • finalmente, comete-se erro de generalização: quem são esses homens públicos? Todos? Nem pensar…
  • outra pergunta sem resposta: a que categoria de homens públicos o texto se refere?
  • essas questões não respondidas pelo texto enfraquecem a  argumentação, já que basta um único homem público contrariar essas expectativas para desbancar a tese.

Corrigindo: Os problemas do Brasil começarão a ser solucionados quando políticos condenados pelos seus respectivos conselhos de ética  forem impedidos de assumir cargos  públicos.

Ficou bem melhor, não?

Agora é com você, sem radicalismos nem generalizações indevidas!

Não exagere ao dissertar!

Lembre-se de que a linguagem do texto dissertativo deve ser impessoal e estar centrada no contexto.

Não deve, portanto, ser contaminada pela emoção ou sentimentalismo.

Não significa dizer que os posicionamentos críticos devam ser mornos, frouxos.

Muito pelo contrário, devem primar pela firmeza da linguagem, já que a lassidão só desmerece a argumentação e mina o poder de convencimento do texto.

Evite excessos como o do seguinte exemplo: Os políticos são uns canalhas que só se preocupam em locupletar-se. Papuda neles!

Observe os exageros:

  • nem todos os políticos prevaricam no exercício de seus mandatos (a generalização tem sido um vício de raciocínio dos mais comuns em redações).
  • chamar indistintamente todos os políticos de canalhas é um despropósito, pois não cabe a quem disserta julgar esse mérito.
  • indo mais além, a palavra canalhas, pelo valor pejorativo que já assumiu, aponta para um posicionamento no mínimo deselegante do autor, o que de longe é interessante em textos dissertativos.
  • Papuda, como você deve saber, é um complexo penitenciário localizado no entorno do Distrito Federal. Condenar todos os políticos a esse fim é, portanto, exagero descabido, pois é mister somente da Justiça  julgar quem deva ou não ser recolhido à prisão.

Corrigindo: Há homens públicos que não merecem a representatividade delegada pelo povo quando buscam o enriquecimento ilícito. Justiça é o que se pede.

Observe que a linguagem manteve-se firme mas descontaminada de exageros. E o recado, apesar de firme, foi dado com equilíbrio.

Agora é com você!

Treinar, treinar e treinar é o segredo da linguagem adequada a textos dissertativos.

 

Lembre-se do tripé para dissertar com equilíbrio

No dia a dia você já percebeu ser o tripé a melhor forma de sustentar e equilibrar objetos que necessitam de boa estabilidade, a exemplo de uma máquina fotográfica.

No texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas não é diferente.

Quando você sustenta a tese com três argumentos relevantes que sejam desenvolvidos em também três parágrafos distintos e na ordem crescente de importância, a sua dissertação tem tudo para ficar bem equilibrada.

Observe as seguintes possíveis introduções de textos dissertativo-argumentativos de até 30 linhas:

  • Exemplo 1: A verdadeira amizade é marcada pela sinceridade (argumento 1), disponibilidade (argumento 2) e, principalmente, (conectores de adição e ênfase) comprometimento entre as partes. (argumento 3)
  • Exemplo 2: Todo trabalho deve ser desenvolvido não somente com devoção (argumento 1) e inteligência (argumento 2), mas, sobretudo, (conectores de adição e ênfase) com esmero (argumento 3)
  • Exemplo 3: Para escrever bem é preciso adquirir rotina de leituras (argumento 1), estar atento a tudo que acontece mundo afora (argumento 2) e, acima de tudo,(conectores de adição e ênfase) treinar com afinco a produção textual. (argumento 3) 

O que fazer no prosseguimento de cada suposto texto?

Basta o seguinte:

  • reapresentar e desenvolver os três argumentos citados na Introdução em seus respectivos parágrafos mediais (segundo, terceiro e quarto);
  • ao final, no quinto parágrafo, concluir a redação com a confirmação da tese, apresentação de soluções à situação-problema da questão (se for o caso) e emissão de uma apreciação final.

Agora cabe a você treinar, treinar e …treinar!

Vamos lá?

Seja assíduo(a) leitor(a)

Seja observador(a) de tudo e de todos, sempre no intuito de levantar ideias e argumentos que possam contribuir para mudar o mundo para melhor, a começar por você!

Lembre-se de que mente fértil é um berço de ideias para o seu texto de vestibular, concurso ou exame.

Seja participativo(a) e atento(a) à realidade do contexto social no qual você esteja inserido(a), da família-núcleo a contextos maiores, passando pelo seu condomínio, pela sua cidade, pelo seu estado e país até chegar à leitura diária da conjuntura internacional.

Desenvolva o senso crítico, seja questionador(a), não aceite a realidade dos fatos sem antes refletir e perguntar-se: não poderia ser diferente ou melhor?

Seja assíduo(a) leitor(a). 

Considere o seguinte: ler não significa apenas abrir um bom livro.

Mais do que isso, ler é compreender o que se lê e habilitar-se a inferir a respeito do que se leu.

Guarde esta máxima: para você, nesta fase de preparação em que se encontra, é melhor saber um pouco de tudo do que tudo de pouco!

Podemos dizer que “água pela canela” no mar de conhecimentos já é suficiente por ora.

Mais tarde, sim, você se tornará doutor(a) em alguma área específica.

Por enquanto, importa, sim, estar muito bem informado(a)!

Quem assim o faz é capaz de escrever textos de até 30 linhas sobre qualquer assunto.

Basta ter razoável conhecimento do assunto da Questão de Redação, sobre o qual se elabore uma opinião  que seja sustentada por dois ou três argumentos.

Quanto ao mais, diante de determinada situação-problema, é bom pensar também em soluções/sugestões que possam saná-la.

Pressupõe-se, finalmente, o uso de linguagem compatível com o nível de escolaridade exigido pela prova.

Boa sorte!

Treine, treine e treine

Você, candidato a provas seletivas, sabe muito bem avaliar o esforço despendido em estudos e mais estudos.

Como todo bom atleta em busca de resultados, você precisa adquirir não apenas conhecimento como também desenvoltura na realização das questões objetivas e da redação.

Para atingir essa desejável desenvoltura, será preciso treinar com regularidade.

Para isso existem os simulados e as provas de concursos anteriores, das quais boa parte  já está gabaritada e comentada.

Quanto à redação, não se iluda: somente os treinamentos deixá-lo(a)-ão mais à vontade com a folha de redação.

Qual a dosagem mínima de produção textual em casa? Sugerimos dois textos por semana!

Muito importante: produzidos nas mesmas condições da prova a ser enfrentada.

Isso significa dizer que, enquanto você estiver treinando a produção textual, não permita ser interrompido(a).

Assim fazendo, a mente ganhará condicionamento para ficar retida na execução de tarefas mais prolongadas e exaustivas.

Agora é com você!!!

Bom trabalho!